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15 DE JANEIRO DE 1978 875

100 000 contos. Os prejuízos de natureza não imediata só serão evidentemente calculáveis a médio e longo prazos, uma vez que é ainda impossível analisar com precisão as repercussões que todas as irregularidades verificadas nos transportes aéreos virão a ter no interesse que turistas e agentes de viagem manifestem pela Região como zona turística; em qualquer caso, é fácil prever que as repercussões serão nega divas, sobretudo se se considerarem as informações já recolhidas na Madeira de operadores estrangeiros, abertos certamente a uma cooperação regular com uma companhia idónea, mas não obviamente dispostos a correr os riscos que resultam de trabalharem com uma companhia que, naturalmente, só subsiste porque é subsidiada.
Cremos ter chegado o momento de se esclarecer de uma vez para sempre este problema das relações entre a companhia monopolista e o País que por ela é aparentemente servido. Mais grave é, evidentemente, o problema para a Região «Autónoma» da Madeira, sujeita a um monopólio que em qualquer caso considera indesejável e que se torna inaceitável por estar a beneficiar despudoradamente uma empresa que, nas suas relações com o arquipélago (e creio poder alargar esta consideração aos Açores) não demonstra ter um mínimo sentido de responsabilidades que a credencie junto do público.
O caos inicia-se nos serviços de planeamento da empresa, que enviam aviões por engano ao Luxemburgo e a Los Angeles só porque confundiram os nomes Junho e Julho. Os serviços de promoção imprimem e distribuem um prospecto do Algarve com fotografias da Madeira, também por engano. O abstencionismo, nalguns sectores da companhia, atingiu já os 15% e há funcionários que se recusam a desempenhar as funções que lhes estão adstritas. Isto o que o público não vê, mas que inevitavelmente sente.
O contacto com o público é frequentemente desastroso e aqui deve mencionar-se como exemplo de má qualidade o que se passa no Aeroporto de Lisboa. Desde funcionários que frequentemente falam uns com os outros enquanto os passageiros esperam pacientemente em bichas infinitas, até aos computadores que frequentemente não têm energia, provocando paralisações na recepção de bagagens e entrega de cartões de embarque, tudo acontece nos balcões de recepção. Dos diálogos entre funcionárias ficam os passageiros a saber que o melhor local para comprar casacos de antílope é no tax-free shop de Zurique ou de Paris, e a um emigrante que recebeu um talão para pagamento de um jantar no restaurante e perguntou onde este ficava, foi-lhe dado um itinerário complicado que terminava com a informação «gentil» de que «quando lhe cheirar a comer, aí é o restaurante».
É necessário que esta Câmara caiba ter uma confirmação no bilhete não dá direito a viajar, pela simples razão de que a TAP pratica com razoável intensidade a técnica do overbooking. Por outro lado, depois de se anunciar que os aviões estão cheios, os passageiros que conseguem embarcar descobrem cheios de espanto que os aviões têm dezenas de lugares vazios. A companhia paga desnecessariamente refeições aos passageiros que esperam algumas horas, quando não estadas em hotéis aos. que imperam dias. Entretanto, os passageiros chegam atrasados aos locais de destino com prejuízos pelos quais a TAP não se responsabiliza; perdem as ligações que tinham para outras linhas quando se destinam a aeroportos para os quais a empresa não faz voos.
A má qualidade dos serviços não termina aqui. Os passageiros esperam horas sem que se lhes dê quaisquer explicações e estas, quando surgem, são frequentemente falsas. Espera-se, sem qualquer satisfação, uma hora dentro do avião para verificar que apenas se aguarda a vinda tardia do carro que transporta as eleições. Melhor seria não esperar, porque a- refeições fornecidas pela companhia são frequentemente motivo de troça e pretexto para anedota. Finalmente quando se chega ao aeroporto de destino as malas vieram noutro avião ou seguiram outro rumo; espera-se algumas horas se há sorte, alguns dias se não há. Entretanto, a TAP paga indemnizações. Nada disto parece preocupar a companhia, uma vez que o Estado, generosamente, cobre os défices através da confecção de avales que provavelmente nunca serão honrados.
Como garantir a uma região, que em termos práticos não tem outras ligações, que os transportes aéreos terão credibilidade e eficiência? Como assegurar às populações o seu acesso ao continente, aos Açores e ao estrangeiro, sem as deixar dependentes de um monopólio que. beneficia das vantagens sem querer aceitar as inerentes responsabilidades? Como, finalmente, pensar com seriedade em turismo, fonte de trabalho de milhares de pessoas, com uma empresa que dá permanentemente no estrangeiro uma imagem sempre negativa da sua capacidade?
Tudo isto se passa com uma empresa que tem excesso de pessoal e que, por essa mesma circunstância deveria funcionar melhor que as outras. Mas que, paradoxalmente, funciona pior. Uma companhia onde, apesar desse excesso de pessoal, se verifica um fenómeno designado pelo jornal dos trabalhadores, como «a caça às horas extraordinárias». A negligência é só de uma minoria de trabalhadores, mas no conceito nacional afecta infelizmente todos.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Num estudo feito para a British Airways pela empresa especializada americana Taassig Associates diz-se, a propósito dos erros comerciais daquela companhia inglesa, que «há indicações de que o aumento de receitas tem sido considerado como solução para todos os problemas e que a atenção dada aos custos tem sido um pouco casual». A TAP repete os mesmos erros e há indicações, de novo preocupantes para a Madeira, de que a empresa pianola elevar as tarifas entre o continente e as ilhas, abulando da sua situação exclusivista e tentando, talvez à custa das regiões autónomas, equilibrar o seu orçamento.
É necessário que aqui se diga claramente que, enquanto não forem reestruturados todos os serviços da empresa e esta adquira um nível de responsabilização que a torne aceitável aos olhos dos Madeirenses, tal aumento de tardas não poderá acontecer.