22 DE JULHO DE 2011
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Entretanto, comecei a ouvir o Sr. Deputado a remeter as coisas para o Governo e fiquei imediatamente
desanimada — seguramente, não só eu, mas aqueles que o estavam a ouvir. Depois, mesmo no final da
intervenção, chegou a brilhante terapia do Sr. Deputado: o PSD vai propor um amplo debate sobre as
assimetrias regionais do País.
Brilhante, Sr. Deputado!… Que terapia fantástica!…
Nós somos favoráveis a todos os debates. Os debates devem fazer-se permanentemente, devem
intensificar-se sempre, mais e mais. Mas, caramba, Sr. Deputado, se há coisa que está debatida no País é
esta matéria! E se há soluções, ou pseudo-soluções, ou medidas políticas que têm intensificado as assimetrias
regionais do País elas têm sido tomadas por parte dos sucessivos governos. E o Sr. Deputado não me diga
que não se lembra de o PSD ter estado no governo… Até parece que aparece pela primeira vez! Mas, pronto,
não vamos falar do passado, vamos falar do presente.
Ontem, a CP anunciou que não vai haver ligações directas de Beja para Lisboa! Ou seja, uma capital de
distrito do interior do País fica sem ligação directa à capital, com todos os problemas que isso traz ao nível da
mobilidade das populações e do próprio desenvolvimento da região. Ora aí está uma medida que o Governo
deveria ter contrariado, mas o Sr. Deputado não abriu a boca contra isso! A CP mandou, o Governo não fez
nada e a população, que está revoltada, diz: «Nós estamos a ser ainda mais vítimas da nossa interioridade».
O Sr. Presidente (Ferro Rodrigues): — Peço-lhe que abrevie, Sr.ª Deputada.
A Sr.ª Heloísa Apolónia (Os Verdes): — Termino já, Sr. Presidente.
Curiosamente, Os Verdes vão apresentar hoje aqui, no Plenário da Assembleia da República, uma medida
determinante para garantir maior produção, designadamente agrícola, no interior do País e eu estou
curiosíssima, Sr. Deputado, em saber como se vai posicionar o PSD relativamente a esta terapia.
Vozes de Os Verdes e do PCP: — Muito bem!
O Sr. Presidente (Ferro Rodrigues): — Ainda para pedir esclarecimentos, tem a palavra o Sr. Deputado
Mota Andrade.
O Sr. Mota Andrade (PS): — Sr. Presidente, Sr. Deputado Carlos Peixoto, V. Ex.ª trouxe aqui um tema
recorrente e que preocupa, estou certo disso, todos os portugueses: os problemas que o interior enfrenta.
Mas, deixe-me que lhe diga, fê-lo com um discurso de gosto duvidoso. Aproveitou, aliás, para fazer uma
graçola, o que não lhe fica bem, Sr. Deputado.
Em termos de discursos, exige-se mais nível na Assembleia da República.
Aplausos do PS.
Quando o ouvi, também pensei que, em início de Legislatura, com uma maioria, V. Ex.ª iria anunciar quatro
ou cinco medidas, quiçá quatro ou cinco projectos de lei, que mudassem a face do interior, que dessem
solução a alguns dos problemas que V. Ex.ª aqui colocou. Mas nada, o seu discurso foi zero! V. Ex.ª não
indicou uma única medida para resolver os problemas que aqui levantou.
Mais preocupante ainda, Sr. Deputado, é que, olhando para o Programa do Governo que V. Ex.ª apoiou,
também nele não há uma medida que trate o interior de forma positiva. Portanto, V. Ex.ª terá de, em primeira
linha, mover as suas — estou seguro de que o fará — fortes influências junto do Governo para mudar a face
do interior do País.
Recordo que foi sempre o seu partido, o PSD, que, quando esteve no governo, pior tratou esse interior.
Houve uma época em que muitos serviços saíram do interior — a história já o julgou: foi nos tempos do
governo do PSD.
Nos tempos do governo do PS, Sr. Deputado, executaram-se várias estradas, estradas fundamentais para
o interior, como por exemplo a A25, a A23, a A24, o IP2 e o IC5 (que estão em fase de conclusão), a auto-
estrada transmontana e o túnel do Marão. Também se fez a distritalização da segurança social, quando VV.
Ex.as
, no vosso tempo, a tinham concentrado nas cinco sedes das regiões-plano.