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3644 I SÉRIE- NÚMERO 88

homenagem de gratidão em Fátima -no Altar do Mundo -, em cumprimento de voto solene e público e na humildade de penitência, o seu agradecimento à Virgem da Cova da Iria pela protecção concedida na circunstância do alentado sofrido a 13 de Maio do ano findo, na Praça de S. Pedro.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: O Cardeal Karol Wojtyla, eleito papa a 16 de Outubro de 1978, ocupa a Cadeira de Pedro no Vaticano e toma o nome de João Paulo II, como 264.º Chefe da Igreja Católica Romana. E, posto que o seu reinado pontifício seja curto ainda em tempo, a actividade dispendida ao longo deste escassos 4 anos, como mensageiro da Paz, tem-se dilatado pelos 5 continentes e as suas exortações aos povos e às Nações são bem o anúncio do Evangelho, não só para confirmar os irmãos na Fé, como são outras tantas ocasiões de verdadeira catequese itinerante e viagens de amor, de paz e de fraternidade universal.
E quem poderá negar os esforços enviados por João Paulo II para alcançar para o Mundo o inestimável dom da paz!
Relembrem-se as viagens, sobretudo à Organização das Nações Unidas, as recepções, os discursos e as mediações em litígios internacionais!
Medite-se nas advertências feitas por João Paulo 11 às nações e seus chefes e não se olvide o patético apelo à paz por si feito a 25 de Fevereiro de 1981, em Hiroshima, no Japão.

O Sr. Guerreiro Norte (PSD): - Muito bem!

O Orador: - Mas, e mais profundamente ainda, o que traduz e aquilata da fecundidade do seu pontificado são as 3 encíclicas até hoje publicadas, cuja terceira, Laborem Exercens, publicada a 14 de Setembro de 1981, da maior actualidade e com sentido profundo das responsabilidades no exercício e na defesa das liberdades fundamentais e prática de justiça social, vem impor-se à meditação de todos, pelo vigor e riqueza de ensinamentos e princípios sociológicos sempre presentes e vivos na doutrina social da Igreja.
Com a autoridade própria, esta Encíclica vem na esteira da Rerum Novarum, de Leão XIII e, sem rodeios e frontalmente, arranca de penumbra aonde pareciam esconder-se os aspectos relevantes como o trabalho do homem, fulcro e cerne da questão social. Aí trata o trabalho agrícola e dos trabalhadores, dos emigrantes explorados, da mulher, dos deficientes e marginalizados e o direito ao trabalho. Proclama a prioridade do trabalhador e do seu trabalho sobre o capital e critica firmemente o capitalismo e os totalitarismos de Estado.
Reafirma o direito aos sindicatos livres e à greve como último recurso não político, mas sim quando económico ou social.
Em suma: recheio doutrinário que é um desafio à Humanidade e uma proposta ao Homem, expoente máximo da criação, da qual é dez e farol que deve nortear a rota da vida, se se busca, com realismo e sinceridade, a verdadeira felicidade, a paz e a concórdia na justiça social, como bem supremo e direito inalienável de toda a criatura humana.
E, nas suas magníficas exortações, tanto sobre princípios doutrinários de catequese, como sobre a família, o Papa João Paulo II exalta os valores do amor, a união e a paz e defende a instituição familiar dos perigos que a ameaçam.
E, com o coração dilacerado, por sofrer as suas e alheias dores, Wojtyla agiganta-se na sua Pátria pelo humanismo que transborda, a fé que irradia e a coragem contagiante e desassombrada no caminho da acção.

O Sr. Guerreiro Norte (PSD): - Muito bem!

O Orador: - Sua imagem impar projecta-se universalmente, como símbolo histórico de um povo oprimido e esmagado que, todavia, rejeita a ignomínia, não se silencia e. com fé inquebrantável, dá provas de uma vitalidade imorredoira e lhe impõe a admiração e respeito do mundo inteiro. Karol Wojtyla consubstancia a autêntica liberdade com a fé e a felicidade humana.

O Sr. Luis Beiroco (CDS): - Muito bem!

O Orador: - Corajoso nas suas palavras, porque firme nas suas convicções doutrinárias e defensor acérrimo dos direitos do Homem, em momento histórico de 1976, proclamava o então cardeal Wojtyla: "é difícil, desde o ponto de vista da dignidade humana, desde o ponto de vista humanista, aceitar o ateísmo como programa político. Pode-se compreender que um homem busque sem encontrar, pode-se compreender que o homem negue, mas não se pode compreender que um homem se encontre proibido de crer. Fazer do ateísmo um fundamento da vida nacional é equívoco penoso desde o ponto de vista do verdadeiro progresso humano. Porque é preciso respeitar o que há no homem."
E mais adiante, em determinado passo da sua vida apostólica adverte: "Não se pode lutar contra a religião em nome do interesse da classe operária. Nem se pode abusar do nome dos trabalhadores para lutar contra a religião."

O Sr. Guerreiro Norte (PSD): - Muito bem!

O Orador:- Sr. Presidente, Srs. Deputados: A História registará em seus anais a vinda a Portugal do Papa João Paulo II, o papa operário e peregrino da Paz.
Descendente de família modesta, Karol Wojtyla, polaco de nascimento, foi operário mineiro e de indústria química aquando da II Guerra Mundial e, na sua Pátria, foi perseguido pelo invasor nazi.
Aí, fez parte da resistência e ajudou e auxiliou à fuga do terror do ocupante centenas de judeus, cujo destino teria sido o pelotão de fuzilamento, a câmara de gás ou o internamento em campos de concentração, como a tantos milhares e milhares de outros aconteceu.
Como escritor, poeta, músico e jornalista registou nível de reputação e como intelectual e professor granjeou um apreço por tantos enaltecido e admirado.
O seu convívio com a classe operária e com a juventude tornaram-no querido e respeitado. Seu nome foi assinalado igualmente no desporto que praticou.
Ao teatro, na clandestinidade, deu o seu contributo valioso na época trágica da guerra dos anos 40. E ao seu povo, como sacerdote, e hoje,- ao mundo inteiro, como Chefe da Cristandade e Chefe de