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1 DE ABRIL DE 1955 743

dade, representa para- Portugal a abertura do pórtico do Império, na aspiração supremo, de alargar o reino da cristandade, dilatando a Fé e o Império, combatendo os Sarracenos, salvando a velha Europa das suas audaciosas investidas.
Grão-mestre da Ordem de Cristo, fundada por D. Dinis para combater os Mouros fora da Península, nobilíssima ordem de cavalaria, que dominou toda a epopeia dos Descobrimentos, soube o Infante agir em todas as circunstâncias na defesa intimorata da doutrina cristã, que colocou em plano igual aos interesses da Nação.
Os. árabes tiveram no Infante o seu adversário mais temível. Sem ele Portugal poderia ter vacilado na sua independência, que consolidou, fortalecendo a obra de D. Afonso Henriques e contrariando os desejos absorventes de Castela. Deus deve a Portugal, pela acção do Infante, a expansão do Evangelho, pregado por milhares de missionários.
E foi ainda pela sua acção inteligente e constante, que a civilização cristã iluminou o Mundo e deu à velha Europa, mini período de grave crise, um valor comercial necessário e preciso, trazendo das terras de além-mar o ouro, as mais variadas matérias e especiarias, contribuição valiosa para a transformação do seu ambiente económico, social e político.
Bem merece ser louvado e exaltado português de tão alta estirpe, de tão notável envergadura, que claramente compreendeu a tragédia que pretendia subverter o mundo cristão.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - O seu reconhecido valor político afirmou-se eloquentemente na enérgica e cerrada oposição feita a entrega de Ceuta, em troca da libertação de D. Fernando, seu irmão bem-amado, porque em Ceuta via poderosa posição estratégica, donde seria possível tentar a reconquista da Península, planeada pelos Mouros, no meditado ataque ao velho continente.
Os seus aturados estudos alargaram-lhe os conhecimentos, que tanta utilidade mostraram na vitorioso, campanha da descoberta ide novas terras. Destes factos lhe advinha toda a autoridade e o maior prestígio para a organização das armadas que, contornando a África, atravessariam o Indico e atingiriam a índia, seu sonho distante, vendo na sua conquista a queda do império árabe e a prosperidade, em toda a sua grandeza, do mundo cristão.
O destino, na crueldade dos seus altos desígnios, não lhe permitiu ver terminada a tarefa; mas ele foi precursor, iniciador e realizador de uma empresa que marcou a época de mais esplendor na História de Portugal.
A nossa era de poderio avassalador e refulgente grandeza, motivo de admiração paira o Mundo, foi produto da sua inteligência fecunda, do seu trabalho exaustivo, do estudo persistente e ordenado, tudo sacrificando ao ideal que nos tornou o maior povo colonizador, em maravilhosa aliança com a bandeira de Cristo tremulando no alto das suas caravelas.
Soube como ninguém despertar a alma e a consciência de um povo, incutindo-lhe fé, insuflando-lhe energias, contagiando-o com o seu exemplo de audácia e vontade, escudados na firmeza do seu bem temperado carácter.
E à sombra de tão nobres atributos, qualidades e virtudes de um grande chefe, criou aquela maravilhosa plêiade de navegadores - Gonçalo Velho, João Gonçalves Zairco, Tristão Vaz, Nuno Tristão, Antão Gonçalves, Diogo Gomes e tantos outros- que em íntima comunhão com os missionários de Cristo, através de mares ignotos, descobriram, colonizaram e evangelizaram terras distantes, para honra e glória do Nação.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - «Portugal era nação desde o dia em que saiu a cruzar os mares. E desde então foi o cavaleiro ida Cristandade, oleiro da Civilização. Até então era apenas Portugal.
Daí por diante começou a ser a Europa, a ser o Mundo, a ser o herói, a ser a inteligência, a ser a força, a ser luz, a ser liberdade, progresso, glória e civilização». Assim o afirmou, e com justo motivo, Latino Coelho.
Sr. Presidente: contando com a nunca desmentida benevolência de V. Ex.ª, produto da alta dignidade posta no desempenho de tão alta, função, fui demasiado longo na minha exposição, mas insignificante, pequeno, em relação à personalidade focada, cuja vida e obra têm sido forte motivo para estudo profundo de numerosos e consagrados investigadores e historiadores.
Não eram necessárias as minhas palavras como incentivo às homenagens que ao infante D. Henrique são inteiramente devidas, e a que a anui nobre, sempre leal e invicta cidade do Porto se entregará e associará na comemoração centenária que se aproxima.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Não lhe faltarão entusiasmo, vontade e fé, bem claramente demonstrados já, quando das festas do 5.º centenário do seu nascimento, realizadas em 1894.
E mais tarde o mesmo facto se verificou, quando da inauguração do seu monumento, em 1900, a que presidiram Suas Majestades o Rei D. Carlos e a Rainha D. Maria Amélia, atingindo as manifestações festivas um grau de elevada e bem merecida grandeza.
Terão cunho verdadeiramente nacional, imposto pela alta e representativa figura do Infante, portuense nato, e marcarão na história da cidade data luminosa, assinalada ainda pela inauguração das grandes realizações-materiais que o Governo se propõe fazer e que deverão ser inauguradas em 1960.
Mas não bastará a acção do Governo, sempre empenhado na valorização de tudo quanto represente engrandecimento da Nação, prestígio da Grei.
É necessário que o País inteiro, desde o Minho a Timor, todos os portugueses espalhados pelo Mundo, unidos no mesmo pensamento de verdadeira comunhão nacional e de amor patriótico, saibam compreendeu o significado dessa data, ligada à vida de um dos maiores expoentes da latinidade.
O Porto, através da sua Câmara Municipal, que conta à frente dos seus destinos um conjunto de homens dignas da maior confiança, portuenses de alma grande e coração aberto, prontas a todos os sacrifícios em favor da sua terra, precisa congregar, num voluntário esforço, todas as suas actividades criadoras, desde as mais representativa às mais modestas, para definirem e organizarem um programa eminentemente festivo, compatível com a grandeza, e a projecção histórica ido Infante Navegador.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - A Universidade, os liceus, todas as escolas, Associação Comercial, Associação Industrial, o Ateneu, e todas, as colectividades e agremiações do mais diferenciado carácter, culturais, artísticas, desportivas ou recreativas, e muito especialmente a imprensa, que é, sem favor, da melhor do Mundo, deverão