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3 DE DEZEMBRO DE 1954 31

O Orador: - Na verdade, é desde então que a Guiné, embora com disponibilidades muito reduzidas e nem sempre com o devido amparo da metrópole, começa a melhorar o seu campo de acção, desbravando a selva, abrindo estradas, criando centros comerciais, captando o indígena.
Drenam-se pântanos, lançam-se as primeiras pontes. Novos centros urbanos vão aparecendo. Abrem-se escolas. O comércio e a agricultura prosperam e antevêem-se os factores que hão-de melhorar as possibilidades económicas.
Mas, embora o progresso se vá acentuando, o caminhar é ainda lento e só passados os efeitos da primeira guerra mundial a acção continuada dos seus governadores consegue dar-lhe rumo mais seguro.
Depois, com o conhecimento das riquezas que a província oferece e a necessidade de as aproveitar, o ritmo de progressão acelera-se, e, então, assiste-se nos últimos anos a coisa surpreendente: a Guiné sacode-se, agita-se e lança-se abertamente na recuperação do tempo perdido.
Mercê do apoio moral e material dispensado pelo Governo Central na grande obra de renovação encetada pelo Presidente do Conselho, Sr. Dr. Oliveira Salazar, a Guiné contagia-se e, na presença do Subsecretário de Estado engenheiro Sá Carneiro, representando o Governo da Nação, consegue, em comunhão com a Pátria, comemorar o seu meio milénio de existência com notável série de realizações, em tal quantidade e qualidade que facilmente se não esquecerão.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - E, entre tantas até agora realizadas, poder-se-ão citar: o aproveitamento e valorização de terrenos para a intensificação das culturas; o repovoamento florestal; a estancia de repouso e a mata em Varela; a assistência sanitária e as campanhas contra a doença do sono e de combate à ancilostomíase; a captação e distribuição de água em Bissau; o estabelecimento de fontes em grande número de povoações; a substituição dos motores e da rede eléctrica da capital e o apetrechamento eléctrico das sedes das circunscrições; o estudo e aprovação dos planos de urbanização; a gradual substituição das pontes de madeira; o melhoramento das vias de comunicação; a abertura de mais escolas e do Colégio-Liceu de Bissau; o alargamento da acção missionária; a construção de edifícios públicos e de iniciativa particular; as casas para funcionários; o asfaltamento das ruas e avenidas de Bissau; o aeroporto e a sua estrada de ligação, o estádio, a continuação da obra social e cultural, que são sem dúvida melhoramentos dignos da época em que vivemos.
Destaco a difícil execução da ponte de Ensalmá, ligando a ilha de Bissau ao continente africano, velha aspiração da província, preocupação e anseio de tantos e ilustres governadores.
Mas há mais ainda: a ponte-cais de Bissau, notável obra da engenharia portuguesa, solenemente inaugurada em 28 de Maio do corrente ano, pelo ilustre Subsecretário de Estado Prof. Raul Ventura, em representação do Governo Central, é, sob todos os aspectos, uma obra magnifica que se impõe e de larga projecção económica no futuro da Guiné.
A acção do então governador Sarmento Rodrigues, em boa hora continuada pelo governador Serrão, marca indiscutivelmente o início de um dos períodos áureos da história da Guiné, que, com a execução do seu plano de fomento, consegue não só a conclusão e o apetrechamento da ponte-cais de Bissau, como do seu aeroporto, que ficava em condições de poder ser aproveitado em ligações mais directas entre a metrópole e a província.
O mesmo plano considera ainda, além da continuação do aproveitamento para as culturas de grandes áreas de terreno, a construção de outros cais e novas pontes, a regularização e dragagem do rio Geba, a construção em Bafatá da ponte sobro o mesmo rio, obra que está em curso e que, devendo ficar concluída durante o próximo ano, constitui, pelas vantagens que traz à economia da província, mais um padrão de indiscutível valor.
O Plano de Fomento, atribuindo-lhe a importância de 78 000 contos, dá ensejo à Guiné de mais poder valorizar-se, continuando a afirmar-se em notável progresso, que se situa no mesmo plano do das suas irmãs ultramarinas. Nada lhes terá a invejar.
Sr. Presidente e Srs. Deputados: perdoem-me V. Ex.ª este meu devaneio sobre as coisas da Guiné. É que tanto me lembro dela que quase me esqueci de que estava já abusando da benevolência de VV. Ex.ªs
E ainda não referi qual a razão por que pedi a palavra.
Li nos jornais da manhã do dia 10 de Julho - não tinham terminado ainda os ecos da triunfal viagem do Sr. Presidente da República a S. Tomé e Angola - o relato das declarações que na véspera haviam sido feitas à imprensa pelo Ministro do Ultramar.
Era dada a notícia da visita do supremo magistrado da Nação, no ano de 1955, à Guiné e a Cabo Verde.
A decisão do Sr. General Craveiro Lopes vem dizer-nos que S. Ex.ª mais uma vez se não poupa a fadigas e sacrifícios quando se trata de servir a Nação.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - A projectada viagem constituirá novo e alto serviço.
A viagem à Guiné e a Cabo Verde reveste-se de tão grande importância como a que S. Ex.ª realizou a S. Tomé e a Angola.
Na história da Guiné, o caso é único e tem importância excepcional.
Nunca a Guiné, nos seus mais de quinhentos anos de existência, teve a suprema honra que em breve vai ter: a de receber o mais alto magistrado da Nação, que ali terá ocasião de a conhecer de perto, auscultar a sua gente, verificar o seu progresso e avaliar as suas necessidades. Será o abraço da Mãe-Pátria, será a consagração à sua filha mais velha dos seus cinco séculos de lealdade e de patriotismo.
A Guiné não deixará de lhe dedicar o maior carinho e as mais elevadas atenções e afirmará a sua inabalável fé nos destinos da Pátria e o grande orgulho de ser portuguesa.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - A sua população juntar-se-á para manifestar a S. Ex.ª, de maneira iniludível, quanta gratidão enche os seus corações pela honra concedida, e não deixará ainda de exteriorizar o seu agradecimento ao Governo da Nação, ao Sr. Presidente do Conselho, ao Sr. Ministro do Ultramar, por tantas benesses recebidas.
Tal como eu, a Guiné apresenta a S. Ex.ª o Presidente da República, Sr. General Craveiro Lopes, as suas melhores homenagens e a expressão do maior reconhecimento por tão alto serviço que assim presta à Guiné e à nossa pátria.
Disse.

Vozes: - Muito bem, muito bem!
O orador foi muito cumprimentado.