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1200 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 157

Pereira, « não temos de nos admirar da relativa lentidão verificada no domínio das actividades particulares, quando o próprio Estado, em muitos dos seus sectores, tem tido pouca pressa de se converter à fé corporativa».
Será ainda ajustada e actual esta observação de autoridade tão meritória na matéria?
Não o sabemos. Não podemos responder.
O que se nos afigura é que o critério de actuação tem de ser unificado, inequívoco, de modo a obstar a que interpretações porventura variadas conduzam à confusão e à diversidade de tratamentos.
Este, a meu ver, o primeiro perigo a evitar: a dispersão das coisas e dos factos, ao sabor desta ou daquela susceptibilidade de entendimento, ao sabor desta ou daquela orientação superior.
Os inconvenientes estão à vista, são manifestos.
Sr. Presidente: estas nossas apressadas e despretensiosas considerações, não sendo um exame de fundo dos problemas que a matéria corporativa comporta ou admite que se equacionassem, também não pretendem ser uma ajuda, um contributo para esclarecimentos definitivos. Serão antes, se quiserem, a definição de uma posição pessoal, é certo, mas gémea, igual a tantas que há uns trinta anos não souberam recusar o seu esforço então juvenil e, como hoje, ainda idealista ao empenho de saber querer a renovação de Portugal.
Se tudo isto, no plano da acção concreta, envolve qualidades de coerência de pensamento, de muita prudência e de esclarecido bom senso, suponho todos reconhecerem que a pessoa de quem, no caso, mais as devemos esperar já delas deu provas iniludíveis ao País, até noutros sectores de administração. Refiro-me, como é sabido, a S. Ex.ª o Sr. Ministro das Corporações, a quem me apraz render sinceras homenagens. S. Ex.ª revela-se-nos, assim, como a primeira certeza a ter em conta para que se possa meter ombros à empresa e então ... «realizar na fé».
Todavia, o exercício da prudência deste bom senso, na medida em que, por definição, selecciona oportunidades e investiga métodos, não pode, segundo me parece, ser submetido a formulação abstracta de limites de tempo, sob a forma rígida de prazos. Prazos? Porquê cairmos dessa forma em excessivas regulamentações? Se a pressa, neste ou naquele caso, pode traduzir inquietações salutares e ansiedades espiritualmente legítimas, também é certo que a sabedoria da Nação anotou, há muito, que as pressas dão às vezes em vagares ...
Se quisermos realizar obra de consolidação - e ninguém, é claro, duvida da associação desses propósitos ! -, parece-nos que é o aspecto intrínseco ou substancial dos problemas que nos deve merecer maior atenção, relegando para plano secundário o aspecto de natureza formal.
Seja como for, nesta nova cruzada, que ora se enceta, em prol da reforma dos espíritos e da justiça social, façamos um acto de viva fé, profundo e radicado, de que as consciências responsáveis não se recusem ao necessário exemplo de rasgar caminhos sempre coerentes com a doutrina, para que a luz ilumine as sendas do futuro da Nação Portuguesa tal como é definida
pela Constituição Política: unitária e corporativa. São os nossos votos!
Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem!
O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Presidente: - O debate continuará na sessão de amanhã.
Está encerrada a sessão.
Eram 18 horas o 15 minutos.
Srs. Deputados que entraram durante a sessão:
João Luís Augusto das Neves.
Joaquim Mendes do Amaral.
Pedro de Chaves Cymbron Borges de Sousa.
Teófilo Duarte.

Srs. Deputados que faltaram á sessão:
Abel Maria Castro de Lacerda.
Adriano Duarte Silva.
Agnelo Orneias do Rego.
Alberto Cruz.
Alberto Henriques de Araújo.
Alberto Pacheco Jorge.
Alfredo Amélio Pereira da Conceição.
Antão Santos da Cunha.
António de Almeida.
António Bartolomeu Gromicho.
António Calheiros Lopes.
António da Purificação Vasconcelos Baptista Felgueiras.
António Rodrigues.
António Russel de Sousa.
António dos Santos Carreto.
Augusto César Cerqueira Gomes.
Carlos Vasco Michon de Oliveira Mourão.
Gaspar Inácio Ferreira.
Gastão Carlos de Deus Figueira.
João Afonso Cid dos Santos.
João Alpoim Borges do Canto.
João da Assunção da Cunha Valença.
João Carlos de Assis Pereira de Melo.
João Cerveira Pinto.
João Maria Porto.
Joaquim de Moura Relvas.
Joaquim de Pinho Brandão.
José Dias de Araújo Correia.
José Gualberto de Sá Carneiro.
José dos Santos Bessa.
José Sarmento de Vasconcelos e Castro.
Luís de Azeredo Pereira.
Luís Maria da Silva Lima Faleiro.
Manuel Cerqueira Gomes.
Manuel Maria Sarmento Rodrigues.
Mário Correia Teles de Araújo e Albuquerque.
Miguel Rodrigues Bastos.
Pedro Joaquim da Cunha Meneses Pinto Cardoso.
Ricardo Vaz Monteiro.
Tito Castelo Branco Arantes.

O REDACTOR - Luís de Avillez.

IMPRENSA NACIONAL DE LISBOA