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26 DE JANEIRO DE 1955 413

sistema de cooperação ocidental extremamente eficaz, apto a enfrentar qualquer injustificado ataque à civilização que lhe cabe defender.
Sr. Presidente: para que possamos continuar a viver, sem quebra de ritmo, a presente época de ressurgimento nacional é indispensável que simultaneamente se verifiquem a tranquilidade no País e o apaziguamento entre as nações.
Ao dar o meu voto de aprovação ao Protocolo Adicional ao Tratado do Atlântico Norte para a acessão da República Federal Alemã, em que esta potência se compromete «a abster-se de qualquer acção incompatível com o carácter estritamente defensivo deste tratado-o, estou convencido de que a comunidade atlântica caminhará mais rápida e firmemente para atingir uma verdadeira paz baseada na justiça. Apraz-me também verificar que, aprovando o diploma em discussão, seguiremos na linha tradicional da história do nosso país, que sempre encontrou no bom entendimento e cooperação entre os povos um dos fundamentos seguros da sua gloriosa existência.
Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Galiano Tavares: - Sr. Presidente: a República Federal Alemã, cuja política interna se esboça e se reafirma, não obstante a ocupação que subsiste numa das zonas do seu território, desperta para a vida em comum com as nações ocidentais.
Notàvelmente industrial e criadora, a Alemanha desempenhou, principalmente após a sua unificação - aglutinados os diversos estados autónomos, em que sobressaía a Áustria, da dieta federal de Francoforte, sob o influxo de Bismarck, cuja consolidação o Zollverein facilitou -, predominantemente industrial, repito, logo marcou uma situação de relevo, mercê da riqueza do seu subsolo e da reputação dos seus homens mais representativos.
Durante o século XIX, apesar do despertar das nacionalidades, não obstante as guerras, sentia-se e havia, na verdade, um certo sentimento de solidariedade.
Em 1937 o panorama político definia-o já Roosevelt nesta dolorosa confissão: a Reconhecemos a profunda necessidade de encontrar no exercício do poder os meios de resolver para o indivíduo os problemas sempre crescentes de uma civilização complexa. Os esforços repetidos - acentuava - que tentamos resolver sem auxílio do Governo desconcertaram-nos. Porque sem tal auxílio fomos incapazes de criar e impor aos serviços da ciência os controles morais que são necessários para fazer da ciência a serva útil que idealizámos, e não uma dominadora tirânica e implacável da Humanidade. Para o conseguir sabíamos - acentua Roosevelt - que era necessário impor controles práticos às forças económicas cegas e aos homens cegamente egoístas».
É que, com efeito, sob o delírio das ideologias que se opunham, se percebiam os «imperialismos» que se impacientavam.
Perante a expansão dominadora de um génio militar que já havia conturbado o continente europeu, também a Europa se coligara, com o epílogo em Waterloo, depois da Aboukir e Trafalgar.
No concerto das nações europeias a Alemanha tornou-se, pois, como ia dizendo, um país de inegável prestígio.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Evoquemos num passado, que não é muito longínquo, Essen e Dusseldórfia, centros de metalurgia do aço e do ferro, além das indústrias químicas, bem como os institutos científicos Akademie der Wis-senschaften, Gesellschaft der Wissenschaften, Sachsische Akademie e ainda as cidades universitárias Leipzig, Berlim e Edelberga.
Creio que será ocioso descrever, no desenvolvimento, já histórico, da sua vida política, as vicissitudes por que passou depois, desde a retumbante proclamação em Versalhes, em Janeiro de 1871.
Quem estude a Alemanha actual e se aperceba dos seus anseios e inquietações não pode deixar de se mostrar sensível ao pugente drama da sua vida, no coração da Europa, desta Europa que tem de conquistar na solidariedade e na força da sua organização a perpetuidade de uma missão libertadora, intrínseca garantia da paz.
A Alemanha será, por isso, um importantíssimo comparticipante do Pacto do Atlântico Norte.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Creio, com o ilustre autor do parecer da douta Câmara Corporativa, que, resolvido o problema da cooperação da Alemanha na defesa do Ocidente - posto pela primeira vez em Nova Iorque há quatro anos e que Portugal desde logo apoiou e defendeu -, a aliança da República de Bona é não só útil como indispensável.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Com arguta clarividência escrevia há dias um ilustre e sagaz comentador da política internacional que, adentro das actuais zonas ocidentais de tufões e incertezas, a polémica sobre o rearmamento alemão afigura-se ser tão bizantina e estéril como unia discussão sobre as vantagens das fatalidades cósmicas». «Diante dos problemas humanos - acrescenta - resultantes duma Rússia militarmente armada contra um Ocidente dividido e dos 600 milhões de amarelos arregimentados pelo novo imperialismo asiático, o resto do Mundo ou se une para fazer face à ameaça ou está condenado u inevitável absorção».

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Quanto a nós próprios, Portugueses, de tempos remotos e longínquos data a cooperação estimável de figuras de proveniência alemã, quer nas lutas da constituição da nacionalidade, quer até na época da nossa epopeia marítima, de que Martim Behaim foi, como geógrafo, sagaz cooperador, tal como Schonherg ardoroso companheiro de armas nas guerras da independência.
Carolina Michaëlis era alemã e Luísa Ey consagrou-se, com acrisolado carinho, à difusão da nossa cultura.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - A Alemanha de hoje, banido o Nazi Weltauschauung, não pode deixar de ser recebida com agrado no seio das nações ocidentais. Parafraseando o ponderado parecer da Câmara Corporativa, «uma contribuição militar da Alemanha, restituída à soberania no território em que é livre, pode, em dadas circunstâncias, ter para os nossos interesses nacionais uma decisiva importância»; uma Alemanha, embora mutilada, mas de novo investida na sua maioridade política, constituirá, em caso de guerra, um obstáculo poderoso à subversão da Europa, perante a realidade do actual poder militar de Weimar, sob o influxo soviético, e no