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938 ACTAS DA CÂMARA CORPORATIVA N.º 82

tamento -, ao dessalgamento, etc. De novo, a inclusão de uma verba destinada aos ensaios de fertilização das espécies florestais, prática pouco divulgada entre nós, mas que a participação da floresta na conservação dos solos e a crescente industrialização dos seus produtos e necessidades inerentes justifica, como a exploração em regime de «silvicultura intensiva».
Como se justifica plenamente a coordenação de todos os trabalhos que os sectores oficiais e a actividade particular, nomeadamente os fabricantes e importadores de adubos, tem realizado entre nós, em especial após a Campanha do Trigo. Foi elaborado um projecto de diploma, em 1960, com a finalidade da criação de um «Centro de Estudos de Fertilizantes», indispensável a tirar-se o maior rendimento e proveito para a lavoura da intensa, persistente e difusa experimentação que é necessário fazer, sob uma linha de orientação válida. A secção permite-se pedir uma especial atenção para este aspecto. E todos os estudos que se façam para aumentar as disponibilidades em matéria orgânica, animal ou não, merecem o maior apoio, dada a sua exiguidade em relação às necessidades crescentes.
Por outro lado, os problemas da drenagem devem merecer cuidados especiais. Sabe-se que o insucesso de muitas culturas, nomeadamente das cerealíferas no Sul do País, é devido às características irregulares das quedas pluviométricas, texturas dos solos e em grande parte à deficiência de drenagem de muitos terrenos.
Por isso a secção, neste parecer, propõe que aos estudos e realizações relacionados com a drenagem seja dado o maior apoio.

g) Cooperativas e outras associações de produtoras

39. Como se frisou já no parágrafo deste parecer intitulado «Aspectos actuais da agricultura», o problema da cooperação na agricultura andou durante muito tempo à margem do interesse da grande maioria dos nossos produtores agrícolas. A evolução da vida rural e da técnica e economia agrícolas, com suas limitações e exigências, e o poderoso estímulo financeiro e amparo técnico dos organismos económicos vieram abrir novos horizontes para esta modalidade, cada vez mais indispensável, da cooperação entre os produtores agrícolas. Na forma tradicional das cooperativas, ou nas mais recentes da «agricultura do grupo», a exploração colectiva de determinadas actividades agrícolas está-se tornando bem notada, ultrapassando já as clássicas instalações tecnológicas e de armazenagem anexas, como sucede quanto ao vinho, azeite e leite - de que a U. C. A. L. é exemplo marcante -, mais raramente no que respeita à fruta, estendendo-se já à industrialização do tomate, do descasque de arroz e das forragens (Cooperativa de Transformação dos Produtos Agrícolas do Vale do Sorraia). Também o vasto conjunto da Federação de Grémios da Lavoura do Nordeste Transmontano em construção, e bem recentemente ainda, no âmbito da «agricultura, do grupo», a nova Cooperativa para a criação do gado dos seus associados e actividades complementares, que acaba de surgir, por iniciativa privada, no concelho de Sever do Vouga, são exemplos benéficos desta evolução.
É curiosa a forma como se tem processado a criação das cooperativas agrícolas, 869 no continente e ilhas adjacentes, no final de 1963:

De 1867 a 1925.............. 8
De 1926 a 1935.............. 40
De 1936 a 1952.............. 150
De 1953 a 1962.............. 187

e que, nesse momento, se distribuíam por: de produtores de leite e lacticínios, 110; de viticultores, 114; de olivicultores, 59, destinando-se as restantes a 13 actividades diversas.

os benefícios quanto à qualidade de produtos, facilidades de comercialização, economia e comodidade para os participantes, dispensam-se quaisquer comentários. O que é necessário, como já se acentuou, é que adentro do quadro de dispersão a que os produtos agrícolas obrigam sejam bem dimensionadas, tecnicamente bem equipadas e económicamente viáveis, podendo competir, sempre que necessário, com as actividades privadas e mantendo-se nos seus campos específicos. Para isso torna-se necessária assistência efectiva e competente, pelo que, dada a impossibilidade de em tantos casos serem os próprios lavradores os gerentes e técnicos destes empreendimentos, deve dispor-se de elementos com uma formação especializada, o que pressupõe a existência de órgãos de preparação. A apontar, no campo da vinificação, o contributo que a Fundação Gulbenkian e os organismos da região dos vinhos verdes já deram em fase inicial a este problema. A destacar também o interesse e devoção de muitos lavradores, verdadeiros leaders na sempre difícil missão de convencer os incrédulos, e o entusiasmo, apoio e competência revelados pelos técnicos dos serviços oficiais e dos organismos corporativos e de coordenação económica, a quem, sem exagero, se deve atribuir grande parte do êxito, por vezes espectacular, que se tem registado. Atesta-o a necessidade imediata da ampliação das instalações das cooperativas, tantas vezes tão timidamente iniciadas...
O projecto prevê investimentos da ordem de 203 000 contos, dos quais 3000 para a preparação do pessoal, e o restante financiado por várias fontes e destinado ao prosseguimento da construção de adegas cooperativas e armazenagens de azeite, instalação de uma «cooperativa-piloto florestal», para a industrialização da gema do pinheiro, serração e outras actividades complementares, e ainda diversas realizações integradas em planos de desenvolvimento regional, onde actuações desta natureza têm função destacada.
Admite-se que o problema das cooperativas florestais não possa ficar à margem do interesse e orientação da respectiva Direcção-Geral pela assistência técnica indispensável ao seu êxito, matéria, aliás, de há muito estudada e até estruturada por este departamento do Estado.
Considera-se que haja desigualdade de tratamento, quanto à facilidade da concessão de subsídios ou financiamentos, em relação a grémios e cooperativas, gerando-se, por vezes, mau estar. Afigura-se à secção que, sendo actividades complementares e orientadas num mesmo sentido de actuação, deverá ser revista com brevidade a legislação, no sentido de desaparecerem motivos de dúvida ou de incompreensão injustificados.
Quanto às adegas cooperativas, a Junta Nacional do Vinho conta que no final de 1964 estejam construídas unidades com a capacidade de mais 60 000 pipas, a que há a juntar ainda a ampliação de três adegas, correspondendo a mais 10 500 pipas.
Tem previsto no período do Plano Intercalar uma média anual de construções para 22 500 pipas.
Na área da Casa do Douro (Federação dos Vinicultores da Região do Douro) trabalharam na vindima de 1963 vinte adegas, com a capacidade de 34 500 pipas, prevendo-se que no triénio, por construções e ampliações, possa este número ser elevado em mais de 24 000 pipas.
Por sua vez, a Federação dos Vinicultores do Dão espera que sejam construídas treze adegas, num total de