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11 DE FEVEREIRO DE 1981 949

o movimento antinuclear por toda a parte sofre, forçoso será reconhece-lo, um rude golpe perante a opinião pública mundial.
O sequestro, seguido do brutal assassínio do engenheiro José Maria Ryan, pela organização terrorista ETA e um acto cobarde e hipócrita, perpetrado por um bando de assassinos indignos de com este acto poderem continuar a arvorar-se em defensores de qualquer causa política, seja ela qual for.

Vozes do PSD: — Muito bem!

O Orador: — O referido crime serve claramente os interesses que estão por detrás de todo o projecto nuclear espanhol, projecto esse que, como e do conhe cimento geral, tem potencialmente graves implicações para Portugal e que o meu partido, incessantemente. tem denunciado ao longo dos anos.
Não pensamos, porem, que este seja o momento adequado para falarmos sobre o problema da energia nuclear em Portugal e na Península Ibérica em geral Esta questão será debatida na devida oportunidade.
Neste momento, o nosso único pensamento é de repulsa por tão ignóbil acto
Por mais voltas que se dê ao tema, o terrorismo não compensa, não se autojustifica, não tem cor política, nem ideais. E simplesmente terrorismo.
À família do engenheiro José Maria Ryan e a de todas as vitimas do terrorismo em Espanha, o PPM apresenta as mais sinceras condolências, repudiando e denunciando veementemente, perante a opinião publica, mais este assassinato, que nada, absolutamente nada, tem a ver com o combate antinuclear que diariamente travamos, em nome das finanças do País, da solução cabal da crise energética, da segurança dos Portugueses, enfim, em nome de Portugal.
Nesse sentido e aproveitando o espaço desta declaração política do PPM, passo a ler o voto de protesto que o Grupo Parlamentar do meu partido hoje apresenta nesta Assembleia.
Na semana transacta foi a opinião pública mundial despertada pelo insólito acontecimento de um técnico de energia nuclear de uma central espanhola em construção ter sido raptado pela organização terrorista ETA, exigindo os seus raptores para que fosse poupada a vida ao referido técnico, que se procedesse de imediato ao desmantelamento dessa central.
A empresa concessionária espanhola Iberduero, bem como as autoridades locais, foram ao ponto de se comprometer a propor e aceitar o resultado de um referendo local em todo o país basco sobre a continuação ou não da construção da referida central nuclear caso o sequestro do referido técnico terminasse.
O engenheiro José Maria Ryan, foi porém, encontrado assassinado no passado dia 7 de Fevereiro tendo a ETA reivindicado mais este acto.
Neste sentido, o Grupo Parlamentar do PPM apresenta a Assembleia da República, o seguinte

Voto de protesto

No momento em que mais um crime nefando foi perpetrado no passado dia 7 de Fevereiro pela organização terrorista ETA, a Assembleia
da Republica manifesta o seu mais veemente repudio pelo assassínio do engenheiro José Maria Ryan, técnico da central nuclear espanhola de Lemoniz, no país basco
Aplausos do PPM, do MDP/CDE, de alguns depu-tados do PSD, do PS e do CDS e do Sr. Deputado Jorge Lemos (PCP).

O Sr. Presidente: — Para uma intervenção, tem a palavra o Sr Deputado Oliveira Baptista.

O Sr. Oliveira Baptista (PSD): - Sr. Presidente. Srs. Deputados. Venho aqui hoje falar nesta Câmara de uma região do interior-centro do País — concelhos de Ferreira do Zêzere e Vila de Rei —, que se encontra em claro atraso sob muitos aspectos, nomeadamente o económico, não só em relação ao geral do País como também a algumas regiões com ela contíguas
Esse atraso tem origem em grande parte nas defi-cientíssimas vias de comunicação actualmente à disposição dos dois referidos concelhos, o que torna difícil o avanço das suas economias.
Ferreira do Zêzere e Vila de Rei, concelhos vizinhos de sempre — com larga tradição de intercomunicação —, deixaram de o ser há já alguns anos. Com efeito, aconteceu que com a criação da albufeira do Castelo de Bode os rápidos 15 km que antes separavam as duas sedes de concelho transformaram-se, devido à não existência agora de uma ponte no local, em cerca de setenta e cinco longos e duros quilómetros. 75 km a percorrer pelo Norte (concelho da Sertã), por estradas sinuosas, íngremes, precárias, em região montanhosa; estradas antieconómicas por lentas, gulosas de combustível, desgastantes de material, de difícil manutenção e provocadoras de acidentes. Uma simples ponte no sítio da Pombeira, estreito da albufeira entre os dois concelhos, reporia as distâncias e os equilíbrios dando à região novas, nítidas e concretas perspectivas de um rápido desenvolvimento das suas economias, mercê muito simplesmente de uma notável melhoria nas vias de comunicação.
Concretizo, exemplificando: Vila do Rei, cujo concelho e 70 % de floresta, vende hoje a sua madeira às serrações vizinhas (que se situam, sobretudo, em Ferreira do Zêzere e Alvaiázere) por menos 30 % do preço alcançado, por exemplo, pelas madeiras do concelho de Ferreira do Zêzere (em que também cerca de 50 % é floresta), devido ao referido problema de transportes. As camionetas, em vez de dois transportes/dia, que fazem hoje, com a sugerida ponte podiam fazer cinco ou seis transportes/dia. A cerâmica — cujas unidades de produção se encontram na região sobretudo em Ferreira do Zêzere e Tomar — chega a Vila de Rei naturalmente muito encarecida, logo dificultando o desenvolvimento da construção civil neste concelho. Por sua vez, também a cerâmica de Ferreira do Zêzere para alcançar a região de Afaran-tes é obrigada — nas circunstâncias — a um longo percurso por Tomar, o que muito naturalmente também se vai reflectir nas perspectivas de expansão e desenvolvimento desta indústria no concelho de Ferreira do Zêzere, o mesmo acontecendo com as serrações do mesmo concelho que «exportam» os seus produtos, para, por exemplo, a zona de Vila Velha de Ródão, tendo assim de percorrer cerca de 90 km