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19 DE JANEIRO DE 1978 1041

permitia aos fascistas destruir de uma só vez o trabalho e a luta de vários anos; significava a liquidação das liberdades sindicais tão duramente conquistadas. Ocorrido quatro escassos meses após a publicação do decreto fascista, o 18 de Janeiro é assim e antes de tudo uma jornada de luta pela liberdade sindical, um protesto contra a legislação que a procurava destruir.
Ainda hoje, como logo aconteceu na altura, o 18 de Janeiro merece reparos críticos. Do movimento de protesto que deveria ter sido, transformou-se, especialmente na Marulha Grande, em greve insurreccional, para a qual não tinham sido criadas as menores condições. O aventureirismo anarquista e a irresponsabilidade tiveram uma nociva influência nos trabalhadores vidreiros. E assim, o 18 de Janeiro embora permanecendo como uma grande acção de resistência antifascista, veio a saldar-se por uma séria derrota não só paira os trabalhadores vidreiros como para os trabalhadores de todo o País.
Mas esta análise crítica não faz esquecer nem desvalorizar centos aspectos que calam fundo no coração dos operários portugueses e particularmente nos marinhenses. Desde logo, ninguém pode pôr em dúvida a valentia e o elevado espírito de classe do proletariado vidreiro.
Ninguém porá em dúvida, por outro lado, a legitimidade que lhes cabia de defenderem os seus direitos e liberdades, de se defenderem da exploração e da opressão.
Não foi assim em vão o sacrifício das vítimas da brutal violência fascista que se abateu sobre muitos trabalhadores. Não foram em vão as centenas de presos e torturados, as dezenas de deportados para Angra do Heroísmo e Tarrafal e as vidas que aqui tombaram.
Na verdade, o 18 de Janeiro veio a ter uma influência muito positiva entre os trabalhadores, que apontaram como exemplo a valentia dos operários vidreiros, ao mesmo tempo que consideravam atentamente a experiência e os ensinamentos colhidos na sua valorosa acção.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Das experiências e ensinamentos colhidos no 18 de Janeiro, ainda hoje importa salientar alguns aspectos.
Desde logo, a história vem demonstrar, por um lado, que a tirania e a opressão, por mais fortes que possam ser, acatarão sempre por ser derrubadas; e, por outro lado, que o proletariado pode ser temporariamente derrotado, mas jamais totalmente vencido.

Vozes do PCP: - Muito bem!

O Orador: - O proletariado da Maninha Grande, reconquistadas as, liberdades, vive hoje um momento de profunda unidade e encontra-se mais forte do que nunca.
Mas o 18 de Janeiro vem demonstrar também que para o proletariado conduzir com êxito a luta pela sua própria libertação, precisa de reforçar decisivamente a sua unidade, não apenas à escala de uma localidade ou zona, mais ou menos circunscrita, mas à escala do País. E isto faltou no 18 de Janeiro.
Sr. Presidente, Srs. Deputados; Para os trabalhadores portugueses, para a classe operária, após o 25 de Abril, as liberdades, incluindo a liberdade sindica], são um bem precioso, duramente conquistado numa luta de dezenas e dezenas de anos, de que o 18 de Janeiro é um marco importante.
As massas trabalhadoras, temperadas nessa luta, conscientes da sua força e unidade, esclarecidas pelas experiências e ensinamentos colhidos, ao longo dos anos, não deixarão de dar uma resposta firme aos perigos e ameaças que sobre essas liberdades possam pender.
Aos que, pondo uma falsa alternativa, afirmam que entre o pão e a liberdade os trabalhadores escolherão o pão, aos que escutam essas palavras, os trabalhadores não poderão dar outra resposta que não seja a da defesa firme não só do pão como das liberdades ...

Aplausos do PCP.

..., pois a história bem demonstrou que atrás do esmagamento das liberdades vem, sim, a fome a miséria e a mais brutal exploração.
Não são seguramente os trabalhadores nem o PCP que defenderão ou porão em prática uma política de agravamento das condições de vida ou uma política que conduza ao cerceamento das liberdades.
Não são eles que colhem os benefícios da deterioração da situação económica, financeira, social e política. É-lhes estranha a tese do «quanto pior melhor».
Bem ao contrário, é neles que se encontrarão os melhores, defensores da democracia e do progresso social.
Se os partidos da direita e a reacção pretendem atacar não apenas as liberdades, mas atingir gravemente o poder de compra dos trabalhadores; se pretendem resolver a crise económica à custa de uma maior exploração; se se pretende pôr em causa a democracia e. o caminho para o socialismo através do agravamento da crise económica; se se imagina poder conduzir os trabalhadores ao desespero através de uma maior exploração e da limitação das liberdades então há que afirmar claramente que os trabalhadores, confiantes da sua força e unidade, constantemente reforçada com vitórias sucessivas no movimento sindica] e trabalhador, responderão e demonstrarão com toda a firmeza, em estreita unidade com todos os patriotas e democratas, com todas as classes e camadas sociais, que não pouparão esforços para defender as liberdades, a democracia e as conquistas da Revolução de Abril, que a Constituição da República consagra.

Aplausos do PCP.

O Sr. Presidente: - Srs. Deputados, se eu pudesse bater palmas, também o teria feito com certeza. Contudo, a presidência não é compatível com palmas. A razão é muito simples: vivi durante trinta e dois anos, uma vida, ao lado da Marinha Grande, no distrito de Leira, e convivi íntima e fraternalmente com os democratas da Marinha Grande, passei as minhas férias n praia comum, que era a praia de S. Pedro de Muel, foram meus companheiros nas lutas reivindicativas da democracia portuguesa, no caso particular do MUD, depois na campanha de