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22 DE JANEIRO DE 1955 387

ligião da Nação Portuguesa e a Igreja Católica, embora o Estado mantenha em relação a ela o regime de separação jurídica.

Vozes: - Muito bem !

O Orador: - Ainda bem porque assim o sentimos, manifestando ao Mundo, desta forma, que está em nós o sentido da vida plena, do corpo e do espírito (pois a nossa boa ordem material não é senão o reflexo da nossa sã orientação), e tanto ou mais ainda bem porque assim o praticamos, podendo regozijar-nos em paz com o facto que vai ser comemorado, na hora triste em que noutras nações uma onda brutal de materialismo pagão abafa e sufoca o influxo dos valores espirituais.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador: - Mas trata-se também da pessoa veneranda do Eminentíssimo Cardeal Gonçalves Cerejeira, que toda a Nação conhece e admira devotadamente: celebra-se a actividade apostólica de quem, depois de ter sido o orientador amigo e compreensivo que soube transfundir a sua alma na alma de tantas gerações de estudantes, e depois de ter sido o mestre consumado na cátedra, donde sempre espargiu a luz da ciência, se revestiu da plenitude do sacerdócio de Cristo para O mostrar e O ensinar e com Ele elevar e dignificar neste quarto de século a pessoa humana na lusitana terra.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador: - Vinte e cinco anos desse labor, durante os quais, por várias vezes, no ultramar e no estrangeiro, brilharam igualmente, nas cintilações da mais irradiante simpatia, as benemerências de representante e embaixador nobilíssimo da alma e do espírito universalista de Portugal, permitem concluir, apenas com a mais inteira verdade e justiça, que o Sr. Cardeal Cerejeira honra a Nação e que a Nação se honra com Sua Eminência.

Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem!
O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Presidente: - Certamente toda a Câmara acompanhou o Sr. Deputado Agnelo Rego no seu propósito de assinalar nos anais desta Assembleia a passagem do 25.º aniversário de elevação ao cardinalato de S. E. o Sr. D. Manuel Gonçalves Cerejeira.
São cinco lustros de actividade fecunda ao serviço da elevação espiritual e intelectual da sua diocese e do povo português.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Sr. Presidente: - Numa época em que os ventos dominantes são de triste materialismo e de baixo egoísmo é consolador verificar que a Assembleia Nacional, quer dizer os representantes da Nação, suspende momentaneamente o seu labor para se inclinar respeitosamente ante a figura eminente do Cardeal Cerejeira.
Muitos apoiados.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Sr. Presidente: - É do mais alto interesse anotar que, enquanto à frente do Estado, no decurso desse brilhante período da nossa história, um homem de excepcional envergadura de estadista promovia a restauração política, financeira e económica do País, outro homem no vértice da Igreja, em Portugal, simbolizava a sua restauração espiritual e moral ...

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Sr. Presidente:- ... homem cuja simplicidade de vida e bondade de coração só podem ser superados pela sua superior cultura e altíssima inteligência.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Sr. Marques Teixeira: - Sr. Presidente: pedi a V. Ex.ª a palavra para focar um problema que reputo de gravidade indiscutível, com profundas repercussões, não só de ordem económica, mas, sobretudo, de carácter moral, espiritual e social, em certas zonas do distrito de Viseu.
A questão que vou pôr situa-se à volta da emigração para certas regiões do País, e nomeadamente em relação ao Alentejo.

ara me habilitar, Sr. Presidente, a poder analisá-la em espírito de seriedade e com segurança, abordei e ouvi categorizadas individualidades investidas em funções oficiais e outras que, pela sua projecção social, poder observador e critério de discernimento, constituíam, de facto, valiosos agentes informativos e de elucidação.

Aqui lhes deixo, a todos, a expressão da minha homenagem e do meu reconhecimento pela bondade e solicitude com que me atenderam, certo de que, muito embora desvanecidamente registe a sua amabilidade pessoal, sei haverem-se determinado essencialmente pelo alevantado desejo de contribuir para a solução dum problema que considero ter, e na verdade tem, foros da maior acuidade.
Sr. Presidente: com base em dados que colhi, posso informar V. Ex.ª e a Câmara, a mero título explicativo, de que só através da estação dos caminhos de ferro da cidade de Viseu, apenas nos meses de Agosto a Outubro do ano de 1954, se verificou o êxodo dum número de pessoas que ronda a casa dos 1500. Sabe-se ainda que Sátão, Sernancelhe, Vila Nova de Paiva e Vouzela são os concelhos cujos naturais emigram em maior escala.
Não é difícil atinar com as razões provocadoras do fenómeno, que, de resto, são múltiplas, por vezes sobrepostas, e passo a mencionar, sem vinculação à ideia de qualquer hierarquia de precedência: necessidades materiais, jeito de aventura, gosto de emancipação.
Sem esforço se reconhece, Sr. Presidente, que o baixo teor de vida dos habitantes de algumas aldeias beiroas é agravado naqueles períodos do ano, relacionados com a falta de procura de mão-de-obra, conhecendo-se que a natureza cíclica dos trabalhos dos campos dá a estes a alternativa de intensidade e de afrouxamento. Naturalmente, então, o primum vivere impõe ao rural a humana necessidade da conquista do ganha-pão... onde lhe for possível conquistá-lo.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Com a ressalva de que o ideal (ideal ainda não conseguido entre nós e, aliás, creio que genericamente inatingido no Mundo) seria que o trabalhador pudesse encontrar aplicação para os seus braços sem se desenquadrar do seu próprio meio ambiente e sem cortar o contacto com a família - até aqui tudo se compreende e, atenta a natureza e fatalidade das coisas, possui explicação. Mas já assim não sucede quando o êxodo abrange adolescentes, sem personalidade formada, passando a ficar de todo libertos duma benéfica acção tutelar, sem uma vigilância orientadora