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1046 I SÉRIE - NÚMERO 30

comunidade real que continua viva, presente e actuante, embora descontraída e triste.
No Nordeste temos ouvido falar, com maior ou menor insistência e equilíbrio, e até o Sr. Primeiro-Ministro Dr. Mário Soares, quando da sua última visita, há meses, ali anunciou medidas vultosas do seu ansiado desenvolvimento que até agora não viram qualquer concretização. O que necessita a região todos o sabemos, mas o que vemos feito, até ao momento, cabe bem nas cinzas de um cigarro. Perdoem-nos a imagem, mas desesperamos de tanta fantasia.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - O Governo pretende levar a efeito medidas urgentes no sector mineiro e agrícola, mas tudo continua como dantes. Moncorvo olha o seu imenso jazigo e o Cachão continua a ser pano de fundo de operações raiadas de maior ou menor cariz político sem que a lavoura colha qualquer benesse.
A estafada dinamização regional e o engrandecimento da pobre parcela metropolitana processa-se em puro «seguidismo» do «antigamente», onde sempre a maioria dos empreendimentos surgia, como por encanto, na lista das vultosas obras devidamente projectadas e prometidas nas campanhas eleitorais.
Por que não se levam ,por diante já as tais medidas justas e equilibradas com visita _ao desenvolvimento regional?
Que é feito da Escola Normal Superior de Bragança e da secção do Instituto Superior de Agronomia de Carvalhais-Mirandela, onde estão despendidas dezenas de milhares de contos, como já mais de uma vez aqui foi referido e o Governo nas «suas viagens ao Norte» pôde verificar?
Onde estão as obras necessárias nas estradas da região, que continuam a aguardar o deferimento de pedidos formulados em requerimentos já há anos elaborados?
Quando será melhorada a estrada do Rebordelo (Vinhais) a Vila Nova das Patas (Mirandela), do maior interesse regional, praticamente intransitável da ponte de Formigosa a Vale de Salgueiro?
Onde estão as obras de saneamentos es de águas também já várias vezes prometidas?
Onde pára o projecto da barragem de Rebordelo (hidroagrícola), que armazenaria mil milhões de metros cúbicos de água dos rios Tuela e Rabaçal, obra que, para além da energia produzida, irrigaria e daria, de beber aos concelhos de Vinhais, Macedo de Cavaleiros, Mirandela, Murça e Valpaços?
Quando se pensa a sério no futuro dos retornados que das ex-províncias ultramarinas vieram para a região (que também é a deles!) e aqui estão a aguardar que o Governo lhes resolva os seus problemas, esperando que sejam criados .novos postos de trabalho, como o desenvolvimento da agricultura, a revitalização do comércio e a criação de indústrias?
Que se fez já de concreto no campo da medicina por forma a atender as necessidades do povo?
No campo da assistência à terceira idade, e sobretudo àqueles que gastaram os anos da sua vida no trabalho dos campos, o que de real se fez?
As nossas aldeias e vilas, tristes e inconformadas, estão pior que no tempo do rei!
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Uma mágoa duvidosa e persistente nos continua a envolver ao pensarmos que uns não têm o pão suficiente para matarem a fome dos seus filhos, não dispõem de capaz assistência médico-sanitária e continuam de enxada na mão, revolvendo a terra que a todos tem de manter, quando as suas capacidades exigem instrução e cultura, desenvolvimento e progresso. Outros, ditos progressistas, mas que não trabalham, sugam o resto de uma desgastada economia, vegetando à sombra do esforço da honrada gente do Nordeste, dos verdadeiros e esquecidos trabalhadores.

O Sr. Bento Gonçalves (PSD): - Muito bem!

O Orador: - Não é um enigma a solução da vida nordestina. Impõe-se o reestruturar da região e a aplicação do remédio eficaz, pois com o máximo de boa vontade governamental tudo terá solução e todos terão assegurado um máximo de bem-estar económico a que têm direito.
A indiferença ou o esquecimento só poderão trazer lutas estéreis, fomes constantes e profundas, dividindo os homens entre si, gerando descontentamento e mirrando os corações do bom povo deste Nordeste Transmontano. A nossa maior alegria seria vermos transformada esta ensombrada paisagem num panorama encantador, sublime e grandioso, em que deixasse de haver incerteza do pão e assistência para todos nós.
Exigimos do Governo que nos traga a soma do bem estar material e espiritual a que temos direito, rumo a um digno padrão de vida que não nos envergonhe.
Sobre o presente e o futuro assiste-nos, contudo, o direito, e mesmo o dever, de reclamarmos e exigirmos, tenaz e pacientemente a concretização dos nossos anseios, a reparação de males e injustiças de que temos sido vítimas.
Para sobrevivermos, não podemos continuar a ver destruído aquilo que de positivo ainda dispúnhamos: a força, unidade e vivência fraterna de um povo rude e honesto que nunca virou a cara ao trabalho e à luta insana do dia-a-dia.
Não aceitaremos a destruição daquilo que de válido possuímos, e havemos de, com harmonia e bom senso, ampliar as .perspectivas de progresso, diante das dificuldades e riscos que corremos, para uma vida mais digna.
As ideias justas farão a revolução da paz. Pretendemos a revolução da verdade!
Não podemos, pois, aceitar continuarmos a sei desprezados num sistema que, dito socialista, nos vem marginalizando, como se o Nordeste não fosse a região dos verdadeiros trabalhadores.

Aplausos do PSD e do Sr. Deputado do CDS Alexandre Reigoto.

O Sr. Presidente: - Informo os Srs. Deputados de que vai ser enviado para a Mesa, pelo PCP, um podido de prorrogação do período de antes da ordem do dia, pedido que está desde já deferido.
Tem a palavra a Sr.ª Deputada Alda Nogueira, também para uma intervenção.

A Sr.ª Alda Nogueira (PCP): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: A questão que hoje desejamos aqui colocar prende-se com uma decisão anunciada em Outubro passado pela Coordenação Geral do Ensino