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886 DIÁRIO DAS SESSÕES N. 95

aliás, nunca faltou, fez-se representar por S. Ex. o Ministro dos Negócios Estrangeiros com a distinção que é norma dos homens eminentes e a simpatia dos espíritos raros. Foi uma oportunidade singularíssima para os milhares do Portugueses que ali trabalham com dedicação e honradez saberem quanto são estimados pelo Governo do seu as, que conhece quanto o seu amor à terra onde moram só prolonga o mesmo enternecido afecto à terra- mãe. Foi uma ocasião sem par para robustecer e solar as promessas e os actos das horas solenes que vivemos.

(Aplausos).

Com motivo se diz que só se ama o que bem só conhece. Houve tempo em que apenas de raro em raro os representantes da literatura e das ciências visitavam reciprocamente os dois países irmãos, e mais extraordinárias ainda as estadas com verdadeira significação cultural. Neste particular do alguns anos para cá tudo é novo e diferente e a frequência com que passaram a encontrar-se os intelectuais de Portugal o do Brasil criou, e não seria do outro modo, maiores solicitações e mais vasta curiosidade pêlos problemas culturais do ambos os povos. Quem alguma vez assistiu a congressos e reuniões científicas internacionais conhece a estreita camaradagem o a constante familiaridade que logo se estabelece entro Brasileiros e Portugueses e como tais contactos têm sido efectivamente úteis para um mais acentuado conhecimento mútuo.
Foram principalmente as comemorações centenárias de Pernambuco e de S. Paulo que proporcionaram o desenvolvimento de uma ideia à qual por certo acudirão os dois Governos com solicitude e desvelo. A difusão do idioma comum, o património moral, literário e histórico que é cada todos nós, a honra da nossa mento o a dignificação da nossa inteligência o solicitam o requerem, como valores substantivos e inauferíveis que são, e também sumamente veneráveis pura que os defendamos com vigor acérrimo. Esta política de preservação da nossa cultura vai certamente encontrar eficiente execução através dos diplomas que particularizem os princípios do recente feliz Tratado de Amizade o Consulta entre Portugal e o Brasil.

(Apoiados gerais).

Já nesta sala, com a amplitude e a liberdade que são distintivo das assembleias políticas representativas, se concedeu ao Tratado de Amizade o Consulta as interpretação e debate que a sua importância e significado inteiramente mereciam. Ouviram-se então as mais ajustadas o ácidas palavras, que não surpreenderam por serem de quem são.
Por esse instrumento diplomático, que marca em nossos dias o ácume das amistosas relações da comunidade luso-brasileira, a política de solidariedade ocidental transcendo os tempos imediatos e solda novo anel à cadeia das gerações que deram sentido e missão ecuménica às nossas vidas.
grandes são os povos que sabem afirmar a sua razão e os seus direitos som moléstia nem agravo do outros povos e se o Mundo colhera muitos doutos exemplos creio que nunca se arriscaria a paz geral e não se temera a perda universal do mesmo Mundo, como ameaça o nosso tempo tão desabrigado e cheio de infortúnios. esta verdade do nossa parte a é grande o foro que nos é devido.

(Calorosos aplausos)

Difíceis o trabalhosos parecem os dias que o porvir nos avizinha e a cautelosa e triste expectativa nos faz lembrar o dito dos nossos velhos: unia espada sempre
serve em caso para qualquer sucesso, ao menos para se saber que o homem nela.
Mas enquanto não soa o brado feroz que traz espanto às almas estabelece-se um pacto outro nações fraternalmente conciliadas o com tão grande parto no concerto universal. Preserva-se deste modo, por um acto superiormente moderador, o conjunto de interesses morais o espirituais que deram aos nossos povos um lugar indisputável entre os que são amantes da paz e da justiça. Por outro lado, prevê-se a segurança dos caminhos essenciais à nossa existência colectiva e faz-se a afirmação do direito às nossas liberdades o franquias próprias, nenhuma delas impositiva. contrária ou mutiladora das vidas alheias o suas liberdades. Os Chefes de Estado de Portugal e do Brasil, que felizmente promulgaram esse instrumento diplomático de tão largo e prometedor alcance, têm a honra merecida.

(calorosos aplausos)

Sr. Presidente da República do Brasil. Conta-se de um rei que fazendo uma longa jornada por um reino vizinho os naturais lhe traziam como agasalho o melhor de sua fazenda e de seus suores. Passando, porém, por um lugar áspero e escasso, uni pobre rústico não tinha mais que pequena, gota de água. que ali trazia na palma da sua mão. R disse o rei *Tu mo dás o espelho da tua alma, quero guardá-lo em escrínio do ouro para lição de quanto podem os tectos da alma».
Senhor! Eu sou também um pobre rústico, por natureza e comoção rural da minha gente, o não tendo para ofertar-lhes senão a minha alma. onde desejaria vísseis a alma grande do meu por todo. Essa vo-la dou, como penhor dos votos (pio faço. para que Deus dê ao Brasil a paz. a alegria, a fartura na graça o na beleza da sua irradiante e forte juventude.

(A assistência de pé ovaciona S. Exa o Presidente da Republica dos Estados Unidos do Brasil e o orador).

Usou da palavra, em seguida o digno Procurador Júlio Dantas, que pronunciou, o seguinte discurso:

Senhor Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil:
Cabe-mo a alta honra de apresentara Vossa Excelência os cumprimentos de boas-vindas da Câmara Corporativa.
Devo talvez este privilégio aos meus sentimentos, por demais conhecidos, de afecto pelo Brasil e, porventura, a circunstâncias de vária natureza que, durante a minha, longa vida pública, um aproximaram da grande Nação. Membro das suas Academias, doutor pelas suas Universidades, duas vezes embaixador em missão especial ao E i o de Janeiro, cidadão brasileiro honorário por decreto do (Governo Federal - para mim, Senhor Presidente, saudar o Brasil é estender os braços à minha segunda Pátria. Apresentando a Vossa Excelência as homenagens da Câmara a quo pertenço não lhe trago apenas uma saudação impessoal e fria. moldada nos padrões clássicos da linguagem diplomática e da cortesia internacional. Trago-lhe a expressão viva dos meus sentimentos pessoais. Trago-lhe a minha profunda admiração pelo grande Povo que está renovando na América o esplendor do génio latino. Trago-lhe a minha fé ardente nos destinos da grande Nação Brasileira. Trago-lhe. Senhor Presidente, o meu coração reconhecido.

(Grandes aplausos).

A auspiciosa visita de Vossa Excelência retribui aquela que em Chefe de Estado Português fez ao fim do Janeiro para agradecer o serviço quo nos prestara o Brasil proclamando, havia um século, a sua