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10 Diário da Câmara dos Deputados

De que todos se devera compenetrar, é de que momento que se atravessa é de sacrifícios, e que êstes não devem ser feitos só pelo Estado; todos tem de concorrer com a sua cota parte.

Dito isto, e porque não quere fatigar por mais tempo a atenção da Câmara, apenas acrescentará que concordou com as alterações propostas pela comissão da agricultura, porque as julga aceitáveis, e que o mesmo se deu com algum as das disposições propostas pela comissão de subsistências.

O Sr. Júlio Martins: - O Govêrno propunha a tributação do trigo nacional, a comissão de agricultura a do trigo exótico, e a comissão de subsistências ainda propõe cousa diferente. Qual dessas opiniões perfilha S. Exa.?

O Orador: - A sua opinião será conhecida no decorrer da discussão, porque ela depende da orientação que se adoptar.

O problema é complexo e ao mesmo tempo delicado, para que se possa resolver do ânimo leve.

Quando apresentou a sua proposta, disse que ela era uma questão aberta, que aceitaria todas as alterações que tendessem a melhorá-la, e o mesmo repete agora, pois êste assunto é daqueles em que não pode haver intransigências, nem política.

O discurso será publicado na íntegra quando o orador restituir as notas taquigráficas.

O Sr. João Gonçalves (sobre a ordem): - Em obediência às prescrições regimentais, começa lendo a sua moção.

Prosseguindo, o orador afirma que se pudesse bipartir a proposta em discussão, de boa vontade o faria, para que se votasse desde já a parte que se refere à importação dos 120 milhões de quilogramas de trigo, que tem necessáriamente de se importar, por isso que cada dia que passa hão muitas dezenas de contos que se perdem. Só nestes últimos cinco dias se perderam já 600 contos. Isso seria, a meu ver, um acto patriótico; o resto discutir-se-ia depois, com mais tranquilidade.

O Sr Júlio Martins tratou brilhantemente esta questão dos cereais. S. Exa. defendeu os interêsses do Alentejo e êle, orador, vera defender os do Ribatejo. S. Exa. falou nas agruras da lavoura alentejana, mas pode estar certo de que a situação da ribatejana não é melhor. A colheita da fava êste ano apenas dá duas sementes, e não para todos, porque para alguns nem isso dá, e a do trigo não dá mais de seis a sete sementes.

A produção do trigo no pais, que para êste ano está calculada em 150 milhões, pode afirmar que não passará de 80 milhões. O Sr. Júlio Martins apresentou vários números para mostrar o preço da cultura no Alentejo; êle, orador, com os que lê à Câmara, demonstra quanto ela custa no Ribatejo.

A situação da lavoura é má, e se o preço dos adubos continuar subindo, estando já hoje os superfosfatos a 25$; é possível que muitos deixem de cultivar as suas propriedades. Entende por isso que se o Govêrno quere favorecer a lavoura nacional. o que tem a fazer é, em vez de lhe pedir os $00(5), dar-lhos.

Fala-se muito na riqueza da lavoura, mas não é assim, quem enriquece é o intermediário; o proprietário, em grande parte, tem as suas propriedades hipotecadas. Quanto à percentagem para a extracção, parece-lhe que os $01 que pede a moagem são demais, e isso pelas informações que tem e que expõe á Câmara.

A taxa da panificação, que já ouviu afirmar ser de 2$25, tambêm lhe parece excessiva, porque, segundo os dados que colheu e que expõe, deve crear por 1$40 para uma laboração diária de cinco sacos de 75 quilogramas.

Com respeito à moagem e á sua percentagem, deve dizer que o preço do pão depende da percentagem da farinha n.° 1 que a moagem dá aos consumidores. A moagem procura sempre, porque isso lhe dá mais lucro, empurrar aos fornecedores a maior quantidade possível da farinha n.° 1, e devendo fornece-la na percentagem de 1 por 3, fornece-a sempre na de 1 para 1,5. Isto, principalmente nas provinciais, tem grandes inconvenientes, porque há pontos onde a farinha n.° 1 quási não tem consumo.

O discurso será publicado na íntegra quando o-ovador restituir as notas taquigráficas.

O Sr. Presidente: - Interrompe o orador para lhe observar que deu a hora de se passar à segunda parte da ordem do dia.