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3 DE DEZEMBRO DE 1954 29

O Governo, compreendendo a força vitalizante que o desporto encerra, como criadora de energia e saúde, disciplinadora do espirito na formação de um carácter individual e colectivo, tem dispensado ao desporto toda a protecção que este merece.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador: - Os factos falam mais alto que as palavras, e é oportuno recordar neste instante e neste lugar as afirmações que o Sr. Presidente do Conselho fez em 1933, quando em manifestação calorosa os homens orientadores do desporto nacional lhe foram transmitir as conclusões do seu primeiro congresso:

Temos de reagir pela verdade da vida que é trabalho, que é sacrifício, que é luta, que é dor, mas que é também triunfo, glória, alegria, céu azul, almas lavadas e corações puros, e de dar aos Portugueses, pela disciplina da cultura física, o segredo de fazer duradora a sua mocidade em beneficio de Portugal. Eis porque muito bem compreendo o vosso sentir, as vossas aspirações, e porque creio tanto como no ressurgimento da nossa pátria pelas virtudes da vossa mocidade, que na realização metódica e certa das que me são agora presentes.

Sr. Presidente: nestas afirmações de tão autorizada e alta personalidade se encerra um vasto programa de actividade em favor do progresso material e moral da causa desportiva.
O Estado tem dado ao desporto, em todos os campos, tudo quanto lhe é necessário à sua propaganda e à sua expansão.
A criação de campos de jogos espalhados por todo o País e de estádios monumentais; o auxilio prestado aos clubes para melhoria das suas instalações; a criação de fundos especiais e subsídios destinados às agremiações que deles necessitem; a presença de atletas em campeonatos internacionais; o envio de delegados a congressos realizados em países estrangeiros; a instalação de centros de medicina desportiva; a actualização de princípios e criação de organismos regulamentadores e defensores da boa ética desportiva, como a Direcção-Geral dos Desportos e Saúde Escolar e o Instituto Nacional de Educação Física; a criação, com estatuto especial, da Mocidade Portuguesa, e tantas outras notáveis medidas tomadas em favor das novas gerações - esperança e futuro do Portugal de amanhã -, demonstram com eloquência e verdade a compreensão, a vontade e o esforço do Governo, que bem merece franco e sincero apoio da massa desportiva da Nação. E, fundamentando eloquentemente as minhas afirmações, medite-se na grandeza do sen significado futuro e presente.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Lisboa, bela e progressiva capital do mundo português, foi ontem teatro de um acontecimento desportivo que não pode deixar de ser apreciado, como é de inteira justiça fazê-lo.
De norte a sul do Pais a inauguração do magnifico estádio do Sport Lisboa e Benfica dominou a alma do povo, numa eloquente manifestação de entusiasmo, associando-se à alegria daqueles que ao desporto têm dado ou ligado uma grande parcela da sua vida.
Não podem fechar-se os olhos às realidades do presente.
A inauguração do magnifico estádio do Benfica transcendeu os limites de uma manifestação clubista e regionalista, pelo interesse com que foi vivida.
O mesmo facto, deveras consolador, que é preciso anotar e não esquecer, se verificou já quando da inauguração do majestoso Estádio Nacional, do estádio do Futebol Clube do Porto e do Estádio 28 de Maio, de Braga, realizações que honram quem as efectivou e honram também a causa que lhes deu origem-a causa desportiva, profunda e eminentemente patriótica e nacional.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador: - Quem como nós durante largos anos tem acompanhado o desenvolvimento sempre crescente das actividades desportivas não pode deixar de experimentar um sentimento de ufania, de orgulho, ao exteriorizar perante a Assembleia Nacional o sen vivo aplauso pela obra realizada pelo Benfica, à custa de intenso labor, dominando todas as responsabilidades e vencendo todas as dificuldades.
É uma obra de sacrifício honrado em favor do ideal tão rigorosamente observado e cumprido, dentro do ecletismo de uma colectividade de tradições tão brilhantes!
O estádio que os homens do Benfica ergueram em Carnide, para glória e engrandecimento do grande clube, fica ali como padrão a atestar às gerações vindouras dos seus associados a fé, a energia e a vontade de quem tão devotadamente soube lutar e soube vencer.
E nesta hora de triunfo não posso deixar de lembrar o valioso apoio moral e material que os altos poderes do Estado e os seus organismos técnicos sempre têm dispensado aos anseios da população desportiva.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Sr. Presidente: foi brilhante a festa de ontem, a que presidiu o ilustre Chefe do Estado, assistido pelo Governo e com a presença de altas presonalidades da política, da ciência e das artes, e o povo humilde comungando no mesmo entusiasmo.
Portugal desportivo esteve em Carnide associado ao acto de verdadeira consagração a que o Benfica com real merecimento deu causa.
Sentiu-se a vibração e a fé dos grandes momentos.
A bandeira das quinas, orgulhosamente batida pelo vento e dourada pelo sol, na majestade e na grandeza do seu alto simbolismo, dominava o conjunto como afirmação solene da eternidade da Pátria e confiança depositada na mocidade de Portugal - esperança de hoje, certeza de amanhã.
E a cansa desportiva bem tem sabido honrá-la e dignificá-la.
Sr. Presidente: daqui, do alto da minha tribuna de Deputado, velho praticante e dirigente, saúdo o Benfica, apontando-o como exemplo que deve ser imitado e seguido, a bem da Nação.
Disse.

Vozes: - Muito bem, muito bem!
O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Paulo Cancella de Abreu: - Sr. Presidente: ao abrigo do artigo 49.º do Regimento, desejo ocupar-me, mediante aviso prévio, dos problemas do plantio da vinha, dos preços do mercado dos vinhos e da sua exportação, nomeadamente para o ultramar.
É grande o interesse do País por estes e outros assuntos relacionados com a vitivinicultura nacional e está cansando justificado alarme na lavoura das regiões onde a vinha constitui a cultura apropriada e tradicional o extraordinário incremento do plantio em regiões mais susceptíveis de outras culturas e onde o menor custo do granjeio e a maior produção por unidade permitem condições de concorrência insuportáveis para a lavoura onde