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3592 I SÉRIE - NÚMERO 86

Este desprezo é também profundamente sentido pelo povo da Azambuja em outras questões importantes. Seja o caso do castro pré-romano. de Vila Nova de São Pedro, monumento nacional de grande valor arqueológico de onde foram retiradas, nos anos 50, várias peças e objectos de grande valor, subtraídas não se sabe como, por arbítrio das autoridades fascistas de então e que se encontram no Museu do Carmo,.º qual, com explicações pouco convincentes, não as devolve à Azambuja. Ao mesmo tempo, o castro degrada-se sem o apoio das entidades competentes no assunto.
Por último, salienta-se a situação criada pela CP ao retirar, no passado dia 30 de Abril, a cancela e a campainha de aviso da passagem de nível da Azambuja, junto ao campo de futebol, sem qualquer explicação ou pré-aviso à Câmara.
A cancela, a campainha de aviso e a guarda já existiam ali há dezenas de anos e são absolutamente indispensáveis para a segurança das pessoas e bens que com muita frequência atravessam a linha naquele local.
Na verdade, essa passagem de nível dá escoamento a muitos produtos agrícolas da região bem como a pessoas com o fim de desenvolverem a sua actividade profissional.
É evidente que este trânsito se continua a fazer, mas agora, face ao perigo de comboios que surgem a 120 km à hora, numa recta com lomba que impede a visão dos comboios que se aproximam a grande velocidade.
Aliás, logo no dia seguinte à retirada da cancela e campainha de aviso, um tractor ia sendo apanhado por um comboio rápido devido a dificuldades surgidas na passagem do tractor sobre a linha.
A emoção aprovada na Assembleia Municipal da Azambuja, em 30 de Abril passado, foi exigido que a Câmara obtenha, do conselho de gerência da CP, a reposição imediata da cancela, da campainha de aviso e da guarda na passagem de nível da Azambuja e que; ao mesmo tempo, se garanta que, no futuro, se não repitam atitudes arbitrárias da CP como esta.
A atitude de generalizada indignação que detectei em todo o concelho é, pois, do mais vivo repúdio por esta atitude do conselho de gerência da CP, em especial pela falta absoluta de consulta e negociação com os órgãos autárquicos da Azambuja.
Muitos outros problemas que preocupam a população da Azambuja haveria ainda a levantar, entre eles a falta de definição da zona industrial do concelho, por negligência e atrasos burocráticos da Administração Central, quando é certo que existem - vários projectos industriais para -o concelho quê aguardam aquela definição.
Os mais importantes aí ficam expostos é se não se espera especial sensibilidade do Governo AD para contribuir, como lhe compete, para a sua solução - pese embora o populismo eleitoralista da sua campanha para a regionalização -, pela minha voz, a Azambuja e a sua população aqui vem reafirmar que continuará a bater-se pela resolução das necessidades e exigências do concelho, responda ou não este Governo, e exigindo outro governo, outra política de descentralização e apoio à regionalização e ao Poder Local, o que esperamos não demorará!

Aplausos do PS, da UEDS, e de alguns deputados do PCP.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Herberto Goulart, que dispõe de 5 minutos, dos quais 3 foram cedidos pela UEDS.

O Sr. Herberto Goulart (MDP/CDE): - Começava assim uma notícia de um vespertino de Lisboa, do passado dia 27 de Janeiro:
Se um destes dias quiserem assistir à maior demonstração de caos rodoviário não deixem de se deslocar a Sacavém, à ponte do rio Trancão, mesmo ali onde desemboca a estrada que vem da Bobadela e de São João da Talha convergindo para a estrada nacional n.º 10.
É claro que para avaliar melhor o espectáculo, terá que o fazer a hora de ponta. Uma sugestão: faça-o por volta das 8 horas da manhã.
Dizer que os acessos a Lisboa por estrada são um caos, tornou-se um lugar comum, de que se fala com resignação, como uma consequência da causa profunda que é o desenvolvimento desenfreado das zonas suburbanas da capital.
A população do concelho de Loures, que deverá crescer 25 % nos próximos 5 anos, é uma das mais afectadas por tal situação, já que dispõe apenas de ligações rodoviárias, centradas sobre duas estreitas e antiquadas estradas - o chamado «corredor de Loures» e a «estrada velha de Sacavém-Vila Franca de Xira».
Segundo documentos das comissões de moradores, que se tem. preocupado com este grave problema para as populações locais, às horas de ponta, no, corredor de Loures, chega a gastar-se 1 hora da Póvoa de Santo Adrião a Lisboa ou 2 horas de Loures a Lisboa, enquanto que na zona de Sacavém e Bobadela há troços de estrada onde se chega a viajar à média horária de 1 km.
Com a construção da auto-estrada Lisboa-Malveira, cujos trabalhos se processam, no entanto, com impressionante lentidão, o problema do «corredor de Loures» encontrará uma alternativa que deverá atenuar o seu congestionamento. Até à conclusão desta, pese embora a boa cooperação existente entre a Rodoviária Nacional e a Câmara Municipal de Loures, pouco - mais se poderá verificar do que melhorias do pavimento, melhor localização e reserva de espaços para paragens ... e a boa vontade da Brigada de Trânsito da GNR.
Do lado do Tejo, na estrada de Sacavém-Vila Franca de Xira, a tendência para o agravamento do caos rodoviário é maior, já começando a ser difícil distinguir entre horas de ponta e qualquer outra hora diuma.
Com uma intensidade de tráfego de mercadorias muito elevada, pela grande concentração industrial na região e por ser uma entrada para a zona portuária de Lisboa, os diversos e inevitáveis cruzamentos de viragem à esquerda, associados ao estrangulamento na ponte do rio Trancão, impedem que quaisquer possíveis medidas pontuais tenham efeitos significativos.
Perdas de tempo, desgaste nervoso dos utentes dos transportes públicos, bem como dos que se deslocam em viaturas particulares, desperdício de combustível, baixa produtividade dos materiais circulantes, custos, adicionais para as empresas da região, diariamente e a qualquer hora afectadas pela morosidade de circulação, são consequências que no fundo se expressam numa autêntica deseconomia social.
As populações das freguesias de Santa Iria de Azóia e de São João da Talha são as mais afectadas. As respectivas comissões de moradores desencadearam no início deste ano um movimento de alerta das autoridades e de procura de soluções, contando com o apoio das autarquias locais.
Duas propostas de solução foram avançadas pela comissão coordenadora, entretanto criada; que são apoiadas