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26 DE FEVEREIRO DE 1982 2303

já que ele é, de facto, uma ofensa a qualquer criança e, também, aos pais e avós das crianças, como é o meu caso.

Aplausos do MDP/CDE e do PCP.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado César Oliveira.

O Sr. César Oliveira (UEDS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: O Sr. Deputado Sousa Marques fez uma intervenção em que focou o caso do Telejornal, do Jornal da Economia e, particularmente, o caso cio programa Topo Gigio.
Houve aqui uma polémica, tendo o Sr. Deputado Carlos Robalo tecido algumas considerações, a propósito da intervenção do Sr. Deputado Sousa Marques, sobre várias coisas - e em que vaio à colação a Polónia -, que se situam, na economia do debate, entre o CDS e o PCP.
Julgava, no entanto, que o Sr. Deputado Carlos Robalo ia dar alguma opinião sobre o caso do Jornal da Economia, do Topo Gigio e de outros programas em curso na televisão.

O Sr. Carlos Robalo (CDS): - Dá-me licença que o interrompa, Sr. Deputado?

O Orador: - Faz favor, Sr. Deputado.

O Sr. Carlos Robalo (CDS): - Sr. Deputado, o problema de o senhor julgar é um problema seu.

O Orador: - Pois é!

O Sr. Carlos Robalo (CDS): - Quero dizer-lhe que quando entender oportuno pronunciar-se sobre o problema do Jornal da Economia ou do Topo Gigio não lhe vou pedir opinião.
Quero também dizer-lhe, se quer saber a minha opinião, com a afirmação feita no Jornal da Economia e aqui referida pelo Sr. Deputado Luís Nunes de Almeida. Daí o não ter dito nada, a não ser o ter feito um apoio de cabeça ao Sr. Deputado Luís Nunes de Almeida.
Quanto ao problema de julgar, é um problema seu, Sr. Deputado. Não ando comandado pelos seus cordéis. Não tenha dúvidas a esse respeito.

O Orador: - Sr. Deputado, longe de mim a ideia de ;pretender comandar V. Ex.ª, seja em que for. Longe de mim essa ideal

O Sr. Carlos Robalo (CDS): - E se tentar não consegue!

O Orador: - Todavia, como tenho assistido a algumas sinceridade de V. Ex.ª, as quais, aliás, se têm produzido sempre com o meu aplauso, estava à espera, quando fez a sua intervenção, que o Sr. Deputado Carlos Robalo viesse, outra vez, com mais uma sua sinceridade, dar-nos a sua opinião e da bancada do CDS sobre o Tolo Gigio, o Jornal da Economia, etc.
Folgo muito que V. Ex.ª tenha ficado ofendido com a passagem do Jornal da Economia, que o Sr. Deputado Luís Nunes de Almeida referiu.
Estava para pedir esclarecimentos sobre a intervenção do Sr. Deputado Sousa Marques. Como, entretanto, V. Ex.ª falou daquela forma acabei, ao fim e ao cabo, por me referir a um outro objecto, que não o inicial. Seja como for, gostaria muito de saber, finalmente, qual é a opinião do CDS sobre o Topo Gigio, qual é a opinião do CDS sobre ...

O Sr. Presidente: - Dá-me licença que o interrompa, Sr. Deputado César de Oliveira?

O Orador: - Faz favor, Sr. Presidente.

O Sr. Presidente: - O Sr. Deputado César de Oliveira pediu a palavra para pedir esclarecimentos ao Sr. Deputado Sousa Marques ou para pedir esclarecimentos ao Sr. Deputado Carlos Robalo?
É que, confesso, não sei muito bem como hei-de encaminhar as coisas.

O Orador: - Sr. Presidente, tem toda a razão.
Aliás, já nesta minha curta intervenção me referi ao facto de, primeiramente, pensar interpelar o Sr. Deputado Sousa Marques. Acontece é que, depois, o Sr. Deputado Carlos Robalo veio com aquela intervenção a propósito da unicidade de várias coisas - que não era o que estava em debate -, tendo eu sido, então, extremamente atraído a questionar o CDS e o Sr. Deputado Carlos Robalo nesta matéria.
Calo-me já Sr. Presidente, obedecendo à sua observação.

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado, o problema reside em que o facto teria, agora, que dar a palavra ao Sr. Deputado Sousa Marques, para ele responder, se assim o desejar, às várias questões que lhe foram colocadas pelos Srs. Deputados Luís Nunes de Almeida, Helena Cidade Moura e César Oliveira.
Tem a palavra o Sr. Deputado Sousa Marques.

O Sr. Sousa Marques (PCP): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Respondo muito brevemente, porque naturalmente, e como pensava, as intervenções destes Srs. Deputados vêm confirmar a nossa opinião e a nossa intervenção acerca desta matéria e vêm enriquecer o debate parlamentar em torno desta questão que nos pareceu valer a rena trazer aqui.
Referi-o expressamente na minha intervenção, não apenas na qualidade de deputado de um partido, tuas despindo-me até dessa qualidade e encarando o programa segundo a óptica de pai, de educador e de cidadão que, quotidianamente e sempre que possível, olha para o pequeno écran instalado nas nossas casas, e que tem uma apreciação crítica em relação ao que nos entra pela casa dentro, quantas vezes sem nos pedir licença. Foi esse aspecto, também, que referi na minha intervenção.
Naturalmente que uma intervenção que abordasse aqui, por exemplo, um programa que se chama Jornal da Economia - não se devia chamar Jornal da Economia, mas antes sim outra coisa -, programa que aliás foi encomendado pela televisão a uma empresa privada que tem os seus lucros com tal iniciativa, merecia, também, uma reflexão muito atenta, muito séria.