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2128 | I Série - Número 047 | 22 de Setembro de 2005

 

Aplausos do PS.

E uma coisa temos por certa, Srs. Deputados: nenhum destes problemas pode ficar à espera que os outros se resolvam. Este erro já foi cometido no passado e o País não andou para a frente. O nosso desafio é, portanto, fazer tudo para enfrentar, ao mesmo tempo, estes três problemas: rigor orçamental, crescimento económico, conhecimento - são estas as palavras-chave da nossa agenda de mudança para o País.
Esta é, portanto, a nossa estratégia. Este é o nosso caminho. Este é o rumo de modernização que queremos para Portugal.

Aplausos do PS, de pé.

O Sr. Presidente: - Para uma primeira pergunta, tem a palavra o Sr. Deputado Luís Marques Mendes.

O Sr. Luís Marques Mendes (PSD): - Sr. Presidente, o Sr. Primeiro-Ministro escolheu para este debate um tema, sem dúvida, importante, embora naturalmente recorrente nos discursos políticos de há muitos anos a esta parte. Recordo aqui que até o Eng.º Guterres já chamou a este tema a sua paixão, e depois, mais tarde, viu-se naquilo que deu.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Em qualquer circunstância, o tema é importante e as orientações também são correctas. O problema está na sua concretização. E por isso, a este respeito, Sr. Primeiro-Ministro, vamos, obviamente, como todos os portugueses, esperar, desde logo pela sua concretização no Orçamento do Estado. Não chega dizer o que fazer e como fazer, é preciso ver como se vai concretizar e, por isso, esperamos pelo Orçamento do Estado.

O Sr. Luís Marques Guedes (PSD): - Muito bem!

O Orador: - Sobretudo, por duas razões: porque o Sr. Primeiro-Ministro, ao longo destes meses, tornou-se especialista em promessas e em anúncios. São sempre mais promessas. Fala sempre do que vai fazer e não daquilo que fez. E os portugueses já perceberam a quantidade de promessas não cumpridas - estava, inclusive, à espera que o Sr. Primeiro-Ministro, viesse hoje aqui, finalmente, anunciar o famoso "plano tecnológico", que, segundo parece, acabou antes de começar.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Convém ainda esperar para ver, porque também já vi o Sr. Primeiro-Ministro, aqui, em Maio passado, com toda a pompa e circunstância, anunciar ao País, urbi et orbi, a quebra do sigilo fiscal para combater a fraude e evasão fiscais e, passado uns tempos - "entrada de leão saída de sendeiro" -, recuou no sigilo fiscal. Portanto, vamos aguardar, que é o melhor, pese embora as boas intenções.

Aplausos do PSD.

Sr. Primeiro-Ministro, há umas semanas, tinha-o convidado a escolher o tema da crise económica e social para este debate. Vejo que fugiu ao tema, como tem fugido.

O Sr. José Junqueiro (PS): - Grande lata!

O Orador: - Foge, porque, verdadeiramente, se a situação há seis meses não estava boa, hoje está pior e a tendência, infelizmente, é para piorar: o investimento cai; o desemprego aumenta, e ainda vai continuar a aumentar; a confiança dos portugueses caiu a pique; a inflação dispara; e temos notícias de imensas fábricas, por todo o País, a fechar. O Sr. Primeiro-Ministro não quer ser confrontado com as promessas não cumpridas, porque hoje já tem a noção de que o aumento injusto dos impostos foi mau para a vida das pessoas, das empresas e para a competitividade da economia.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - E, mais grave do que a situação que vivemos, é o Sr. Primeiro-Ministro já ter percebido que não tem saída para este problema e, portanto, tenta esconder a crise. Isto é grave, mas deixe-me dizer-lhe que mais grave ainda é a sua enorme insensibilidade social para este problema, em particular para os mais fracos e vulneráveis.