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742 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 88

Na legislatura comente tivemos oportunidade de nos ocupar de três varões muito ilustres, que à Cidade Invicta estão profundamente ligados, quer pelo berço, quer pelo coração.

Almeida Garrett, Ramalho Ortiga o e António Barroso foram motivo forte de intervenções por nós avalizadas nesta Câmara. intervenções justificadas por tudo quanto, como homens de, reconhecido valimento intelectual, moral e espiritual, revestidos da maior nobreza e da mais alta dignidade, fizeram na sua fugidia passagem pela terra. Hoje. em modesto e despretensioso apontamento, :na sequência do caminho trazido, queremos nesta tribuna lembrar e exaltar um dos seus filhos mais ilustres, a maior português de Iodos os tempos, o infante D. Henrique, que lia perto de 500 anos penetrou nos ombrais da imortalidade, a aureolado pelo prestígio da sua alta hierarquia, fautor de glórias sem par e sem igual, obreiro de grandes cometimentos, sábio, marinheiro envangelizador. ao servido da Pátria, ao serviço da Humanidade.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - E tomar-se oportuno louvá-lo e exaltá-lo, atrevendo as comemorações de mais um centenário da sua imortalidade e enviando uma carinhosa saudação á nobre- e cavalheiresca .Espanha, pela homenagem que, dentro em breve, vai prestar-lhe :no cabo Bojador, dobrado por Gil Eanes. que marcou, no domínio do «mar [...], vitória brilhantíssima na missão atlântica em que os dois povos peninsulares despenderam lodo o seu valioso esforço.

Vozes: - Muito bem, muito bem !

O Orador: - Sr. presidente: o infante D Henrique, «espírito admirável de pensador e de aventureiro. de monge e de solidado, de sacerdote e de profeta ardente austero, frio e duro, impenetrável ás paixões, casto, abstémio e solitário». bem mereceu pêlos seus méritos e pelas suas virtudes o alto lugar que a História lhe dedicou .

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Sr. Presidente: na sessão de 20 de Janeiro passado o ilustre Deputado e meu querido amigo Sr. António Russell de Sousa, numa intervenção parlamentar feliz e oportuna, apresentou a sugestão de ser adquirida pela Nação e oferecida ao Porto a casa onde a tradição diz haver nascido o Infante, casa que seria destinada a escola náutica para a Mocidade Portuguesa e onde novos infantes, afeiçoando-se pelas coisas do mar, aprenderiam a amar a nossa terra.
Apoiamos inteira e incondicionalmente ião legítima aspiração, que se reveste do mais expressivo e patriótico significado e que a mocidade, na sinceridade e na nobreza das suas atitudes, tão bem sabe compreender e louvar.
E, porque assim é. a nossa intervenção de hoje ;não representa mais que um reforço a tu o justa proposta e um apelo à consciência da Nação, chamando-a a colaborar, com a elevação e o sentido de sempre, na homenagem centenária que Portugal prestará ao Infante Navegador, que bem mereceu da Pátria agradecida.
O infante D. Henrique nasceu na nobre e gloriosa cidade do Porto, a 4 de Março de 13Ü4, e foi baptizado na sua velha e história Sé Catedral. Falar do Infante, o portuense e português mais destacado de todos os tempos. o filho mais notável e que melhor soube honrar a cidade da Virgem, é tarefa de pesada responsabilidade.
Mas perdoe-se-me a ousadia, nascida de uma admiração, de um culto e de uma veneração bem compreendida e dedicada, a quem foi e será. através de infindas gerações, um dos mais notáveis vultos da humanidade, que, dando mundos novos no Mundo, lhe deu também, e primacialmente, a luz viva, rutilante e sublime do Evangelho.

Vozes: - Muito bem !

O Orador: - Afirmou-se eloquentemente como verdadeiro precursor e criador de um alto pensamento europeu, na defesa intransigente de uma doutrina religiosa e política, defensor da civil zação ocidental, encarnando um ideal de liberdade que subsiste, em toda a sua magnitude, no momento actual.
Gigante do mar como alguém o apelidou, D. Henrique nasceu marinheiro, e a bênção recebida à sombra da velha Sé Catedral inoculou na sua alma de crente uma fogueira de fé e de amor, por Deus e pela Pátria. D. Filipa de Lencastre foi a mãe sublime e educadora austera dessa plêiade brilhante e ousada de infantes, que à Nação deram todo o esforço da, sua inteligência na valorização de um património tão invejado e tão disputado.
Destaca-se entre eles o infante de Sagres, inigualável figura de herói, idealizador e realizador da nossa grandiosa epopeia marítima, que soube pêlos seus méritos elevar Portugal aos mais altos paramos da glória.
Foi em Sagres., sobre esse cantado promontório, onde a terra acaba e o mar começa onde cada pedra é recordação eterna e motivo evocador de um passado, orgulho da raça, que se forjaram «m toda n sua grandeza os destinos morredouros de um Portugal maior e se talharam novos destinos a humanidade.
Ali fundou e manteve o Infante essa notável [...] dos Mares, onde os problemas respeitantes à navegação foram meditados, estudados e resolvidos em ioda a profundidade.
Ali se aperfeiçoaram a bússola e o astrolábio e se alargaram os conhecimentos da geografia, da cartografia, da cosmografia, da astronomia, da matemática, indispensáveis para a travessia dos mares.
De Sagres partiu essa afirmação vibrante e [...] de energia, de vitalidade, de fé que iria nas caravelas, escudadas com Cruz de Cristo, prestar à humanidade incalculáveis serviços, no conhecimento de uma doutrina que salvaria, então como agora, a civilização cristã, civilização d«i Ocidente, ameaçada pelas hordas da barbárie asiática.
E é em Sagres que a sua figura gigantesca, sobre granito duro, como a firmeza inquebrantável do seu carácter, vai elevar-se, na grandeza de um monumento - o símbolo merecido e devido à sua obra.
E o bronze dessa estátua, no simbolismo da sua imponência e da sua majestade, guardado pelas ondas alterosas do mar tenebroso, que ele dominou; batido pelo vento, auxiliar precioso da grande 'empresa, atlântica; beijado pelo sol, que o aqueceu e o glorificou; e na escuridão da noite, iluminado ao tremular das estrelas, marcos milenários, guia das suas rotas, ficará ali como sentinela- vigilante e imortal, farol acesso à eternidade de uma pátria.
Assim pagará a Nação inteira uma dívida contraída há longos séculos para com quem soube li mirá-la, dignificá-la, engrandecê-la.

Vozes: - Muito bem, muito bem !

O Orador: - Sr. Presidente: a vida do Infante é vida de um ente iluminado pala fé divina. A conquista de Ceuta. onde obrou [...] de valentia e heroici-