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926 ACTAS DA CÂMARA CORPORATIVA N.º 82

Partindo dos números citados, diz-se no relatório em referência ser possível prever para 1975 as seguintes disponibilidades:

Toneladas
De cavalo e muar .................. 1 510
De bovino (leiteiro) .............. 28 950
De bovino (carne de trabalho) ..... 87 770
De ovino .......................... 26 300
De caprino ........................ 3 940
De suíno .......................... 86 190
De animais de capoeira ............ 25 000
259 660

Litros
Leite .............................486 000

Toneladas
Toucinho e banha .................. 82 000

as problemas da pecuária oferecem, pois, um sem número de aspectos fundamentais, em que há a destacar, e para as quais a secção chama a atenção, os seguintes:
I) Fomento forrageiro. - Torna-se indispensável interessar os agricultores na expansão das culturas forrageiras, base de uma pecuária evoluída e de qualidade. Um simples exemplo: das sementes certificadas obtidas através da Federação Nacional dos Produtores de Trigo no triénio de 1960-1961/1962-1963, que atingiram 20641, apenas foram requisitadas pela lavoura, para utilização, 868 t!
A secção é de opinião que tudo o que se realize neste sector, e bem necessário é, deve ser orientado de forma a traduzir-se numa efectiva expansão e melhoramento do cultivo das forragens.
II) Produção pecuária. - Por meio da importação de animais para a constituição de núcleos válidos, fornecimento de reprodutores e pela melhoria das raças autóctones, haverá que aumentar e melhorar os efectivos pecuários de forma a, em número e qualidade, se atingirem os objectivos considerados necessários ao abastecimento público em carne e leite em níveis aceitáveis e se intensificar o consumo do leite e derivados, especialmente entre a juventude.
Entende-se que este aspecto, o da importação de gado seleccionado, que não pode desligar-se do fomento forrageiro, deve ser motivo de prioridade na distribuição das verbas atribuídas.
Recorda-se também o alto interesse que a pecuária oferece à economia das ilhas adjacentes, o seu contributo para o abastecimento do continente e a necessidade de os seus problemas serem, em colaboração com os organismos dependentes de juntas gerais, objecto do maior cuidado e interligação com os continentais.
III) Industrialização e comercialização. - Embora fora do âmbito do projecto de Plano, são factores inseparáveis de qualquer política da fomento pecuário.
IV) Preços. - Convém ter presente que não poderá haver produção pecuária suficiente sem preços compensadores. Torna-se indispensável o conhecimento sistemático dos custos de produção e sua evolução através de orgânicas adequadas, para que, por distorção dos preços, não surjam novas inversões, como a verificada em 1962, de se terem abatido 250 000 vitelas e 175 000 bovinos adultos, o que, não só é menos lógico, como compromete largamente os objectivos previstos de adensamento pecuário.
Entende-se que o fomento da avicultura, pela sua larga comparticipação no abastecimento público e importância económica que oferece, deve ser estimulado e amparado devidamente.
A secção quer frisar a preocupação da lavoura resultante da dizimação dos efectivos de suínos no Sul e Centro, consequência da epidemia da peste suína africana, agravando a situação anteriormente afectada pelo decréscimo não justificado de consumo de gorduras animais, com largas repercussões na valorização dos montados e nas economias privadas e do País, e emite voto no sentido de que se dispense aos estudos técnico-económicos deste problema, cuja acuidade por vários motivos é manifesta, a maior das atenções.

c) Assistência técnica e extensão agrícola

22. Na «assistência técnica e extensão agrícola» está a chave do sucesso, a causa do êxito de toda a actividade dos sectores dedicados ao fomento e valorização agrícolas.
Assistência técnica, vulgarização, formação profissional, «extensão» na terminologia americana e pelos serviços dós Estados Unidos introduzida na Europa, representam um mundo de actividades, espectaculares ou não, a canalização dos conhecimentos, a apreensão das dúvidas ou deficiências da produção e que, no conjunto, constituem a «mola real» do sucesso da investigação e da experimentação. Misto de acção técnica, psicológica e de sociologia, a «assistência» engloba os problemas profissionais em toda a sua latitude e cada vez mais tem necessidade de não se afastar das bases da economia.
O que é certo é que a assistência técnica, da forma como é conduzida entre nós - e bem meritórios têm sido os serviços prestados -, não atingiu, ainda, aquele rendimento desejado. Em parte, em face da evolução das coisas e dos sempre bem limitados recursos de que tem podido dispor; por outro lado, devido a uma acção isolada, não só entre os ramos base da agricultura como na conjugação de todos os factores da técnica e desta com os da economia. Porque, como Chombard de Lauwe incisivamente afirma, «a técnica propõe; a economia dispõe».
A economia de produtos e de mercados e sua elasticidade implica, igualmente, um apoio aos seus agentes, em grau que foi até hoje difícil ou impossível obter, dada a extensa e dispersiva acção dos serviços e os recursos humanos e materiais relativos para uma actividade que tem de ser profunda, actualizada, para eminentemente válida.
Considerou-se no plano verba para «centros de gestão» e «explorações agrícolas de demonstração»: 4000 e 6000 contos, respectivamente. Pouco? Muito? Não é possível pronunciarmo-nos. Mas não parece ser a rubrica suficientemente dotada para a dispersão e importância do empreendimento.
Frisa-se que neste aspecto será limitada toda a acção estadual, por mais eficiente, se não tiver o amparo, o apoio e a confiança dos elementos da produção.
Conhece-se o interesse que em muitos países da Europa o estudo dos seus problemas oferece aos agricultores, a contribuição de toda a ordem que a eles dispensam, por iniciativa própria ou compartilhando e auxiliando a acção do Estado. Um dos muitos exemplos que se podem apresentar é o dos C. E. T. A. franceses, ou seja, os «Centros de Estudo de Técnica Agrícola», pequenos agrupamentos de produtores de regiões limitadas para estudo dos seus problemas com o apoio de técnicos privativos. E cada C. E. T. A. tem os seus «centros de gestão». A sua federação nacional apresenta um efectivo de trabalho digno do maior interesse. Em Portugal deve-se ao Centro de Estudo da Economia Agrária da Fundação Gulbenkian