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26 DE FEVEREIRO DE 1982 2295

bruto, que continua a ser o índice oficial do progresso. Uma forma mais séria de medir o bem-estar nacional deve ser definida com urgência.» Que bom seria que todos nós pudéssemos ao menos reflectir um pouco sobre o alcance profundo do pensamento de Renê Dumont, para lá do tomba-te político e de preconceitos - ou conceitos - ideológicos.
Pela nossa parte, entendemos que alguma coisa já mudou do muito que há ainda a fazer em Portugal. E que essa tarefa não pode nem deve ser entendida apenas por meia dúzia, mas, pelo contrário, por políticos, técnicos e todos os portugueses em geral.
De Alqueva à petroquímica de Sines, das centrais de Viana do Castelo a Ferrel, do caso Soporcel ao neocolonialismo de Estarreja, da necessidade de condicionamento à plantação de eucaliptos, às auto-estradas de Lisboa para Cascais, das torres do Tejo ao novo aeroporto de Lisboa, do alumínio ao plástico, do holocausto do porco de montanheira à importação de rações, da macrocefalia e caos urbanístico à regionalização e ao ordenamento, dos monopólios estatais e privados à produção e distribuição descentralizada e independente de electricidade, pela nossa parte, tudo temos procurado repensar ou criticar para que o futuro seja de facto possível e diferente. A cada crítica temos adiantado alternativas. A cada alheamento responde-mos com o nosso interesse. A cada acusação gratuita de «protectores das avezinhas» procurámos demonstrar à evidência a constatação de penosas realidades.
No momento em que grandes projectos de desenvolvimento continuam subrepticiamente a procurar sobreviver à poeira dos arquivos da arqueologia industrial portuguesa em que a Aliança Democrática os encerrou, a visita de René Dumont a Portugal assumiu, pois, para nós um significado muito especial.
Não somos uma potência industrial. Não possuímos nem os recursos financeiros nem tecnológicos que possibilitassem que também nós contribuíssemos para a pilhagem do terceiro mundo. O nosso povo, quer se goste de reconhecer isto ou não, não está habituado aos níveis de desperdício, do supérfluo que outros a seu tempo adquiriram. Em contrapartida, não nos encontramos no beco sem saída em que outros se encontram em termos de produtividade, de aproveitamento ou exaustão de recursos próprios, sejam eles naturais ou humanos.
O salto qualitativo em Portugal é possível. As nossas relações com os países de expressão portuguesa podem ser desenvolvidas em termos justos para ambas as partes.
Ainda há dias no Jornal de Letras, Sophia Andresen afirmava: «... a sociedade em que vivemos é própria de um mundo que está a acabar».
Independentemente de opções partidárias, das questões entre governo e oposições, importa que esse mundo acabe mesmo, e importa que todos possamos contribuir, mesmo que sob formas de pensamento e acção diferentes, para que a vida seja mais humana, apara que seja ainda possível salvar o nosso planeta, as nossas Pátrias, os nossos povos, as nossas regiões naturais, não só do holocausto da guerra, mas também da pilhagem que as sociedades industriais provocaram e estão a provocar em todo o mundo.
Que a mensagem de René Dumont se desenvolva e sensibilize :todos os sectores da vida portuguesa, são os nossos votos.
Até porque o debate e o combate alternativo renascem todos os dias.

Aplausos do PPM, do PSD e do CDS.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Secretário Reinaldo Gomes, para proceder à leitura dos votos apresentados pela ASDI.
Estes votos não serão discutidos hoje, vão ser incluídos na lista de votos que aguardam oportunidade para serem discutidos e votados.

O Sr. Secretário (Reinaldo Gomes): - Os votos apnesen4ados na Mesa pela ASDI são do seguinte teor:

Voto de pesar

René Dubos, de origem francesa, naturalizado americano em 1938, não é um nome que possa ser esquecido.
Os seus trabalhos de pesquisa, efectuados durante longos anos no Instituto Rockefeller, passaram da microbiologia e da patologia experimental para a problemática do ambiente e do urbanismo.
Foi, com Barbara Ward, autor de HG só uma Terra escrito especialmente para á Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente (Estocolmo, 1971).
A Assembleia da República, recorda, com a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, que «a pessoa humana tem o direito fundamental à liberdade, à igualdade e a condições de vida satisfatórias, num ambiente cuja qualidade lhe permita viver com dignidade e bem-estar. Cabe-lhe porém o dever solene de proteger e melhorar o ambiente para as gerações actuais e vindouras. Por consequência, são coordenadas e devem ser eliminadas as políticas que promovam ou perpetuem o apartheid, a segregação racial, a discriminação e as formas, coloniais ou outras, de opressão e de domínio estrangeirou e delibera exprimir o seu pesar pelo falecimento de René Dubos que inspirou a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente considerada, como proposta e desafio para que vivamos «pela moderação, pela compaixão e pela justiça» em vez de morrermos «pela agressão, pelo orgulho, pela voracidade e pela ganância»...

24 de Fevereiro de 1982.

Voto de saudação

«A sociedade ,portuguesa encontra-se perante a necessidade de realizar transformações profundas que lhe permitam libertar-se das estruturas - ultrapassadas, e de modo a assegurar as formas de progresso necessárias ao estabelecimento de uma sociedade pluralista.
A carência de forças sociais capazes de promover a$ transformações requeridas, conduz a uma situação de relativa estagnação social, uma vez que se verifica o predomínio de grupos e