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26 DE JANEIRO DE 1955 417

de cultura para o vírus comunista, depois pelo auxílio militar, para que as economias em recuperação não se afundassem de novo perante a necessidade de reconstituição da força.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Embora seja evidente que, apoiando a Europa Ocidental, a América trabalha pela sua própria segurança, é certo que não poderá ter mais desejo de que subsistamos do que nós próprias o devemos ter. Concorrendo largamente para aumentar a nossa capacidade defensiva, indispensável à nossa sobrevivência, presta-nos o inestimável favor de nos permitir continuar dedicando parte importante dos nossos recursos no fomento da riqueza e do bem-estar do nosso povo.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Com o correr dos anos a mobilização progressiva e cautelosa das possibilidades ocidentais tem sabido criar pouco a pouco novas condições de resistência, e por isso podemos hoje dizer que desapareceram em grande parte as probabilidades de um eventual ataque inimigo na Europa se transformar num simples passeio militar até ao Atlântico.
Não quer isto dizer que o perigo tenha desaparecido. Paralelamente ao esforço desenvolvido pelo Ocidente, também o potencial militar do Leste tem crescido, e tudo leva a crer que, mesmo no próprio campo das armas especiais, embora aqui não disponha da vantagem do número, os «eus progressos sejam importantes. Poderia a Rússia, como nação, como povo, ter aspirações dê paz e, portanto, a força que cultiva ser essencialmente defensiva; porém, a União das Repúblicas Soviéticas é portadora de uma Concepção de vida que mostra bem, no próprio afã com que se isola, como teme o confronto, e essa é que para subsistir tem de se expandir e impor, criar largos espaços em sua volta onde a luz da civilização cristã não possa penetrar - e conhecem-se bem os métodos e processos com que usa fazê-lo, tantas vezes os pôs já em prática na Europa e na Ásia.
Deve, portanto, concluir-se que o perigo não desapareceu e nem mesmo diminuiu de maneira apreciável, embora os meios para o deter tenham indubitavelmente aumentado. Nós, Latinos, gostamos, no entanto, de situações mais definidas, com evolução mais rápida, pois o entusiasmo com que as vivemos não se quadra com a monotonia dos esforços persistentes. Eis porque, cansados da parte emocional dos problemas, por vezes nos dispomos a descrer da sua gravidade e a considerar talvez supérfluos, escusados, os sacrifícios que no início das crises nos pareceram até aquém das necessidades.
Por isso se deve repetir que subsistem as mesmas preocupações que deram origem ao Pacto das nações ocidentais e se têm de desenvolver e apoiar todas as medidas políticas e militares que o reforcem.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Entre essas medidas está a acessão da República Federal Alemã e, consequentemente, o seu contributo militar para o dispositivo defensivo criado.
A Alemanha Ocidental, como vencida da guerra, tem estado até ao presente ocupada militarmente e sem dispor de forças próprias.
Ao ser-lhe agora conferida completa autonomia, quais poderiam sei sob o ponto de vista político-militar em relação ao conflito potencial entre o Leste e o Oeste as suas posições?
Ou se mantinha desarmada e, portanto, sob a garantia das nações ex-ocupantes, o que corresponderia à criação de um novo campo de fricção, tipo Coreia em ponto grande, e por isso susceptível de conduzir rapidamente à guerra; ou se rearmava como potência neutral, de início na medida em que a defesa da sua soberania o exigisse, depois na medida em que o espírito militarista alemão, de novo revivido, julgasse necessário para, explorando o despique em sua volta, se embalar de novo nas ambiciosas miragens que foram a causa dos infortúnios da Europa nos últimos oitenta anos; por fim, ou se rearmava integrando-se na coligação ocidental.
As duas primeiras posições eram, pela própria evidência, contrárias à paz e à segurança do Ocidente. Resta, por isso, a terceira.
Sob o ponto de vista material, a coligação ocidental reforça-se de forma importante com a inclusão da República Federal Alemã entre os seus membros.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - São os soldados, dos melhores que o Mundo conhece; são as fábricas e a técnica, de valor excepcional; são as matérias-primas essenciais, em importantes quantidades; é uma inteira população, extremamente viril e laboriosa; são os inúmeros recursos duma extraordinária nação que se vêm somar aos do conjunto.
Aumentam-se ainda, em valores apreciáveis, as forças imediatamente disponíveis para a detenção inicial do inimigo, melhorando-se a possibilidade de se dispor de tempo para mobilização de todo aquele enorme potencial, e leva-se a linha de defesa para a própria linha de contacto, ganhando-se definitivamente 500 km de profundidade na passagem do Reno para o Oder.
Sob o ponto de vista moral não é menos importante o contributo.
São mais umas dezenas de milhões de homens que vão afirmar ao mundo oriental, indiferentes aos cantos de sereia, que preferem a liberdade; é a segurança no empenho que o povo alemão saberá pôr na defesa do solo pátrio; é, enfim, mais lima probabilidade de se poder tratar com o bloco comunista em condições de se obter, senão uma mudança radical de atitude, pelo menos um sinal de apazigua mento.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - E certo que o rearmamento alemão causa preocupações a muita gente. Compreende-se especialmente que o francês, que viu a sua casa assaltada e invadida em três gerações sucessivas, sinta como um enorme peso a responsabilidade de ter de se manifestar por ele ou contra ele.
Mas pergunto a mim próprio: pode-se acreditar que um país coma vitalidade que a Alemanha Ocidental uma vez mais demonstrou no seu espantoso ressurgimento fique desarmado para sempre?
Seria também possível que quando, com o correr dos anos, adquirisse a plenitude da sua soberania admitisse a imposição de restrições nos seus armamentos e efectivos que não quisesse aceitar de livre vontade?
Deixo as perguntas propositadamente em aberto, mas penso ainda que, se existe latente no sangue germânico o perigo do militarismo prussiano, se encontrou talvez a forma de o neutralizar com a solução original, inédita na história, de fazer entrar a Alemanha na coligação ocidental, isto é: tornando-a aliada e fazendo-a ligar o seu destino ao das nações que tradicionalmente eram levadas a unirem-se para se lhe oporem.

Vozes: - Muito bem, muito bem!