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340 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 68

as possibilidades financeiras da Nação e a generosidade particular.
Ao afirmar a minha profunda simpatia por tais empreendimentos mais não faço do que respeitar princípios que calorosamente, defendi nesta Assembleia na sessão de 1 de Abril de 1948 - há perto de sete anos, portanto -, baseado em informações fidedignas e nos elementos estatísticos extraídos do Armário Demográfico de 1946 os quais não diferem sensivelmente dos dados congéneres invocados pelo Prof. João Porto.
Congratulo-me, pois, por reconhecer que não só muitos dos conceitos que expus estão convertidos em realidade objectiva, mas também por verificar que a respectiva, concretização ultrapassou por vezes o programa então enunciado.

Vozes: - Muito bem !

O Orador: - Sr. Presidente: como nossa data declarei, há doenças congénitas do coração e da aorta que vitimam sempre dentro de um determinado período de tempo, assim como existem outras moléstias provocadas pelo reumatismo cardíaco que, se não matam na fase aguda, incapacitam posteriormente seus portadores para o trabalho, acabando fatalmente por levá-los à sepultura, com maior ou menor brevidade, e sempre no meio de grandes sofrimentos morais e físicos.
Felizmente há uma dezena de anos que semelhantes cardiopatias são operadas por técnicos idóneos, curando-se quando descobertas e tratadas precocemente; para isso, a medicina já possui métodos especiais fie diagnóstico e equipas de clínicos, das quais nunca deixam de fazer parte o analista, o radiologista, o electrocardiologista e o cirurgião.
Muito me apraz saudar efusivamente, deste lugar todos quantos ministram assistência aos cardíacos portugueses, e particularmente o grupo de especialistas que trabalha no Centro de Cirurgia Cardiovascular de Lisboa.

Vozes: - Muito bem !

O Orador:-Sr. Presidente: a equipa médico-cirúrgica, cardiovascular e o seu sucessor, o Centro de Cirurgia Cardiovascular de Lisboa, vêm desenvolvendo incansavelmente benemérita actividade desde Fevereiro de 1953, sob o desvelado patrocínio dos Drs. Trigo de Negreiros e Melo e Castro, nas dependências do Centro de Cirurgia Torácica da Zona Sul do Instituto Nacional de Assistência aos Tuberculosos, no Sanatório D. Carlos I.
Os excelentes resultados obtidos determinaram uma indomável afluência de doentes- de 22 operados em 1953 passou-se para 85 no ano seguinte, achando-se actualmente regista-los mais de 1000 enfermos na consulta externa, sobre os quais se realizaram cerca de 7000 observações, 10000 electrocardiogramas e fonocardiogramas, 1200 radiografias, 80 cateterismos das cavidades cardíacas e dos grandes vasos pulmonares, com os respectivos doseamentos dos gases no sangue, etc.
Até agora foram operados 83 doentes com aperto mitral, dos quais 64 tiveram recuperação total, 14 recuperação parcial, 4 sem resultado, falecendo apenas l, números expressivos e que, comparados com os dos melhores centros de cardiologia do estrangeiro, constituem motivo de legítimo orgulho para Portugal; igualmente notável foi o êxito conseguido nas cardiopatias congénitas de 10 pacientes de doença-azul, 7 encontram-se completamente sãos.
Ora, Sr. Presidente, todo este movimento médico-cirurgico se fez à custa do denodado esforço e extrema dedicação de quatro médicos voluntários e de uma enfermeira e com a colaboração a franca e incondicional da equipa cirúrgica do Centro de Cirurgia Torneira da Zona Sul do Instituto Nacional de Assistência aos Tuberculosos, havendo-se gasto somente 250 contos em 1954, 122 dos quais se destinaram á aquisição de aparelhagem indispensável.

Vozes : - Muito nem !

O Orador: - Pena é que as instalações deste último organismo apenas para a cirurgia da tuberculose) permitam que o Centro de Cirurgia Cardiovascular se utilize do referido bloco operatório; com dependências privativas
- para operações e alojamento dos doentes - , quantas centenas destes não seriam totalmente recuperados pela cirurgia, entre os 40 000 portugueses (0,5 por cento da nossa população metropolitana) que se calcula sofrerem de cardiopatia reumática! Esta doença acometendo de preferência os jovens, encurta-lhes a vida extraordinariamente, não a deixando ir, em regra, além dos 30 a 35 anos.

Presentemente, mais de 50 enfermos - estudados. preparados e com indicação operatória absoluta - aguardam vaga de internamento, perante a dor moral daqueles que dispõem de 1 só dia semanal para tratá-los convenientemente! Só quem haja entrado numa consulta de cardiocirurgia, confundindo-se com os pacientes, sentirá devidamente a ansiedade dramática que ali reina: a esperança no rosto de muitos, haurindo as palavras de fé optimismo triunfante dos que já foram assistidos e curados, em contraste com o profundo desânimo e a angústia de tantos outros, cuja chegada tardia os colocou em situação desesperada, irremediavelmente condenados á morte!
IImpressionam as palavras de agradecimento dos operados, renascidos para a vida cheios de alegria, endereçados aos seus salvadores, como comovem até às lagrimas as expressões aflitivas dos doentes que apelam para eles sem poderem ser socorridos, por falta de lugar na sala de operações ou na enfermaria ou ainda pelo adiantado estado evolutivo da sua afecção!
Sr. Presidente.: as cardiopatias entre nos revelam-se um verdadeiro flagelo social, não menos grave do que os da tuberculose das neoplasias e do reumatismo; eis porque só há razão - para aplaudir o Governo por fortalecer a luta contra as doenças do coração, cabendo ao ilustre Ministro das Finanças as melhores homenagens por haver consignado, na lei orçamental do ano corrente, disposições que visam a enfrentar decisivamente tão útil e meritória empresa de valorização humana.

Tenho dito.

Vozes : - Muito bem , muito bem !
O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Ricardo Durão: - Sr. Presidente.: pedi a palavra porque julgo oportuna a minha intervenção num assunto palpitante. O caso é doloroso e em poucas palavras só reluta: uma pobre mulher, no último período de gravidez, morreu a caminho do hospital, depois do lhe terem sido recusados os devidos socorros numa maternidade, onde segundo se afirma, foi previamente observada.
Todos os jornais de Lisboa publicaram a notícia, o muitos deles com pormenores e protestos. Procedendo assim, nesta triste ocorrência, a imprensa exerceu livremente os seus direitos, e não fez mais que a sua obrigação. Pela minha parte como Deputado, ao vincar aquele facto nesta Assembleia, pronunciando-me. aliás, sobre os dados informativos que os jornais me facultaram e impressionaram toda a gente, não é por dema-