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2830 I SERIE - NUMERO 66

Americano, começam a ficar desesperados com os êxitos da Frente de Libertação Nacional e da Frente Revolucionária Democrática, que alargam as zonas sob seu controle e vêem cada vez mais e mais revoltados preencherem as suas fileiras. Os planos americanos para conter a revolução saíram frustrados: nem o auxílio militar e económico, nem a descarada mistificação do "livro branco", com que se pretendia influenciar a comunidade internacional, deram resultado.

A ambas as manobras, a Frente de Libertação Nacional respondeu com redobrada eficácia, quer no plano interno, quer no plano externo. Manteve e alargou as acções militares em todo o País, consolidando as suas posições nas zonas que já controlava, ao mesmo tempo que neutralizava a actividade internacional dos Norte-Americanos e reforçava o seu prestígio, obtendo mais apoios a nível internacional.

As acções de combate são cada vez mais acutilantes e sucedem-se as vitórias. A destruição da Ponte Del Oro, a destruição da maior parte da frota aérea da Junta e, ultimamente, o assédio aos arredores de São Salvador por parte do exército regular da Frente de Libertação Nacional são exemplos evidentes do reforço da sua capacidade militar e do rápido e crescente apoio popular, que concita a sua actividade em todas as zonas, prenunciando a proximidade da vitória.

Por seu lado, os democratas-cristãos não conseguem, apesar da sua brutalidade e corrupção, competir com o fascista D'Aubuisson, um dos principais responsáveis pelo assassínio do arcebispo Oscar Romero, como havia denunciado o coronel Majano, liberal da Junta, que o prendeu em Maio de 1980. Mas D'Aubuisson foi solto e Majano obrigado a exilar-se. Hoje, D'Aubuisson, dirigente das forças fascistas paramilitares que disputam às tropas da Junta o recorde de assassínios e massacres, é um dos mais fortes candidatos às eleições de 28 de Março, desorientando sectores democratas-cristãos, que já querem adiar as eleições.

Ronald Reagan também enfrenta dificuldades, na medida em que crescem os protestos já no próprio Partido Republicano relativamente à sua política intervencionista e criminosa. Enquanto os jornalistas do Washington Post e do New York Times, já ameaçados de morte, denunciam os massacres do exército de El Salvador, o povo americano ainda não esqueceu a derrota frente ao Vietname e começa a movimentar-se, protestando o envolvimento cada vez maior do seu governo no apoio à junta fascista de El Salvador. E as tiradas ultra-reaccionárias e delirantes de Reagan começam a não convencer.

As eleições-farsa de 28 de Março vão ser um fracasso. Marcadas por ordem dos Americanos quando pensavam confinar a guerrilha às suas bases no Norte do pais, vão realizar-se com o exército regular da Frente de Libertação Nacional às portas da capital e somando vitórias militares, As eleições surgem assim como uma tentativa desesperada de iludir aquilo que já ninguém ignora: a vida social, económica e política de El Salvador é determinada pela iniciativa da luta popular generalizada e não existem as mínimas condições - que estão postas em causa pelo regime de crimes e arbítrio de Junta - para realizar eleições democráticas e livres. É isso que já percebeu a generalidade das nações, à excepção da Venezuela, dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e das ditaduras fascistas. A cabeçuda Sr.ª Teatcher, treinada na repressão e nos crimes contra os patriotas irlandeses, não se importa de arrostar com o descontentamento que grassa dentro do seu próprio partido, por se prestar a dar o seu aval à farsa de 28 de Março. Países como a Bélgica, a Holanda, a Alemanha, a Espanha, o Canadá, o México, e a França e o próprio governo democrata-cristão italiano, entre muitos outros, recusam-se a estar presentes em El Salvador, não avalizando assim os votos deitados nas umas sob a ameaça das prisões e da tortura e reconhecendo a justiça da luta popular e a representatividade da Frente de Libertação Nacional. Em Portugal, só o CDS se presta a ir até lá embora "disfarçado" na UEDC.

A Frente de Libertação Nacional pretende resolver o conflito com negociações que ponham fim ao martírio do povo que, com tanta maturidade, dignidade e heroísmo, representa. Por isso, depois de ter aceite como válida a declaração franco-mexicana, reconhecida por esta Assembleia em 9 de Dezembro de 1981 por iniciativa de partidos da oposição, entre os quais a UDP, apresentou uma proposta de paz na ONU e deu o seu acordo ao Plano Portillo. A Frente de Libertação Nacional - FDR não boicota as eleições, mas não abdica de aprofundar e ampliar a guerra de libertação contra o bando de corruptos, assassinos e traidores que todos os dias massacram barbaramente o povo salvadorenho com as armas e os conselhos norte-americanos.

As circunstâncias irregulares e antidemocráticas em que se realizarão as eleições são da total responsabilidade da junta fascista. O bispo salvadorenho Jesus Delgado disse, referindo-se às eleições-burla:

O processo eleitoral não gera, por si, só a democracia, nem a democracia fica confirmada, como tal, pelo recurso às umas.

Como diz a Frente de Libertação Nacional - FDR, na proposta de paz apresentada pela ONU:

[...] consideram as eleições como um instrumento válido e necessário para a expressão da vontade do povo sempre e quando existam condições e um clima que permita aos cidadãos manifestar livremente a sua vontade. Actualmente, em El Salvador, um processo eleitoral não cumpre estas condições, já que se mantém intacto o aparelho repressivo do regime que assassina os dirigentes e activistas políticos e sindicais. Continua a perseguição dos sectores progressistas da Igreja e todos os dias são eliminados fisicamente dezenas de cidadãos!

As eleições impostas pela Junta e pelos Estados Unidos, que se negam a responder aos apelos da Frente de Libertação Nacional para negociar, destinavam-se a dar credibilidade à Junta. Mas esse plano falhou, e a Junta está totalmente isolada internamente e externamente mais isolada do que nunca.

A Assembleia da República Portuguesa reconheceu a declaração franco-mexicana e, portanto, reconheceu a aliança da Frente de Libertação Nacional Farabundo Marti e da Frente Democrática Revolucionária, como uma força política representativa disposta a assumir as obrigações e a exercer os direitos que daí derivam, e a legitimidade de que a aliança participe na instauração dos mecanismos da aproximação e negociação necessários para a resolução política da crise. Exige-se que o Governo Português tome uma posição inequívoca de acordo com a decisão da Assembleia da República, condenando a farsa das eleições e contribuindo de