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12 DE MAIO DE 1982 3649

reconhece o pastor universal, mas sem perder de vista que o presença de Sua Santidade é também a presença de um Chefe de Estado com quem Portugal tem relações especiais desde a sua origem e que de algum modo condiciona a própria soberania portuguesa.
Portugal, missionário do mundo, Portugal defensor de uma missão universal e de uma convivência entre todos os povos, encontra em João Paulo II o mais perfeito defensor dessa teoria, sem a qual o mundo não pode viver. Saudemos, pois, fervorosos e humanamente, João Paulo II na sua presença em Portugal.

Aplausos do PPM, do PSD e do CDS.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Carlos Lage.

O Sr. Carlos Lage (PS): -Sr. Presidente, Srs. Deputados: Já ontem o Grupo Parlamentar do Partido Socialista teve ensejo de salientar o seu agrado e a sua satisfação pela presença de Sua Santidade o Papa no nosso país.
Hoje, associamo-nos gostosamente ao voto que vai ser aprovado nesta Assembleia da República, em que se saúda a visita de Sua Santidade a Portugal.
Julgamos que é uma atitude positiva, significativa e de louvar o facto de a Assembleia da República, coimo órgão de soberania, tomar posição em relação ao profundo significado da visita do Papa a Portugal.
Nós, socialistas, respeitamos os sentimentos e as crenças religiosas do nosso povo.
Não obstante a distância que muitas vezes tomamos relativamente ao comportamento concreto de certas faces da Igreja Católica ao' inserir-se na história e nos acontecimentos, os socialistas professam ou, peto menos, respeitam os valeres cristãos naquilo que eles têm de essencial e de evangélico - a paz, a fraternidade, o amor ao próximo, a humildade e o sentimento' da igualdade plena e total entre os homens.
Mas, para além disto, nós saudamos em Sua Santidade o Papa uma personalidade fascinante e algo diferente.
João Paulo II não é, como outros altos dignatários da Igreja, uma entidade que se isola, que se fecha ou que se mitifica. Ele é um home entre os homens, inserido na história, no concreto da vida e do quotidiano das pessoas.
E é por isso, sobretudo por isso, que João Paulo II ganhou uma auréola universal de admiração, de respeito e de pólo espiritual e moral à escala universal, que não se pode ignorar.
Saudamos em João Paulo II não só a sua abertura aos 'homens -talvez pela sua origem simples, operária, de quem trabalhou duramente, de quem conheceu as privações e a exploração-, mas também a introdução de alguns traços novos e originais na Igreja Católica e, como tal, no cristianismo que a Igreja defende.
Por exemplo, a doutrina expressa na Encíclica Laborem Exercens é, sem dúvida nenhuma, algo de profundamente original e renovador na doutrina da Igreja.
Com efeito, a emancipação do trabalhador, o ênfase posto na socialização dos meios de produção a prioridade dará e expressa que nessa Encíclica é dada ao trabalho sobre o capital, estão no centro de uma autêntica teologia do trabalho.
E nós, socialistas, que também nos batemos por estes mesmos valores à escala da intervenção política diária e quotidiana, não podemos deixar de considerar altamente positivo e louvável que esta doutrina possa inspirar o comportamento de todos os cristãos, de todos os militantes católicos.
Estas tomadas de posição talvez se enraízem na origem operária de Sua Santidade o Papa e no país de onde provém, da cultura onde se formou.
Por isso, a sua visita a Portugal não é só uma jornada de características religiosas e espirituais, insere-se também no plano concreto das nossas vidas, que deve ser assinalado na Assembleia da República, o que eu tentei fazer despretenciosamente.

Aplausos do PS, do PSD, do CDS, do PPM e da UEDS.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Vilhena de Carvalho.

O Sr. Vilhena de Carvalho (ASDI): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: O voto apresentado convidamos a congratularmo-nos com à presença histórica de Sua Santidade o Papa João Paulo II.
Já ontem, da Tribuna desta Assembleia, tivemos ocasião de exprimir a nossa alegria pela sua visita ao nosso país, tivemos ocasião de dizer que o saudávamos não só como o chefe visível da Igreja Católica, a que pertence a maioria dos portugueses, mais ainda como o vero símbolo da paz, do entendimento fraterno entre os homens e da justiça possível neste mundo.

as a visita de Sua Santidade é, para além dos vários aspectos já focados e que ontem tive também ocasião de referir, sobretudo -e era esta a nota que eu desejava salientar-, uma prova de amor a Portugal. E assim sendo, e parafraseando Camões, direi que como o Papa ama a Humanidade terá naturalmente que ser amado.

Aplausos do PSD, do CDS, do PPM e de alguns deputados do PS.

O Sr. Presidente: - Como não há mais oradores inscritos, vamos votar o voto de congratulação apresentado pelo PSD e pelo CDS.

Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade, registando-se a ausência da UDP.

O Sr. Presidente: - Para produzir declarações de voto inscreveram-se os Srs. Deputados Veiga de Oliveira, Menezes Falcão e António Taborda.
Tem a palavra o Sr. Deputado Veiga de Oliveira.

O Sr. Veiga de Oliveira (PCP): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: O Grupo Parlamentar do PCP associou-se à moção de congratulação .pela visita e presença do Papa João Paulo II em Portugal e fê-lo por várias razões, das quais sublinhamos duas.
Em primeiro lugar, porque respeitamos os valores religiosos que o bispo de Roma e Chefe da Igreja Católica representa, valores esses que a maioria dos portugueses comunga. E respeitamos estes valores porque, neste caso, como em todos os outros, eles são devidamente enquadrados e mesmo exaltados