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20 DE JUNHO DE 1956 1155

Vão mesmo mais longe: se não existisse capitalismo não haveria guerra. E é curioso que esta teoria não consiga explicar porque a houve na Coreia e na Indochina, de dentro para foro, e porque a fizeram eles na Polónia, e na Prússia, e até em Berlim.
Além disso, dizem, com base no subconsumo geral e no ciclo, que as classes numerosas não consomem porque não podem comprar, e esta situação geral acarreta e culmina numa luta sem tréguas e sem restrições pela conquista dos mercados, a fim de obter extra a elevação do nível necessário e desejado dentro.
Assim os imperialistas querem anexações - na Lorena, na Bélgica, na Ucrânia ...
Não se esqueça que os Russos nesta matéria e mostraram leaders e mestres em anexações e devorarão de tudo à sua volta.
Leo Robbins discute, rebate, destrui a tese leninista. Embora haja lucradores de guerra, financeiros que contam com ela para os seus cálculos e operações, também - não faltam -são mesmo maioria- os que querem trabalhar, negociar e empreender uma paz sem complicações e que pensam que os negócios se expandem quando as causas de fricção ou as preparações belicosas não existem.
É também certo, como nota Sombart, que as grandes expedições podem formar opinião, criar riqueza, assegurar mercados; mas digo eu: entre o capitalismo, com seus lucradores, o socialismo total e o capitalismo do Estado, à moda russa, levam estes a palma e mais que ou trem acrescentam o seu saco sem conta nem medida.
A guerra engrandeceu generais como César, Wellington, Wallenstein, Marlhorough, Schomherg, Bonaparte, Bismarck?
Junot, Soult e Massena saquearam precavidamente e já cientificamente?
Banqueiros ousados e financistas prepararam-se para adiantar dinheiro e jogaram na vitória de um contra os outros?
Krupp e Schneider ganharam antes e depois-lucraram a dois carrinhos?
São factos conhecidos, como as perdas dos vencidos, que jamais, se recompõem, os custos dos vencedores, que nem sempre serão pagos, e que obrigam a estar atento ao desenvolvimento económico da guerra, à sua cristalização em lucros, o que obriga a fiscalizar, a lutar e sobretributar antes, e depois, e sempre.
Se o subconsumo tosse motor, a Rússia teria deixado há muito os seus quartéis de Inverno.
Se, por aparências, as guerras parecem obedecer por inteiro às determinantes económicas, elas se mostram, antes do mais, guerras políticas, mesmo quando procedem de motivações económicas e se destinam a obter resultados dessa ordem.
A estratégia tem dado as mãos à religião, à potência nacional, aos antagonismos de estrutura, sem com isso esquecer os seus interesse e nem deixar a economia de reivindicar também a partilha do leão.
Desde que há muitos anos Riesser estudou a preparação e condução financeiras da guerra a teoria progrediu o bastante e a prática encarregou-se de esclarecer quaisquer dúvidas que ainda houvesse.
O dinheiro é o nervo da guerra e é preciso buscá-lo pela melhor forma em escala insuspeitável. Recorre-se ao empréstimo a longo e a curto prazo. Servem os bilhetes do Tesouro, por muito que custe. Recorre-se a meios circulatórios internos, pondo em jogo as possibilidades das caixas e banca comercial.
Do mesmo passo tem de lutar-se contra a inflação e os lucradores de guerra, o desenvolvimento do «mercado negro», a escassez de produtos, o açambarcamento, e tributar fortemente ainda. O imposto esta sempre antes do empréstimo para a liquidação actual, mas está depois se as gerações futuras deverem suportar os custos.
Dentro de orientações já marcadas são de preconizar as tácticas e políticas que obedeçam à ideia de justiça, luta contra o parasitismo e estabilização.
Este aspecto requeria divagações enormes, mas a proposta não o considera nem tinha de considerá-lo, conhecido como é.
A economia da guerra moderna e total súbita entre nós graves problemas e perplexidades.
Vamos realizar a autarquia possível? Essa autarquia compreende os limites peninsulares? Fica-nos assegurado o tráfego marítimo? A nossa defesa unir-se-á estreitamente aos territórios de além-mar? Há abismo entre a potencialidade económica e a militar? Podemos e devemos prever tudo ou deixamos à ordem natural e à recomposição económica a satisfação de deficiências e faltas? Começamos por mobilizar os cimentes, as matas, os metais?
Como vamos suprir a falta de carburante e a escassez de matérias-primas?
Que medidas temos de tomar para aprovisionamento e stockagens prévias?
Enfim, são tais as tarefas que só a palavra «milagre» dirá da sua ordem de grandeza e qualificação.
A guerra será relâmpago-nuclear ou usura resistente s defensiva?
Deixem-me apenas dizer: se a guerra que vem é de aniquilamento e total, a economia terá de ser inteiramente planificada - com previsão, cautelas e detalhes levados até ao último pormenor.
Devem ter-se preparados o programa ou os planos de conversão que declarem as produções não atingidas, as produções a adoptar e a transformar e o desenvolvimento adicional requerido a certos compartimentos actuais.
Depois tem de haver previdência quanto a certas reservas e stockagens.
Por fim uma economia programática terá de funcionar o melhor possível dentro das precárias condições em que nos acharmos.
A lei, como veremos adiante, dispõe sobre indústrias vitais, militarização da grande camionagem e mobilização do Raminho de ferro.
O serviço de distribuição de víveres está montado segundo anterior experiência.
Hoje sobrevêm problemas novos que complicam as tarefas sobre-humanas já conhecidas - há que montar uma economia de sucedâneos; tem de contar-se com a nocividade de certos elementos políticos - as greves em 1914-1918 custaram mais que as perdas submarinas; defende-se a intensificação do comércio possível.
Entre a economia planificada integral, o intervencionismo bastante e o máximo de liberdade possível, a lei adopta um critério elástico e rudimentar, defensável também.
Em todo o caso, a necessidade de programação impõe-se para preparar antes de remediar e remediar ainda quando for tempo.
É a altura de examinar a técnica da proposta.
Chegou a altura de referir o quede essencial no campo dos princípios, das mecânicas administrativas processos se contém na presente proposta de lei relativamente à economia da pré-guerra e da guerra.
Vistos os meios, debatidos as condições e formas, esboçadas as tendências de reorganização, devo assim salientar os processos da técnica jurídica previstos pelo legislador para realizar os fins do diploma e estabelecer a disciplina necessária à preparação e condução das operações, bélicas.
Todos como eu, através da proposta e do louvável parecer da Câmara Corporativa, puderam, por alguns