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346 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 117

Foi oposta formal negativa a semelhante receio, tendo-se procurado provar que a natural evolução e renovação do rebanho de mais de 40 000 cabeças não permitirá a temida desvalorização.
No entanto, em 1955, a exportação baixou para 1754. Importa, pois, melhorar o existente, se não se puder aumentar a quantidade. Essa melhoria terá de ser procurada no cruzamento de outras raças adequadas, mas sem prejuízo do desenvolvimento e aperfeiçoamento da raça nativa, chamada do Ramo Grande, do concelho de Vila da Praia da Vitória, que fornece os mais belos exemplares. Isto no que respeita à Terceira, mas procedimento semelhante será adoptado em S. Jorge e Graciosa.
Mesmo nesta, apesar da sua fraca população, convirá melhorar e, se possível, aumentar o seu gado.
Tem sido costume, aia Terceira em especial, dar preferência à produção do leite destinado à indústria, não se cuidando tanto de melhorar a qualidade da carne exportada.
Daí a simpatia que de longo tempo levou alguns lavradores a formarem os seus rebanhos com o gado holandês, que, como se sabe, compensa o seu fraco índice de gordura com uma maior quantidade de leite produzido.
No entanto, a carne dessa raça não apresenta o mesmo valor, parecendo pois que numa melhoria de gado para abate deve ser procurada outra cruza, talvez com a Short-Horn, de vocação mista, de que a Junta Geral do distrito tem alguns exemplares.
Compete no entanto aos técnicos daquele corpo administrativo, dentro das directivas superiores, escolher o melhor caminho a seguir para este importante fim a atingir.
A pastagem, quer se trate de um aumento da população bovina, quer de uma melhoria da sua qualidade, é factor importante da alimentação do gado, que não só o mantenha, mas que, na precisa altura, o engorde e ponha em estado de abate ou de embarque.
É preciso, portanto, criar mais e melhores forragens, cultivar terrenos incultos, que ainda os há na ilha Terceira, e transformá-los em- extensas e boas pastagens.
Aquele elemento poderoso da nossa posição entre as (ilações ocidentais o aeródromo das Lajes roubou à Terceira muitas e ricas terras de cultivo, que lhe fizeram falta. Era necessário compensar essa perda, arroteando baldios e recuperando incultos.
A Junta Geral deitou mãos à obra e com um auxílio do Estado, expresso por um crédito reembolsável de 6000 contos, a levantar por anuidades, concedido em 1947, conseguiu iniciar uma obra meritória e de alta utilidade para a economia da ilha, a qual prosseguiu com os melhores resultados.
Pena foi que o auxílio do Estado tivesse sido suspenso por algum tempo, em virtude de não se ter recebido uma anuidade que parecia desnecessária de momento; mas, felizmente, pôde já ser incluída no orçamento do corrente ano, por manifesta boa vontade do actual titular da pasta das Finanças, a verba de 1000 contos a esse fim destinada.
Poderá assim continuar essa importante obra de recuperação de terrenos e consequente produção de forragens.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Deve notar-se que há muito quem trate bem das suas pastagens e apascente convenientemente os seus gados. A importação de adubos no distrito é importante. Mas também há muito más orientações
a esse respeito e os inevitáveis desleixos de toda a parte.
Importa, certamente? que a orientação técnica acuda onde for possível remediar, o que estou certo sucederá, pelos serviços agrícolas da mesma Junta, em todas as ilhas do distrito.
Sabido é, e muito ventilado tem sido, que o maior prejuízo para o gado importado dos Açores é a forma por que é embarcado e transportado, sentido-se ainda mais isso naqueles portos onde não há cais acostáveis, porque os embarques nas lanchas fazem correr aos animais, por vezes, graves riscos.
Depois, os vários dias passados a bordo dos vapores, em más condições de instalação, de arejamento e alimentação, fazem-nos perder peso e desembarcar com má aparência, até doentes.
Filiou-se talvez em casos destes a célebre peripneumonia que motivou o sequestro do gado açoriano durante muitos anos, que, embora não impedisse o abate, lhe fazia, perder boa parte do seu valor.
Dispenso-me de qualificar este procedimento, de tão triste memória e de tão graves e injustas consequências. Enfim, o processo transitou em julgado.
Pois, por motivo do prejuízo sofrido pelo gado assim transportado vivo, entende-se que deve ser abatido na origem e frigorificado.
Desde que a Empresa Insulana apresentou ao serviço ò seu barco Terceirense, com especiais disposições para transporte de gado e com as suas três câmaras frigoríficas de 60 m3, com capacidade para uns 40 000 kg de carne congelada, ou cerca de 20 000 kg de carne frigorificada, a ilha Terceira, pelo seu Grémio da Lavoura, principiou logo as suas experiências de exportação de carne nestas condições, que deram excelente resultado, a não ser uma viagem em que a carne se perdeu, não se sabe porquê.
Houve suas indemnizações, o caso passou e voltou-se mais tarde à mesma prática, com bom resultado.
O vapor Lima possui também duas câmaras frigoríficas, e uma delas trouxe da Terceira 5000 kg de carne na sua última viagem.
Tem sido sempre esta ilha que, feita a experiência, tem seguido a prática preconizada para toda a exportação, anulando assim os riscos do embarque e o prejuízo do transporte em vivo. Pena é que não se possa aplicar o processo a todo o gado exportado.
A Câmara Municipal de Angra, montando em. tempos um frigorífico no seu matadouro, com outra finalidade, é certo, veio, no entanto, facilitar aquela prática, tão útil e de ensinamento para um futuro que todos nós desejamos seja próximo.
E evidente que não se poderão montar frigoríficos em todos os concelhos do distrito, mas será possível reunir o gado vivo em Angra e até ser abatido.
Entretanto precisamos de diminuir os riscos do embarque do gado e conseguir as melhores condições do seu transporte.
Aqui se prova, mais uma vez, a deficiência do porto de Angra e do seu apetrechamento, lembrando os clamores de uma população, .assim tão desfavorecida, que tenho trazido a esta Assembleia pela minha fraca voz.
Ainda que esteja tratando de assunto tão diverso neste momento, a sua relação com as convenientes condições do porto permitem-me apelar para o Sr. Ministro das Obras Públicas, rogando-lhe a sua atenção para esta mais que justificada necessidade da Terceira - o seu porto. S. Ex.ª deve ter trazido da sua, visita a Angra, o ano passado, impressões cabais sobre este assunto, as quais lhe permitirão ordenar o estudo do novo projecto, que se impõe, como inteligente sugestão.