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2300 I SÉRIE - NÚMERO 37

nhou e ganha com o negócio? Quer o Governo, através da Secretaria de Estado da Comunicação Social e da RTP - e relativamente ao programa do Sr. Guedes, ter em conta as opiniões e pareceres de educadores ou psicólogos, artistas ou pedagogos de reconhecido mérito? Que medidas pensam tomar, quer o Governo, quer a administração da RTP, perante o escândalo crescente de manter semanalmente o espectáculo degradante de tal senhor?
O Topo Gigio original parece valer a pena, repito.
Mas o Topo Gigio do Sr. Guedes começou por ser o anúncio larga e repetidamente transmitido das muito ambíguas relações de um rato simpático e de um falso artista ou, se proferem, entre um artista falso e o rato que ele próprio deforma. Para, mais tarde, aparecer na sua verdadeira dimensão de mediocridade em horário para adultos e, depois, para lá de todas as ambiguidades acrescidas, não ser aconselhável para crianças ... nem adultos ... E, agora, permanecer, pelas mãos do seu empresário português sem escrúpulos (mas com anéis), como mais um perigoso caso de pornografia televisiva, mais um atentado cívico da TV proencista.
Onde o tal Guedes usa e abusa de uma criança, ignorando a violência da sua atitude, as consequências das suas leviandades e dos seus desvarios, e, inclusivamente, normas internacionais conhecidas que proíbem a utilização de crianças em certos tipos de publicidade.
Onde o tal Guedes promove um concurso miserável e fraudulento, só por si imagem clara e exemplar de certos conceitos passadistas e reaccionários de pedagogia. Sr. Guedes, sei que a sua surdez imbecil não permite que me ouça. Mas insisto: não se compra o amor de uma criança, muito menos com uma bicicleta!
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Pode haver ainda quem estranhe que nesta Assembleia se refiram e denunciem alguns casos de pornografia televisiva. Jornal da Economia, Telejornal ou Proença de Carvalho. Com especial destaque para um ... o do «Guedes empata-ratos» ou «mata-ratos», felizes alcunhas com que o classifica o «pessoal da pesada» (permita-se-me o uso desta jovem e jovial expressão).
Mas esta não é apenas a intervenção de um deputado que, nesta matéria, está mais e mais acompanhado.
É também o grito de alerta de um pai. Que compreendeu por dentro a voz de uma criança a gritar « Viva o "Topo Gigio"! Abaixo o Rui Guedes!»
E ainda o apelo sincero e empenhado para que outras vozes de outras bancadas denunciem também esse pequeno reles Guedes. Que vive à conta de um rato. Que utiliza com descaro os. gestos de uma criança manipulada. Que entra nas nossas casas para, com o máximo impudor e a máxima desvergonha, violentar não apenas os nossos filhos, mas todas as nossas inteligências e sensibilidades.
Basta!

Aplausos do PCP, do PS, da ASDI, da UEDS e do MDP/CDE.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra, para um protesto, o Sr. Deputado Carlos Robalo.

O Sr. Carlos Robalo (CDS): -- Sr. Presidente, Srs. Deputados: Ouvi, em parte só, até porque não valeria a pena ouvir a totalidade, a intervenção do Sr. Deputado do Partido Comunista Português.
Naturalmente a parte que tenho que realçar é aquela em que ele faz um ataque, natural para quem tem o entendimento que ele tem da democracia, a uma autarquia local como a de Lisboa.
Suponho que a autarquia de Lisboa, a Câmara Municipal, tem os seus vereadores, tem os seus membros na Assembleia Municipal, tem, efectivamente. representantes do Partido Comunista Português.
Neste momento, o Sr. Deputado Silva Graça dirige-se junto do Sr. Deputado Sousa Marques.
Queria dizer-lhe, Sr. Deputado Silva Graça, que acho que faz muito bem em apoiar o Sr. Deputado Sousa Marques, até porque o senhor é um participante dessa assembleia, e que será, efectivamente, também um réu se a vida da Câmara Municipal de Lisboa se desenvolver, também, em segredo.
É absolutamente natural, normal, que um deputado do Partido Comunista Português diga, nesta Cântara, que eco segredo é a alma do negócio», porque, de facto, só o Partido Comunista tem um verdadeiro entendimento do que é «o segredo como a alma do negócio».
O Partido Comunista é, efectivamente, o único partido, dos que se sentam nesta Câmara, defensor do partido único, da informação única, da ideologia única, do sindicato único, defensor de todo o corte de liberdades.

Vozes do CDS: - Muito bem!

O Orador: - Aqui, mais uma vez, é preciso lembrar ao Partido Comunista que quem acaba com os seus «Solidariedade» são os partidos comunistas, que quem tem a única agência de informação e o Partido Comunista, que quem quis acabar com a liberdade em Portugal e implantar a ditadura foi o Partido Comunista.

O Sr. José Manuel Guedes (PCP): - É uma vergonha!

O Orador: - É portanto, bem dito, bem apoiado, bem agarrado que o Partido Comunista refira que o «segredo é a alma do sou negócio», já que, de facto, o segredo e a unicidade são a alma, a verdadeira alma, do seu negócio.
É neste sentido que, efectivamente, felicito o Sr. Deputado por ter conseguido, em síntese, dizer o que são, isto é, o partido do segredo, do internamento dos dissidentes, do fecho de fronteiras, da cortina de ferro.
São efectivamente o partido do segredo.

Aplausos do CDS, do PSD e do PPM.

O Sr. Jorge Lemos (PCP): - Estava à espera de melhor! Foi muito fraquinho!

A Sr.ª Ercília Talhadas (PCP): - Desenterraram o «machado de guerra»!