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28 Diário da Câmara dos Deputados

aspecto pessoal que revestiram, me deram a impressão de que com efeito S. Exa. procurava ser-me desagradável.

Na verdade, Sr. Presidente, S. Exa., nas considerações que fez relativamente às pessoas que nomeei, apresentou objecções de ordem particular que, na verdade, nada têm com a discussão do orçamento do Ministério dos Negócios Estrangeiros, e que só foram ditas, na Verdade, com o intuito de me ser desagradável, tanto mais quanto é certo que as afirmações que foz não são exactas.

S. Exa. referiu-se a uma pessoa que é meu consócio num grémio a que pertenço e onde vão pessoas do melhor meio social desta cidade, onde há monárquicos, onde há republicanos e onde nunca houve política.

O Sr. Rafael Ribeiro fez uma afirmação verdadeiramente afrontosa para mim, qual foi a de ter afirmado, num momento talvez de exaltação, que eu lá fora achincalhava o Pari amputo.

Sr. Presidente: na minha qualidade de parlamentar uma tal afirmação é verdadeiramente afrontosa para a minha dignidade.

Ainda convidei o Sr. Rafael Ribeiro a pensar no que tinha dito, porém, S. Exa. insistiu, e assim o Ministro dos Negócios Estrangeiros, que é um homem, sentindo--se agravado, respondeu como, na sua qualidade de homem, entendeu que devia responder.

Lamento, Sr. Presidente, que o facto se tivesse dado; mas não me pertence a mim a responsabilidade do que aconteceu, visto que não me pertence a afirmação, e se nesse momento alguma palavra disse mais viva e imprópria do Parlamento, ainda, Sr. Presidente, como prova do muito respeito que tenho pelo Parlamento, eu peço licença a V. Exa., Sr. Presidente, para retirar essa expressão. Tenho dito. O orador não reviu.

O Sr. Dagoberto Guedes: - Sr. Presidente: não serei muito extenso nas considerações que vou fazer, cingindo-me estritamente, nas minhas palavras, a algumas rubricas do capítulo 2.° do Orçamento em discussão.

O ilustre relator, no parecer da comissão do Orçamento, acentua uma vez mais
que o Ministério dos Negócios Estrangeiros "está longe de corresponder às presentes exigências da nossa política de relações e ainda, e principalmente, às urgentes necessidades da nossa vida económica". E mais adiante reconhece e afirma também o ilustre relator que: "os serviços de propaganda, hoje tam vitais para os países que curam com desvelo da valorização de todos os seus recursos, quási não podem ser feitos por falta de pessoal indispensável e por carência, por assim dizer, absoluta de recursos materiais para tal fim".

Não obstante reconhecer esta verdade, a comissão do Orçamento propõe uma redução de 50.000$, precisamente na verba do capítulo 2.°, artigo 5.°. destinada a "despesas de carácter reservado, propaganda, publicidade, etc.", sem dar qualquer explicação das razões que a determinaram a propor essa redução na proposta orçamental.

Há uma evidente contradição entre as palavras que acabo de ler no relatório e a proposta de redução do ilustre relator. Eu compreendo, porém, os razões que levaram o ilustre Deputado Sr. Agatão Lança - a quem presto a minha homenagem pela dedicação com que estudou o orçamento do Ministério dos Negócios Estrangeiros- a propor uma redução nessa verba. São naturalmente as mesmas razões que me levam a concordar com ela.

É indispensável, Sr. Presidente, realizar e manter uma intensa propaganda no estrangeiro da nossa cultura, das nossas possibilidades económicas, do nosso progresso colectivo e, muito especialmente, da nossa acção colonizadora. É necessário criar uma opinião pública no sentido de se reconhecer que não podemos conservar-nos isolados da vida internacional moderna, em que as nações intensificam as suas relações, por um inter-câmbio de ideas e por um conhecimento profundo do progresso social e económico de todos os povos cultos que fazem parte da comunidade internacional.

As despesas com a propaganda do nosso Pais no estrangeiro devem ser consideradas legitimamente como despesas produtivas, porque são, sem dúvida, de elevados resultados morais e económicos.

Mas o que é necessário é que as ver-