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950 I SÉRIE — NUMERO 28

quando com a sugerida ponte — a «Desejada» — passariam a percorrer cerca de metade desta distância, aumentando, assim, a sua competitividade e logo também o seu desenvolvimento no concelho.
Por outro lado, também as regiões de Tomar, Ferreira do Zêzere, Vila Nova de Ourem, Alvaiázere e Fátima ficariam muito mais perto da futura estrada internacional Santarém-Abrantes-Castelo Branco-Se-gura-Cáceres, com todas as vantagens inerentes para as populações daquelas regiões turísticas, industriais, comerciais, etc.
Também e ainda os transportes das resinas dos pinhais dos concelhos da Sertã, Vila de Rei, e mesmo Proença-a-Nova (zonas eminentemente florestais), para as fábricas que se encontram na região de Pombal e que se fazem hoje pelo Norte ganhariam, não aqui já tanto pela diferença de quilometragem, mas sobretudo pela qualidade da via a percorrer. Por fim. refiro que Vila de Rei, Sertã, Proença-a-Nova e Oleiros não têm pedra para construção e estradas, pelo que vão buscá-la longe e cara; acontece que, fruto do dinamismo da Câmara de Ferreira do Zêzere, este concelho vai investir algumas dezenas de milhares de contos numa britadeira aproveitando assim, industrialmente, a excelente pedra existente num baldio do concelho, com cerca de 200 ha. Com a existência da pente Pombeira-Alcamim melhorar-se-iam excelentemente as condições económicas em que a pedra vai chegar aos referidos concelhos. Chama-se a isto valorizar uma região pela criação e distribuição de riqueza.
Como me dizia o Sr. Presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere, assim, sem a construção da ponte Pombeira-Alcamim, tanto nós aqui como Vila de Rei continuaremos a ser sempre «as pontas sem saída», em que a albufeira nos transformou. Albufeira que, aliás, é lindíssima — e que cada vez mais será o ex-líbris da região. Que mais tarde ou mais cedo, inevitavelmente, seira aproveitada turisticamente — ver o que já aconteceu nos diferentes países europeus; um aproveitamento que poderá ser soberbo — será mesmo difícil que não o seja.
Pois também aqui esse aproveitamento turístico da Albufeira irá exigir a nova ponte, pois que é impossível fazê-lo com as duas margens divorciadas numa distância de mais de 30 km, desde a barragem a Vale da Ursa.
É demagógico falar em maior justiça social para os Portugueses sem iniciar a homogeneização de possibilidades de crescimento económico das diferentes regiões; no caso concreto, sem olhar primeiro às vias de comunicação nada mesmo se poderá iniciar.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: A ponte que ligaria Pombeira (distrito de Santarém), conselho de Ferreira do Zêzere, a Alcamim (distrito de Castelo Branco), concelho de Vila de Rei, teria os acessos de um e de outro lado, feitos a expensas das respectivas Câmaras Municipais, que para isso se oferecem. O seu tabuleiro não ultrapassaria os 220 m e o seu custo não andaria longe dos 200000 contos. O estudo económico da viabilidade desta obra foi iniciado o Verão passado pelo Governo de Sá Carneiro — sempre atento ao desenvolvimento do interior do País. Sabendo o actual Governo, tão sensível como o anterior a esta necessidade da região, as populações confiam mas não querem deixar de recomendar celeridade ao actual Executivo. Necessidade da região, dizia eu, que constituí condição necessária e para mim — que acredito em economia de mercado — em muito suficiente para o seu natural desenvolvimento, pela simples ampliação da dimensão do mercado e redução dos custos de escoamento que imediatamente se reflectem num melhor aproveitamento dos recursos locais, implementando a diversificação das actividades e constituindo assim factores de alteração às estruturas existentes.
Assim, directa ou indirectamente, em maior ou menor escala, seriam beneficiados com esta obra muitos outros concelhos do centro-interior do País para além de Ferreira do Zêzere e Vila de Rei, nomeadamente Alvaiázere, Vila Nova de Ourem, Tomar, Proença-a-Nova, Mação, Sardoal, Vila Velha de Ródão, Ancião e Oleiros.

Aplausos do PSD e do PPM.

O Sr. Presidente; — Tem a palavra o Sr. Deputado João Lima também para uma intervenção.

O Sr. Carlos Lage (PS): — Peço a palavra, Sr. Presidente.

O Sr. Presidente: - Faça favor. Sr. Deputado.

O Sr. Carlos Lage (PS): — Sr. Presidente, creio que o Sr. Deputado João Lima não pediu a palavra para uma intervenção, mas para se pronunciar acerca do voto de protesto que o PPM apresentou há pouco.
Se me permite, Sr. Presidente, sugeria à Mesa uma metodologia dos trabalhos que nos permitisse discutir e votar todos os votos que já se encontram na Mesa e que são em número elevado. Pelos meus cálculos, estão neste momento na Mesa oito votos de protesto, de pesar e de saudação.
Ê um pouco desagradável que estes votos passem de sessão para sessão, porque as declarações políticas se prolongam e abarcam todo o período de antes da ordem do dia. Sendo assim, sugeria ao Sr. Presidente que passássemos imediatamente à discussão e votação dos votos que se encontram na Mesa para que, com bom ritmo — sem, evidentemente, evitar a dis-cussão dos mesmos —, ainda hoje, no período de antes da ordem do dia, os possamos votar.
Lembro ainda ao Sr. Presidente que nós entrega-mos há momentos na Mesa um voto sobre a tragédia que se verificou ao largo da costa de Vila do Conde, tendo falecido dez pescadores. É, pois, conveniente que a Assembleia da República não fique insensível a acontecimentos deste teor e emita, imediatamente uma posição.
Por tudo isto, sugeria ao Sr. Presidente que em vez de declarações, no período de antes da ordem do dia, sobre interesses, regionais ou locais passássemos imediatamente a discussão dos votos que se encontram na Mesa.

O Sr. Presidente: — A Mesa partilha da preocupação de V. Ex.ª, porque estão na Mesa, neste momento, dez votos e trinta inscrições para intervenções.
Como o Sr. Deputado sabe, o artigo 81.º do Regimento, que inúmera os fins a que se destina o período de antes da ordem do dia, refere em último lugar