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744 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 88

ser chamadas a prestar o valioso e indispensável concurso num centenário a que está ligado o período mais brilhante da História de Portugal.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Sr. -Presidente: vou terminar as minhas considerares, e julgo assim ter dado cumprimento a um imperativo de consciência, evocando a memória do Infante, tão querido e amado pela, cidade do Porto.
Torna-se necessário que todos os esforços e todas as vontades se fundam, mostrando ao Afundo que os Portugueses sabem compreender a história maravilhosa do seu passado glorioso e que no seu peito arde a clima de um patriotismo igual ao daqueles que fizeram deste cantinho da Europa nação digna do respeito do Mundo inteiro.
Sr. Presidente: hoje, como ontem, amanhã e sempre. através dos séculos, Portugal, depositário fiel de bens materiais e espirituais de reconhecido valor, manterá no concerto das nações a posição que lhe criaram os seus antepassados, defendendo o património herdado com fé, devoção e sacrifício iguais ao daqueles que bem souberam servir valorizando a Grei e valorizando a nossa civilização. E é com homens da estatura moral, mental e espiritual do Infante, grande entre os maiores, que se constroem e engrandecem as pátrias, tornando-as imorredouras mima eternidade gloriosa.

Disse.

Vozes: - Muito bem, muito bem!
O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Presidente: - Vai passar-se à

Ordem do dia

O Sr. Presidente: - Continua em discussão o aviso prévio do Sr. Deputado Almeida Garrett, sobre a protecção à família. Tem a palavra o Sr. Deputado Ricardo Durão.
O Sr. Ricardo Durão: - Sr._ Presidente.: o cónego Alves Mendes, esse gongórico de primoroso rendilhado, que deixou nos anais da oratória páginas de ouro de inconfundível relevo, disse nas exéquias do grande solitário de Vale de Lobos: "Herculano retumbava como o bronze; Garrett retinia como o cristal".
Continua a retinir no Parlamento Português a voz de Garrett, transmitindo-nos as inquietares da sua alma, pela boca de um dos seus mais lídimos representantes.
E é como se ouvíssemos ainda a sua voz cristalina e brilhante proclamando aos liberais do seu tempo esta verdade esmagadora: "a liberdade é a ordem".
Para Sidónio Pais, que o Sr. Deputado Almeida Garrett acompanhou desde a primeira hora, a liberdade era a força, a força do seu carácter, a força do seu prestígio, que morreu com ele pura ressurgir mais tarde na nossa Revolução, sob a forma que impusemos e um que insistimos: na liberdade é a moral, a moral cristã".

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - "Deus, Pátria a Família" - é o nosso lema inalterável: e foi sob o mesmo signo que o Sr. Deputado Almeida Garrett subiu a esta tribuna, para travar o bom combate.
Bem haja pela sua generosa iniciativa e pela sua edificante prelecção, a que não poderei, pobre de mim, corresponder com o mesmo brilho e a mesma proficiência. Além de que apenas mo abalanço a juntar ao seu aprofundado estudo alguns ligeiros apontamentos e despretensiosos comentários, que mais traduzam uma -reflexa do meu sentir do que um produto da minha meditação.
Ainda há poucos -dias, ao encontrar-me com um amigo meu, pessoa por sinal de elevada posição social, falei vagamente na hipótese de intervir neste aviso prévio. E ele reagiu desta maneira: "acho muito bom, e já agora aproveite a ocasião para dizer lá no Parlamento que um dos motivos da perversão moral da família é a Concordata com a Santa Sé".
O assunto é arriscado e portanto interessante, tanto mais que essa afirmação agita de facto um numeroso sector da opinião pública, cujos clamores temos sempre o direito e o dever de fazer ressoar neste hemiciclo, para os secundarmos, para os esclarecermos ou para os desmentirmos, Em qualquer caso, na convicção profunda e honesta de que assim provaremos o nosso respeito pelo artigo 22.° da Constituição.
E quer se trate dum apelo, dum esclarecimento ou dum desmentido, há-de sempre resultar das nossas palavras, se não a medida salutar, pelo menos a intenção construtiva. Pode transparecer por vezes a paixão; o que não se dispensa, em circunstância alguma, é a lealdade nos princípios e o anseio ardente de servir.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Mas reatando, Sr. Presidente, estou convencido de que a Concordata tem causado realmente prejuízos tremendos ... à igreja católica.
Um dia o P. António Vieira começou um dos seus melhores sermões por estas palavras apocalípticas: "Maldito seja o Padre, maldito seja o Filho, maldito seja o Espírito Santo ..." - e logo acrescentou: "dizem os condenados no Inferno".
Esta maldição do grande jesuíta poderia eu também aplicá-la à Concordata, porque são com efeito os condenados ao fogo eterno que a amaldiçoam.
O argumento máximo dos detractores é que a Concordata favorece o concubinato, considerado como a única possibilidade de os dois cônjuges refazerem a sua vida afectiva, uma vez desfeitos os primeiros laços.
Não há dúvida de que a educação moderna, amputada de preconceitos ancestrais, vegetando à margem dos grandes sentimentos, das transigências mútuas e dos sacrifícios voluntários que o casamento impõe, não ó de molde a integrar a mulher na prática das virtudes essenciais de esposa e de mãe. Ora a Igreja não tem culpa da dissolução dos costumes e, por mais que faça para lhe opor os diques da fé, o epicurismo e a crápula galgam todos os obstáculos. Compete de facto à Igreja, mais do que ao próprio Estado, contribuir para sanear o ambiento. Mas como, se a acusam de se imiscuir na vida particular?
Diz o Sr. Cardeal-Patriarca que é necessário levar a presença de Cristo a todos os lares. Compreende-se, pois, que o Estado lhe abra todas as portas, facilitando a sua missão salteadora, visto que a boa norma em política é tornar possível o que é necessário.
Ainda há poucos dias, nesta mesma sala, outro cónego, como Alves Mendes e como ele orador do mais fino quilate, afirmou também que a família não pode viver fora dos olhares do Deus.
Se isto é intervir na vida particular, benvinda seja a intervenção da Igreja. É a melhor forma do responder aos que pretendem arredar dos lares, das escolas e das oficinas a presença tutelar de Cristo.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador: - Nunca compreendi certos ataques sectários a igreja católica, que em geral descambam no ódio