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10 DE FEVEREIRO DE 1955 573

De facto, encontramos uma produção média total da ordem de 139 000 pipas no período de 1934-1939 e de 138 000 nos períodos de 1940-1945 e de 1946-1952: nos períodos de antes durante e depois da guerra.
Estou, devo dizê-lo, a considerar propositadamente à parte, como, na realidade, excepcionais que são, as produções dos dois últimos anos, as quais se apagarão decerto na média dos anos que vão seguir-se, como, aliás, também pura trás várias vezes aconteceu com as produções, quase sempre elevadas, dos anos a terminar em 3 ou em 4.

As oscilações dentro daquelas médias são porém, enormes, tocando o mínimo de 52 milhões, de litros em 1952 e o máximo de 1050 milhões 1944 (contra 111 milhões em 1953, números redondos), mas sempre a obterem a compensação dentro duma média que se não altera em períodos relativamente curtos.
Estamos, assim, perante um caso que a organização corporativa está particularmente indicada para poder resolver (apoiados), devendo, porém, tudo ser feito de forma a fugir a artificialismos que acabem por criar pesos [...] ou problemas financeiros graves, que se transformem depois numa espécie de grilheta económica a pear movimentos para o futuro.

Ora, mesmo tomando em linha de conto, o ano anormalíssimo de 1953 não estaríamos fora das 145 000 pipas para a média a contar desde 1046, média ligeiramente inferior, é certo, à obtida considerando os dois a n.º 4 sucessivos de 1&&-1953, a qual, contudo, não chega ainda a atingir as 150 000 pipos.

A média anual da exportação do vinho do Porto - para a qual aceitamos a definição de vinho da região demarcada do Douro, envelhecido e exportado exclusivamente pela barra do Porto - mediu-se pelas 76 000 pipas no período de 1934-1939, pelas 30 000 no de 1940-1940 e pelas 45 000 no de 1940-1953.
Esta última subida registada verificou-se mesmo perante a restrição de certos mercados habituais do vinho do Porto que se encontram ainda, de momento, fora de condições que lhes permitam retomar as suas condições tradicionais: bastaria que a França e a Grã-Bretanha retomassem as suas posições de compra anteriores à guerra para voltarmos, por nossa vez, às posições de outrora, num nível que não andaria longe das 80 000 pipas anuais.
Mas será isso possível? Retarde-mos por um pouco a resposta e vejamos como se apresentam actualmente os volumes e destinos dos vinhos da região Duriense.
Para as 45 000 pipas que, em média, se têm anualmente exportado desde que a guerra acabou, podemos considerar umas 35 000 pipas de mosto; segundo registo da delegação do Porto do Grémio dos Armazenistas de Vinhos, mede-se por cerca de 55 000 pipas o seu consumo verificado na cidade do Porto e arredores; desçamos para 5000 pipas, na previsão da redução que parece aconselhar-se para a área do entreposto de Gaia, quanto ao escoamento anual verificado dentro dele para beberagens, avinhações e consumo dos armazenistas, o que representa uma redução quase para metade do consumo actual; não busquemos, no que toca aos vinhos destinados à queima, o volume que correspondesse às necessidades da aguardentação: limitamo-nos ao vinho na realidade escoado e destilado pela Casa do Douro e ficaremos pelas 29 000 pipas, que é a média verificada. Resta-nos agora o vinho anualmente consumido na própria região demarcada, e para o qual não estaremos muito longe da verdade admitindo uma média da ordem das 25 000 pipas.
Total: 149 00 pipas, ou seja um quantitativo superior, ligeiramente embora, a todas as médias que atrás referi.

Quer isto dizer, portanto, que a média dos consumos não se deixa exceder pela média das produções, havendo, assim, em relação à região demarcada do Douro, não que colocar excedentes que ano a ano se acumulem, mas sim que «acidentalmente» os colocar, na certeza de que não faltarão depois declínios de produção que os equilibrem dentro das médias normalmente verificadas dentro das actuais realidade de consumo.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - É esta a verdadeira situação, que se impõe conhecer e considerar.

O Sr. Melo Machado: - Como é que V. Ex.ª explica a grande crise em que está o comércio do vinho do Porto, se sai todo o vinho?

O Orador: - E que não sai todo o vinho. Eu estava dizendo qual era o consumo anual, que dá uma média de 140 000 pipas; em valor médio o nível de consumo está acima do nível da produção. Eu não digo que se acumulem os excedentes, mais que o excedente de um ano abundante possa suprir a falta de produção de outro ano.

O Sr. Melo Machado: - Mas isso não tem acontecido. Se efectivamente o consumo fosse paralelo à produção, não era natural a existência de excedentes.

O Orador: - Em relação à própria produção, o que ora preciso era que os organismos estivessem financeiramente apetrechados e com capacidade de armazenagem para que pudessem guardar as reservas para suprir as faltas; mas como os organismos não estão nessas condições, acontece que quando há dois anos seguidos de crise não há excedentes que possam suprir essa mesma crise.

Enquanto se trata, portanto, dum escoamento forçado, o problema deve ser resolvido dentro dum conceito equilibrado ide conjunto, que, saindo por fora das possibilidades limitadas da Casa do Douro, atenda, não unicamente às quantidades totais a escoar no Pais, em relação às quais se poderá investir determinado montante de dinheiro, mas sim a uma distribuição judiciosamente feita que atenda, como ó devido, aos custos da produção; quer dizer que se impõe rever, e modificar, os critérios de valorização dos vinhos escoados pelos organismos intervenientes aquando da sua acção reguladora do mercado, condicionando-os, de acordo com o superior interesse do País, até condições de produção local.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Por outro lado, todos sabem, julgo eu, que o custo da produção vinícola da região Duriense se apresenta francamente elevado em relação aos preços considerados correntes, ou em circunstâncias normais, para os seus vinhos quando a consumir como de pasto; e não há que fugir desta dolorosa verdade; e digo dolorosa porque traduz um estado económico-social desequilibradíssimo, em que nem de longe se enxerga riqueza modesta que seja na grande massa dos viticultores, e só miséria e sofrimento se encontra entre os trabalhadores da região.
Ora têm sido muitas vezes estes vinhos de qualidade de preço mais elevado de custo, como se poderá depreender de publicações oficiais, os que foram também pagos por menos preço no País, a acreditar no Office International du Viu.