2 DE FEVEREIRO DE 2012
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Tem a palavra o Sr. Deputado Luís Fazenda.
O Sr. Luís Fazenda (BE): — Sr.ª Presidente, Sr. Deputado Carlos Zorrinho, a Cimeira, dita «informal», da
União Europeia, o Conselho Europeu informal concluiu aquilo que é o óbvio, ou seja, um conjunto de
indicadores de recessão económica, de abrandamento da atividade económica — desigualmente distribuída
na União Europeia, mas um mau sinal na Europa, do ponto de vista do crescimento — e um aumento do
desemprego e das desigualdades na União Europeia. Não teve para isso nenhuma agenda, nenhuma receita.
Continua amarrada à ortodoxia da consolidação de contas, das «leis de bronze» em relação aos défices
orçamentais, aos tetos de dívida pública, etc. Não há novidades na Europa da Sr.ª Merkel e do Sr. Sarkozy:
constataram o óbvio, sem resposta. Por isso, a Europa vai manter o sofrimento, vai penar, porque não há
qualquer medida que venha induzir o crescimento económico.
Nessa área, o Governo português «aos assuntos disse absolutamente nada»: não propôs, não pediu, não
solicitou, nada exigiu que tivesse a ver com a agenda do crescimento!
Contudo e apesar de os partidos da maioria ou o Governo, alegando que era uma cimeira informal, não
terem recolhido os contributos dos partidos da oposição, o que foi um entorse à capacidade democrática deste
debate em relação ao Conselho Europeu,…
O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Exatamente!
O Sr. Luís Fazenda (BE): — … gostaria de questionar o Sr. Deputado Carlos Zorrinho, porque já transcorri
o que possa ser uma área de convergência em relação ao estado crítico da Europa e à ausência de medidas
que possam dinamizar a economia e criar emprego.
Uma das perguntas tem a ver, exatamente, com o défice estrutural e com o acordo que foi atingido, com o
tratado que aí teremos e que será um tratado intergovernamental a 25, porque a 27 não pôde ser. Esse défice
estrutural corrigido do ciclo (ou como se queira dizer) é uma impossibilidade manifesta e profunda para, em
momentos de recessão, de crise económica profunda, de calamidade, qualquer governo acudir a uma situação
mais crítica.
A Sr.ª Presidente: — Peço-lhe que termine, Sr. Deputado.
O Sr. Luís Fazenda (BE): — Não percebemos por que razão o Partido Socialista, seja na Constituição, que
não quer e bem, seja numa lei de valor reforçado, possa aceitar uma limitação de 0,5% de défice estrutural.
Isso é contra o Estado social. Um partido de esquerda não pode aceitar uma imposição desse género. Queria
questioná-lo sobre essa matéria.
Sr.ª Presidente, vou fazer uma segunda e brevíssima pergunta.
Sr. Deputado, conhecendo as posições do Secretário-Geral do Partido Socialista, que aqui tanto citou,
acerca da necessidade de um referendo — em 2008, em vários momentos, invocação da objeção de
consciência —, por que não acompanha, neste momento, essa exigência?
A Sr.ª Presidente: — Queira terminar, Sr. Deputado.
O Sr. Luís Fazenda (BE): — Um tratado intergovernamental pode ser diretamente votado nos termos da
Constituição, para que seja dada a palavra ao povo para dizer o que entende sobre este acordo, sobre este
tratado, sobre este momento negro da União Europeia.
Aplausos do BE.
A Sr.ª Presidente: — Tem a palavra, para responder, o Sr. Deputado Carlos Zorrinho.
O Sr. Carlos Zorrinho (PS): — Sr.ª Presidente, Sr. Deputado Luís Fazenda, quero acompanhá-lo, em
primeiro lugar, dizendo que, de facto, de substancial, não houve grande novidade no Conselho Europeu.