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21 DE OUTUBRO DE 1981 77

ou não. Defina a sua área e dir-lhe-ei francamente se estou ou não na sua. Presumo que não, tendo em conta o seu ponto de partida.
Por outro lado, o Sr. Deputado diz que eu fui de esquerda. Eu sou de esquerda, Sr. Deputado, quer no imediato, quer no entendimento mais profundo.

Risos do PS e do PCP.

O meu partido é de centro-esquerda, no plano imediato eu estou integrado nele e, no plano mais profundo - ainda mais porque só é de esquerda o que muda e somos nós a mudança -, no sentido da democracia e da consolidação do Estado democrático no nosso pais.

Aplausos do PSD. do CDS e do PPM. Risos do PCP.

O Sr. José Luís Nunes (PS): - Dá-me licença, Sr. Presidente?

O Sr. Presidente: - Para que efeito, Sr. Deputado?

O Sr. José Luís Nunes (PS): - Sr. Presidente, desejava pedir a palavra para fazer um breve comentário ao discurso do Sr. Deputado César de Oliveira.

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado, sabe que regimentalmente isso não é viável.

O Sr. José Luís Nunes (PS): - Eu sei, Sr. Presidente. Mas como até ao momento todas as pessoas utilizaram as mais diversas figuras regimentais para pronunciar toda a espécie de declarações que não cabiam em tais figuras, atrevia-me a pedir a palavra para fazer um comentário ou uma pergunta em relação ao discurso do Sr. Deputado César de Oliveira.

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado, o Sr. -Deputado César de Oliveira irá responder agora o protesto do Sr. Deputado Silva Marques e, entretanto, a Mesa considerará o seu pedido de palavra.

O Sr. César de Oliveira (UEDS): -Sr. Presidente, Srs. Deputados: Com a concisão, franqueza e lealdade que me caracteriza - e não ma negará -, devo dizer-lhe que a minha área é a área da esquerda socialista democrática. Sempre foi e continuará a ser essa a minha área, embora reconheça alguns erros que porventura tenha cometido. Seria bom que outros reconhecessem os erros que cometeram, mas nem sempre verifico isso.
Devo dizer-lhe também que não ouviu -e espero que quando ler rectifique - a precisão das minhas palavras. Não advoguei, antes pelo contrário, pronunciei-me claramente contra alguém que fora do quadro partidário tente dar um rumo às contradições da sociedade portuguesa para regimes populistas ou messiânicos. Denunciei isso e manifestamo-nos contra. O que disse foi que a actual inexistência de uma alternativa é mais pela inexistência de uma afirmação do que pela inexistência da própria alternativa.

O Sr. Silva Marques (PSD): - Mas a conclusão contraria a premissa!

O Orador: - Quero dizer-lhe claramente que se houver messianismo, se houver populismo, as responsabilidades são, sobretudo, de quem se recusa a formular expressamente uma alternativa. Foi isso que aconteceu nos anos vinte neste país, é isso que pode acontecer hoje em Portugal.
Foi este o sentido da minha intervenção, e não é legítimo, não é honesto, o Sr. Deputado extrapolar das minhas próprias afirmações. Esse é, aliás, o método que conheci, por ler - e o Sr. Deputado certamente conheceu-o melhor do que eu, por o ter vivido e praticado- nos anos trinta e noutros areópagos que não este.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Santana Lopes. Dispõe de 2 minutos.

O Sr. Santana Lopes (PSD): - Sr. Presidente, há pouco tinha prescindido do uso da palavra, mas não posso deixar de o fazer agora, em virtude do conteúdo da declaração política e das intervenções posteriores do Sr. Deputado César de Oliveira.
Lamento que o Sr. Deputado César de Oliveira acuse somente os sectores democráticos da vida portuguesa do perigo do messianismo que espreita nesta mesma vida política. É aquilo que se pode chamar fugir com o rabo à seringa, Sr. Deputado!
Julgo que quem se deve atacar principalmente, para além dos democratas terem de reflectir nas suas virtudes e nos seus defeitos, são aqueles que têm veleidades de ascender a messias. E esses são facilmente identificáveis na vida política portuguesa.
Sr. Deputado, o meu protesto vai contra a sua afirmação de que houve candidatos à Presidência da República, que não o actual Presidente da República, que se perfilaram como messias. Nunca ouvi esses candidatos criticarem a actual classe política, falarem contra o espírito da fidelidade partidária, dizerem que se fossem presidentes se candidatavam outra vez em 1990, falarem contra os partidos e prometerem aquilo que não devem, esquecendo-se das responsabilidades do cargo que ocupam. Esses é que devem constituir motivo da nossa preocupação.
Disse o Sr. Deputado que nenhum messias se apresenta como tal se não for destituído de inteligência. Ora, então alguns órgãos de soberania deveriam fazer mais apelos à inteligência, porque se estão a prefigurar como autênticos messias. Para eles é que o Sr. Deputado devia dirigir-se.

O Sr. Deputado diz estar na área. Oxalá não faça penalty, Sr. Deputado!

Aplausos do PSD, do CDS e do PPM.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra, para responder, o Sr. Deputado César de oliveira, dispondo de 2 minutos para o efeito.

O Sr. César de Oliveira (UEDS): - Sr. Deputado Santana Lopes, tenho a sensação de que marquei mesmo um penalty. E esta sensação deriva da seguinte constatação: a AD queria que me associasse a ela em mais uma cortina de fumo. Recusei a cortina de fumo, pus a bola no terreno em que devia ser posta, e por isso VV. Ex.ª se abespinharam.

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado José Luís Nunes, devo dizer-lhe que regimentalmente me é difícil dar-