I SÉRIE — NÚMERO 32
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Defendemos a flexibilização e desburocratização do modelo de aplicação dos conselhos municipais de
juventude e a devolução das responsabilidades sobre o financiamento e o apoio ao movimento juvenil ao
Estado central.
O projecto de lei do PCP elimina as competências executivas dos conselhos municipais de juventude,
assegurando, assim, a sua natureza verdadeiramente consultiva, e permite a participação de grupos informais
de jovens nesses conselhos, ao contrário da lei em vigor.
Acontece que o Governo do Partido Socialista, com o apoio do PSD e do CDS, aplicou uma lei «chapa 5» a
todas as autarquias, que, ao contrário de valorizar a riqueza e a diversidade do movimento juvenil, acabou por
criar um órgão onde apenas tinham assento as juventudes partidárias.
O PCP, na opinião que tem sobre a diversidade do que é o movimento associativo juvenil, reconhece que
há muito para além das juventudes partidárias e é isto que o nosso projecto, hoje, aqui traz, ao Parlamento.
Aplausos do PCP.
O Sr. Presidente (António Filipe): — Para uma intervenção, tem a palavra a Sr.ª Deputada Ana Drago.
A Sr.ª Ana Drago (BE): — Sr. Presidente, Srs. Deputados: Não posso deixar de começar esta intervenção
por notar a bizarria do entendimento político do Sr. Deputado Paulo Cavaleiro.
Segundo aquilo que nos disse, houve, no último ano, em Portugal, dois processos políticos fundamentais: o
processo da tróica, da imposição da tróica, e o grupo de trabalho dos conselhos municipais de juventude. E,
para tristeza do Sr. Deputado Paulo Cavaleiro, o Bloco de Esquerda não esteve presente!… Tem saudades da
participação do Bloco de Esquerda!…
Risos de Deputados do BE.
Bom, aproveito para dizer que este é o momento de puxar do caderno e da caneta, porque o Sr. Deputado
pode agora anotar qual o nosso entendimento sobre este processo.
Como sabemos, os conselhos municipais de juventude poderiam ter sido, nos últimos anos, um espaço que
possibilitasse a participação cidadã dos jovens naquilo que é a democracia local. O que, de facto, aconteceu
foi que se transformaram esses órgãos — e foi este, aliás, o entendimento que se teve na anterior legislatura
— num espaço em que estão apenas representadas as organizações partidárias de juventude e as
competências que, entretanto, foram dadas a estes órgãos representam um processo burocrático que afasta
qualquer jovem que queira transformar o seu País e participar, enquanto cidadão, da vontade de estar
presente nas suas reuniões.
Portanto, os projectos de lei que, hoje, são apresentados, quer pelo PS, PSD e CDS quer pelo PCP, vão no
sentido de retirar parte desta carga burocrática que foi cometida aos conselhos municipais de juventude, e
esta é uma virtude desses mesmos projectos.
Vozes do PSD: — Muito bem!
A Sr.ª Ana Drago (BE): — Há, contudo, algumas dificuldades. É porque, nas competências que são
eliminadas dos conselhos municipais de juventude, há um conjunto de aspectos que creio serem fundamentais
e do interesse dos jovens portugueses. Não podemos passar a dizer que compete aos conselhos municipais
de juventude acompanhar e emitir recomendações sobre a execução da política orçamental do município
relativa às políticas de juventude e querer retirar do âmbito dessas mesmas competências as recomendações
no que toca ao emprego, formação profissional, habitação, educação, ensino superior, cultura, desporto,
saúde e acção social, porque, se não, a política de juventude fica absolutamente esvaziada de conteúdo.
Por isso, é preciso perceber que ou estes conselhos municipais de juventude servem para discutir a vida
dos jovens, que é emprego, formação profissional, educação, acção social escolar, cultura e desporto, ou,
então, esvaziamo-la completamente de todas as suas competências.
No que toca ao projecto apresentado pelo Partido Comunista Português há também um aspecto que nos
suscita algumas dúvidas. Enquanto PS, PSD e CDS, pura e simplesmente, retiram o apoio das câmaras