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884 DIÁRIO DAS SESSÕES N. 95

Dignos Representantes da Nação Portuguesa!
O Brasil está presente na possua no seu mais Alto Magistrado. De pé, na emoção sagrada do momento histórico que passa, saudemos o Brasil: o Brasil. grande e jovem e já gloriosa Nação irmã a quem, uns nossos corações de portugueses, contundimos no muito afecto, na mesma ternura, no mesmo culto, com o nosso valor e glorioso Portugal!
Saudemos o seu eminente Chefe do Estado. Afirmemos assim, perante o Mundo, e frente ao futuro, a nossa fé o nossa confiança nas infinitas possibilidades do nosso génio, na eternidade da nossa civilização comum!
(Vibrante manifestação, feita de pé, pela assistência ao eminente visitante).
É sob o império destes sentimentos que, com vénia de V. Ex.a, Sr. Presidente, ou declaro aberta a sessão.
Subiu à tribuna o Sr. Deputado Manuel Lopes de Almeida que pronunciou o seguinte discurso:

Subo à tribuna, com a emoção natural de quem tem de desempenhar-se de um encardo honrosíssimo e nau desconheço as responsabilidades que oferece a eminência do lugar. Homem habituado a obedecer, arrisca-se a muito.
E, todavia, nada pode ser mais grato ao coração de um português quo dar-se ocasião de exprimir pró rostris as alegrias sinceras e os sentimentos festivos de todo um povo, neste lugar da sua legítima soberania, ainda que sinta que a sua palavra, é débil e de fraco engenho.
Hoje se reúnem em acto excepcional as duas Câmaras representativas da, vida orgânica da Nação Portuguesa, com desusado luzimento e geral espectação, mas não vai tão longo a nossa admiração que se estranhe seja assim. A perfeita ami/ade não admite quebras e os laços de sangue apertam muito connosco. As fortes alegrias movem as almas no mais intimo e às vezes dão razão a lágrimas que sobem do coração aos olhos misturadas do sorrisos. Homem sensível não pode sopear esse regalo amaro, e ainda que estremeça de comoção caminha direito u causa do seu afecto. Que festejamos nós?
As nações costumam inscrever nos seus memoriais as datas mais expressivas ou os factos mais relevantes da sua vida e do seu destino, e, conservando essas lembranças morredouras, não menos as veneram que delas extraem fecundos incentivos. Tá momentos na vida dos povos que são franca e coincidentemente propiciatórios de outros grandes acontecimentos, destes que denunciam a prossecução de um pensamento criador, quo implicam o respeito de uma acção de um pensamento criador, conhecimento de uma alta virtude, que mostram o merecimento de uma vida singular em beneficio da civilização humana. É então que a nossa consciência abrange na sua magnitude e no seu esplendente significado a obra heróica e bela em cujo exemplo o espirito se recria e ganha novas asas.

VOZES : - Muito bem, muito bem.

Quis V. Exa, Sr. Presidente da República do Brasil, em tal dia como o de hoje, fazer coincidir a sua presença veneranda com a lembrança da hora em que aos olhos perscrutadores e embevecidos de marinheiros portugueses se rasgou o tino pano de bruma que velava a terra da Vera Cruz. Faz hoje precisamente quatrocentos e cinquenta e cinco anos.

(A assistência, de pé ovaciona o Chefe do Estado do Brasil).

A vida o destino comum de nossos povos ambos provêm daí, desse momento genesiaco em que o homem se castiça amorosamente com a terra virgem e fecunda e a revela nas formas puras da sua origem, nos encantos. no mistério e na força quase inviolável da belo a inicial. Deus nos deu a graça de não só plantar a. árvore prometedora, mas de transmitir a sua palavra santa e o sopro do seu espirito imortal que maior alegria do que esta?

(Prolongados aplausos)

Estamos na realidade muito contentos, o, ao dizê-lo assim tão singelamente, sinto quo todas as palavras são bem pálidas e fracas para exprimir o alvoroço e a gratificação dos nossos Ânimos, pois neste dia de bom augúrio o laço das origens comuns se aperta, cerra e urina com renovado empenho.

(Aplausos calorosos).

A vinda a nossa, terra do um Chefe de Estado é sempre assinalável nos fastos e no coração de um povo amigo, mas agora me parece que a presença do mais. Alto Magistrado do Brasil sobre passa o acto de fidalga cortesia que ó de usança entre gente que bem se estima. A consciência colectiva e vigilante de uma sociedade esclarecida de si mesma, sem altivex, transmite de uma geração a outra a chama sagrada com que alimenta as suas recordações veneráreis.

VOZES: - muito bem, muito bem!

O nosso povo não conhece a História pelos livros absorvo-a nos lábios dos contemporâneos e nas recordações muito vivas de que Talam os seus maiores. Esta ó uma espécie de catequese, expressa em pequenas flores do eloquência humana, quo modela o homem moral e que lhe dá unia sensibilidade capaz e fina para tesouro de virtudes. Por esse País afora vai um contentamento inexaurível, e o raso disso, porque todo o Brasil está. junto a nós na pessoa insigne e na representação eminente do seu Chefe de Estado.

(Grande ovação).

Veio V. Ex. a esta Casa que tem nobres tradições de civismo, independência dignidade. Este é o lar de nossas liberdades e do nossos anseios e nossos protestos polo bem da Pátria, e nosso reconhecimento por tudo o que de grande lhe e devido. Para o receber reconstitui-se a antiga hierarquia portuguesa, pela conjugação das duas Câmaras que representam e exprimem toda a nossa vida política e social, na sua estrutura mais ampla e mais significativa.
O nosso actual direito político e a nossa vigente organização corporativa permitem aos cidadãos portugueses uma representação efectiva e uma intervenção ética nos actos e promessas da orgânica estadual. Neste momento apenas desejo marcar esse poder e direito de representação paru assinalar a V. Exa que homens de todas as províncias de Portugal, e tantas são as espalhadas no Mundo, somos presentes nesta sala, na maior diversidade do nosso múnus social e intelectual, desde o artífice ao sacerdote, professores e académicos, soldados e marinheiros, artistas o técnicos, todas as carnudas essenciais do nosso povo, nu mais expressiva c larga convivência política. E Portugal inteiro que acolhe V. Ex.a com franca admiração, com sincero respeito com funda gratidão. E como não seria assim?

(Vibrantes aplausos).

A presença de V. Exa não a tomamos, não, como simples visita de cortesia, o que já seria muito, mas como o entreabrir das lerias esperanças que surgem nos caminhos paralelos da comunidade luso-brasileira. De