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824. DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 112

para que possam vir a conquistar um lugar na vida como qualquer filho de família menos sujeito aos azares da fortuna.
Esta a feliz conclusão que mais uma vez tirei e vi confirmada - eu, que reivindico a posição entre aqueles que mais fé têm nos princípios do Estado Novo -, esta a consoladora certeza que terão os Portugueses, e, nomeadamente, os alentejanos do Sul, nessa hora tão generosamente contemplados pelos favores da atenção da tão alto dirigente do País.
Sr. Presidente: vou terminar. Mas, antes de o fazer, quero chamar a esclarecida atenção de V. Ex.ª e da Câmara para o alto exemplo de cristã dedicação dada ao Mundo por esse homem, o padre Joaquim Fatela, que, não obstante os seus múltiplos deveres de sacerdote e professor, se dedicou inteiramente a uma causa nobre entre as mais nobres ao tomar conta da educação de mais de cem rapazinhos órfãos, a quem ele prodigaliza os maiores cuidados e da melhor forma cuida e educa como se fora o chefe de uma grande família; tudo isso se demonstra sobejamente ao ver a forma como esse rapazes se apresentam em público, nas festas como na vida de todos os dias, na escola como nas oficinas em que aprendem, cheios de humana dignidade, com um porte impecável e gozando a mais perfeita saúde. E se não soubéssemos o que se passa no pormenor, só por estes três factores referidos seríamos forçados a concluir que o padre Fatela cumpre integralmente o seu dever, esse sagrado dever que lhe foi transmitido pelo seu iniciador, o santo padre Américo, de tão saudosa memória.
Daqui, Sr. Presidente, se me é permitido por V. Ex.ª, dirigo o meu comovido louvor à Junta de Província do Baixo Alentejo, e ao seu ilustre presidente pela feliz resolução que tomou ao entregar em mãos tão virtuosas e a inteligência tão esclarecida e animada de sopro divino os destinos da Casa Pia de Beja, da nossa querida Casa Pia, como nós em Beja lhe chamamos.
E mais uma vez tenho a honra, de solicitar ao Governo de Salazar que continue aprestar àquela útil instituição, de tão belas tradições, a sua ajuda valiosíssima, que tantas vezes lhe tem concedido.
Por tal motivo, os baixo-alentejanos, que com tanto entusiasmo têm sempre vivido o problema daquela casa de caridade, lhe ficam eternamente reconhecidos.
Tenho dito.
Vozes: - Muito bem, muito bem!
O orador foi muito cumprimentado.
0 Sr. Rodrigues Prata:-Sr. Presidente: limitarei a minha intervenção a poucas palavras, só para que no Diário das Sessões fique assinalada a satisfação, a alegria, direi mesmo o orgulho com que a população do distrito de Portalegre recebeu no passado sábado, dia 23, a visita de S. Ex.ª o Sr. Presidente da República. E que luzida embaixada, Sr. Presidente! Os Srs. Ministros do Interior e das Obras Públicas, Secretário de Estado da Agricultura, Subsecretário das Obras Públicas, secretário nacional da Informação, e mais, muitas mais personalidades constituíam a comitiva do Sr. Presidente da República.
O Alto Alentejo engalanou-se e caprichou em demonstrar ao Sr. Almirante Américo Tomás, em apoteótica recepção, que S. Ex.ª conquistou o coração dos Alentejanos.
Foi dia de festa no distrito de Portalegre. Desde o limite do distrito até ao Maranhão, por Montargil, Galveias e Avis, além de pequenos lugares, o venerando
Presidente colheu os mais sentidos e quentes aplausos de uma população que inteiramente se lhe entregou. O bom povo alentejano rendeu-se por completo à simplicidade austera do marinheiro, à bondade espelhada na face do homem, à naturalidade do mais alto magistrado da Nação Portuguesa, ao sorriso acolhedor e amigo do seu Presidente da República.
Vozes: - Muito bem!
O Orador: - Não ficou S. Ex.ª insensível a tão sinceras e espontâneas manifestações, mas tinha um longo e fatigante programa a cumprir. Sempre delirantemente aclamado, inaugurou S. Ex.ª as diversas fases da mais importante e dispendiosa obra de fomento hidroagrícola até hoje realizada no nosso país: a obra de rega, do vale do Sorraia.
Destina-se esta obra a regar cerca de 15 400 ha, distribuídos pelos concelhos de Avis e Ponte de Sor, do distrito de Portalegre, e mais quatro concelhos dos distritos de Évora e Santarém.
As duas grandes albufeiras - Montargil e Maranhão- poderão fornecer anualmente cerca de 179-000000 m3 de água, através de uma rede total de rega de 383 km, compreendendo 112 880 m de canais, 98 488 m de distribuidores e 171 662 m de regadeiras; as suas centrais permitirão ainda a obtenção de energia eléctrica, que decerto irá contribuir, de maneira decisiva, pura a electrificação de algumas localidades desta região.
Sr. Presidente: os benefícios que a transformação do sequeiro em regadio deverá trazer à vida económica nacional não se limitarão, segundo creio, ao acréscimo do produto nacional bruto.
Poderão suscitar-se diversos e porventura complexos problemas sobre novas culturas, novos métodos de cultura ou novos processos de aproveitamento do terreno nas regiões regadas, mas as perspectivas que tais obras oferecem para uma mais equitativa distribuição de rendimento, para a resolução de problemas, de emprego e, muito especialmente, para a possibilidade do estabelecimento de exploração de novas culturas e indústrias, impõe que tais obras mereçam, e decerto continuarão a merecer, por parte das entidades responsáveis, o melhor carinho e o desenvolvimento de esforços sempre maiores. Assim todo o País igualmente o entenda.
Esta imponente obra agora inaugurada, localizada no distrito de Portalegre, demonstra-nos que a política de rega, tão oportunamente iniciada pelo Governo, se vai realizando pouco a pouco, mas com segurança. Entretanto, também julgo que obras de tal amplitude só poderão ser levadas a bom termo no clima de ordem social, económica e financeira a que o actual regime político nos habituou e que Deus permita se mantenha por muitos anos, para bem de todos e progresso do País.
Vozes: -Muito bem!
O Orador: - Todos sabemos que muito há ainda a fazer no Alentejo no que se refere a obras de rega, e no II Plano de Fomento o problema foi encarado com objectividade e com firmeza, para melhor resolução de uns tantos problemas considerados de capital interesse.
Quem, como eu, assistiu à inauguração desta obra de fomento hidroagrícola e tomou conhecimento dos trabalhos efectuados, das dificuldades vencidas, dos benefícios já colhidos é das previsões, mesmo as mais modestas, baseadas em estudos sérios e dignos, fica aguardando, com a serenidade indispensável, que se concretize, em próximo futuro, tudo quanto se planeou, ou vai planear-se e já se encontra programado, para