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1 DE ABRIL DE 1055 739

A U. E. P. recorreu para anular a imposição de construir a linha, e o caso está pendente de um tribunal arbitral.
É evidente que esta discussão de direitos e deveres da Câmara de Montemor e da U. E. P. tem produzido até agora o clássico efeito de delongas enervantes para os habitantes do Vendas Novas.
Já em 1 de Dezembro de 1953 os jornais anunciaram que tinha havido acordo entre a Câmara de Montemor, a U. E. P. e o Ministério do Exército - este pelo interesse da Escola Prática de Artilharia - para a montagem do cabo condutor entre Pegões e Vendas Novas.
Decorridos mais de dois anos depois das primeiras negociações e mais de um ano do anunciado acordo, que de facto só existiria em desejo platónico, pouco ou nada se avançou.
De construtivo foi entregue há poucos dias na Direcção-Geral dos Serviços Eléctricos o projecto elaborado pela U. E. P. para a implantação do traçado da linha Pegões-Vendas Novas.
É mais um passo importante, mas não decisivo, pois que a pergunta «quem paga?» continua a ser o pomo de discórdia entre a Câmara e a empresa.
Nesta altura parece que se impõe, da parto de quem de direito, a ordem de se executar a construção, segundo o pensamento da Direcção-Geral dos Serviços Eléctricos, sem prejuízo do que o tribunal venha a decidir quanto à obrigação de quem tiver de pagar por fim.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador: - De resto, não se trata de uma aldeia sertaneja ou vitória de importância secundária.
Vendas Novas, disse-o então, abriga uma população de 5000 habitantes no núcleo principal e 12 000 na respectiva freguesia.
Além de iluminação particular e pública - esta apenas possível na rua principal, de cerca de 3 km, pelo poder iluminante dos faróis dos automóveis que a cruzam, pois essa rua é um troço da estrada Lisboa-Caia -, aguarda a energia eléctrica uma importante e próspera indústria corticeira, de que existem catorze fábricas, além de uma fábrica de moagem e massas alimentícias, três do cerâmica, uma de mosaicos e três do refrigerantes, três lagares e até uma tipografia.
Isto, só por si, provo um avultado consumo de energia eléctrica. Mas é preciso acrescentar que existem ali quatro oficinas de reparação de automóveis e outras oficinas para fins diversos.
O comércio, que serve a avantajada população de 6500 habitantes da vila e arredores e os inúmeros viajantes que por ali transitam, é concomitantemente importante, o que se verifica pela existência de vinte mercearias e sete cafés, alguns de certo aparato.
Também a Escola Prática de Artilharia, hoje iluminada por central própria e deficiente, será beneficiada com o projectado ramal de alta tensão.
Poucos serão os automobilistas portugueses que não conheçam esta vila, que teve seu início com a construção de uma estalagem, ordenada por D. João III, para a mala-posta, em .1526, e sou nome pelo aparecimento de vendas, que inspiraram a designação de Aldeia das Vendas Novas.
D. João V aditou-lhe o palacete, mandado construir em 1729 para albergar na passagem o cortejo nupcial dos príncipes, vindos do Caia.
Nesse palacete instalou-se a Escola Prática de Artilharia em 1861, por ordem de D. Pedro V.
Tem, finalmente, Vendas Novas direito a que o seu instante problema da electrificação seja resolvido pelos motivos populacionais e económicos aduzidos, que são irrefragáveis e a que não falta uma certa pincelada de história.
E também notório o desenvolvimento da população dos arredores, que num esforço meritório transformou a charneca de aparência estéril em belas pequenas propriedades, por aforamento de terras da Casa de Bragança, Monte Branco e Misericórdia.
Vendas Novas deu, nestes últimos vinte e cinco anos, um salutar exemplo de colonização interna do pura o eficaz iniciativa particular.
Bem merece, pois, ver rapidamente solucionado o sou problema de electrificação

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Pela segunda vez, em dois anos, apelo para o Sr. Ministro da Economia, a fim de que o conflito paralisante entre a Câmara de Montemor e a U. E. P. seja resolvido sem prejuízo da execução urgente da obra imperiosa da electrificação de Vendas Novas.
Disse.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Presidente: - Segue-se no uso da palavra o Sr. Deputado Bui de Andrade. Creio que V. Ex.ª tinha pedido a palavra sobre o Centenário de João Franco.

O Sr. Rui de Andrade: - Exactamente. Desejo falar sobre o centenário do nascimento do conselheiro João Franco.

O Sr. Presidente: - Se V. Ex.ª o deseja, poderá falar da tribuna.

O Sr. Deputado Rui de Andrade subiu à tribuna.

O Sr. Rui de Andrade: - Sr. Presidente: único supérstite do Parlamento franquista de 1916 aqui presente e quase único vivo, porque só vive ainda o meu caro amigo Dr. Carlos Lopes, não desejo ver passar o centenário do nascimento do grande parlamentar e homem de estado e meu muito particular amigo João Franco sem dizer algumas, infelizmente desadornadas, palavras nesta ocasião.
A minha vida longa permite-me hoje fazer esta evocação, mas também o facto de ter sido o mais jovem dos Deputados de então.
A personalidade de João Franco pertence já hoje à história de um período há muito tempo passado e que a maioria conhece por tradição e pelos livros que acerca daquele período se escreveram; porém, eu assisti a todo o desencadear dos acontecimentos, e é por isso que vos venho evocar aquele período de luta e falar daquele grande que foi João Franco, um beirão, nascido em Alcaide, que se revelou muito novo um rijo homem de acção e um parlamentar de invulgares dotes oratórios.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Depois de ter marcado nos períodos parlamentares do decénio de 1890 a 1901, durante o qual foi Ministro da Fazenda, das Obras Públicas e do liei no e leader do Partido Regenerador, em 1901 separa-se deste partido por divergências de métodos de governo, e a seguir procura que a política do rotativismo, emaranhada nas questões partidárias, se modifique de forma que seja possível a Nação dedicar-se a grande tarefa de salvação nacional e da monarquia, que pela incompreensão dos grupos políticos estavam a soçobrar.
Para compreender o que foi a tarefa, à qual dedicou toda a sua coragem e a sua extraordinária capacidade