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6 Diário da Câmara dos Deputados

que são, na Sociedade Portuguesa, elemento pernicioso e constante de desordem. Primeiro devemos esgotar os meios suasórios, e só reprimir e castigar, mas então severamente, quando não possa deixar de ser. Sr. Presidente: nem eu, nem o Sr. Ministro do Interior, poderíamos neste momento fazer determinadas declarações que se relacionam com o assunto, sem que isso causasse grandes prejuízos para a República e para a Pátria. A Câmara conhece os acontecimentos de Braga e de Lamego. onde alarmantes sintonias se manifestaram, parece que com o simples intuito de desprestigiar a República, as instituições e o regime.

Em Beja o em Évora, acontecimentos da mesma ordem. O assunto foi apreciado o discutido em Conselho de Ministros; paru avaliar o que se passara, o que se ia tramando, antes das eleições, como se não bastassem êstes factos, temos ainda o boato da falsificação dos vinhos exportados para a França, que produziu agitação; as greves do Alentejo, os submarinos alemães e os seus trabalhos constantes de caça na costa do Algarve. Tudo isto prova que o Govêrno não andou de ânimo leve adiando as eleições.

Conjugando toda esta ordem de factos com as maquinações externas e com as noticias positivas, certas, incontestáveis, recebidas no Ministério dos Estrangeiros - as quais não podem esclarecer melhor - e pelas quais se sabe que elementos que se dizem portugueses se mantém em correspondência com alemães expulsos do país, sendo pagos por boa quantia - em falta disto, o Govêrno entendeu adiar as eleições.

As eleições serão feitas o mais depressa possível, dentro de poucas semanas talvez, logo que a situação o permita, e depois disso se reconhecer, examinados que sejam os fenómenos da sociedade portuguesa. Tambêm poderei afirmar, ao contrário do que se tem dito para aí, que as eleições serão efectuadas com a máxima, a mais ampla liberdade.

As eleições administrativas hão-de ser feitas no momento em que se julgar conveniente, indo o Sr. Ministro do Interior, nesse sentido, mandar para a Mesa o projecto de lei reconduzindo até o máximo do prazo, de 1 de Julho próximo, os actuais corpos administrativos.

Passando a outro assunto, direi que o Govêrno quere que os seus actos sejam discutidos e que sejam acatados os ditames da lei de 2 de Setembro de 1915.

Submeto com prazer à apreciação dos membros do Parlamento todas as deliberações e medidas legislativas já tomadas pelo Govêrno à sombra da autorização que lhe foi dada, mandando para a Mesa um, projecto de lei.

É certo que o Govêrno não ficará por aqui, porque levará ao Congresso os respectivos relatórios; mas isso só se fará em ocasião oportuna, isto é, quando abrir a época legislativa normal, a não ser que se resolva continuar com a actual sessão aberta desde hoje até 1 do Dezembro, visto no dia 2 ter ela que abrir por direito próprio. Referindo-me ao bravo heroísmo das nossas tropas em Newala, na África, o coração, o ponto principal atacado pelos alemães, direi que as nossas forças tem estado constantemente de acôrdo e em cooperação íntima com a Inglaterra. O que torna mais admirável o esforço dos nossos soldados é a sua acção de combate ter-se desenvolvido num clima árido, inóspito, insalubre, terrível. É necessário que o reconheçamos, lembrando-nos constantemente de que essas tropas estão mantendo o nosso prestígio de nação colonial.

Referindo-me à nossa breve cooperação na Europa, declaro que é lá que se encontra, presentemente, o nosso futuro de nação livre. São considerados como nossos maiores inimigos êsses portugueses que põem em dúvida o heroísmo dos nossos soldados. Êstes hão-de salvaguardar os direitos da Pátria nova, que há-de reviver através dos séculos...

(Nas galerias e por toda a Câmara muitos apoiados).

O orador não reviu.

O Sr. Ministro do Interior (Brás Mousinho de Albuquerque): - Saúdo o Parlamento por ser a primeira vez que, dentro dolo, uso da palavra e, depois do que foi dito pelo Sr. Presidente do Ministério: poderia limitar-mo a mandar para a Mesa a minha proposta do lei se S. Exa. não tivesse manifestado o desejo de que a justificasse.

Assim, direi que poucos dias antes das eleições recebi telegramas de vários go-