O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

524 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 160

mas africanos como nos consideramos solidários com a defesa do património europeu. Não estamos, assim, na posição de quem movimenta possessões africanas como elementos subalternos de um xadrez político ou como base de negócios que se pretendam salvar ainda que à custa de transigências que, afinal, tudo virão a comprometer.
Sentimo-nos tão estreitamente unidas à vida e ao futuro desse vasto continente que a nossa civilização europeia nessas paragens, desenvolvida por persistente e devotado labor cristão, apenas dá relevo à condição de africanos que orgulhosamente queremos afirmar.
E isso, tal como a nossa potencialidade africana, cujos horizontes conhecemos antes de alguém, não nos consente o conformismo com a ideia de suportarmos a melancólica resignação de, sermos apenas uma pequena nação entre as que se agitam na velha Europa.
Portugal é, em verdade, tão europeu como africano.
Por assim ser temos ali construído, graças à coerência entre o que afirmamos e praticamos, um agregado nacional em que todos se sintam participantes, e não apenas coexistentes. Teremos, fora de dúvida, alguns aspectos a corrigir e outros ainda a melhorar, mas havemos de o ir fazendo na observância única dos princípios que se encerram na nossa dooutrina secular, na utilização dos métodos que nos são próprios desde há muito, e nunca pela pressão de intervenções alheias, às quais falece autoridade e não nos sobeja ânimo para suportar.
Na medida em que mais vamos realizando a integração indissolúvel das populações nativas no nosso agregado nacional - no jeito caracterizadamente português de quem transmite um património civilizador e assimila valoras humanos - mais redobram os comentários, as criticas e as pressões dos que, apressadamente, pretendem vestir a África com figurinos dentro dos quais cada dia se apresenta mais duvidoso que os contemplados encontrem a felicidade, passado que seja o primeiro momento da euforia das libertações que vai sendo hábito ver celebrar em torrentes de sangue, que largamente excedem as que pròdigamente se atribuem nos comícios aos mais severos regimes de opressão colonialista.
Entende-se fàcilmente que daquela forma aconteça no encarniçamento dos ataques, desde que atendemos em que a nossa paz e o forjar de uma unidade nacional - sem outras diferenciações que não sejam as resultantes do mérito e capacidade das pessoas hierarquizadas num sistema social que não difere das estruturas adoptadas nos outros países civilizados - se levanta como constante desmentido às falsas teorias que propalam a impossibilidade da simples coexistência pacífica das raças e se erguem como pendões de justiça enquanto não se arvoram como bandeiras de guerra.
Na verdade, cada hora da nossa vida, ordeira, nos territórios de África, é argumento que destrói insistentes meses de propaganda dos agitadores e dificulta os seus propósitos de subversão.
Por isso mais nos atacam. Sem dúvida que se mostrariam menos agressivos e menos diligentes se outro fosse o nosso exemplo e diferente se apresentasse o panorama interno da nossa presença em África.
Aliás, a acção que contra nós se desenvolve engloba nos mesmos objectivos os países que naquele continente ainda detêm uma posição civilizadora, que pode apresentar características diferentes da nossa mas em que se revela a mesma intenção declarada de não se transferirem deveres, nem se negociarem direitos. Com critérios e métodos próprios, a que, aliás, somos estranhos, constituem esses países uma barreira que se opõe à progressão de ideologias que aparentam buscar a libertação de povos apontados como oprimidos mas que, na verdade, apenas visam expulsar do continente africano a presença daqueles que constituem obstáculo à ocupação de vastas regiões convenientes à expansão económica e política de novo imperialismo que pelo inundo fora vai dando as suas provas da conta em que toma os direitos das gentes e as liberdades do indivíduo.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Procurando o progressivo desmembramento de territórios que se uniram com o objectivo de desenvolvimento pacífico destinado a servir todos os seus habitantes, tentando agitar simples reivindicações sindicais ou agravando conflitos rácicos que poderiam noutras condições encontrar solução favorável, visa-se criar um estado de guerra interna para se exibirem como vítimas da repressão os que na verdade são imolados aos frios desígnios daqueles que os armam e conduzem à desordem.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Estamos demasiado atentos a esses problemas que nos rodeiam para nos deixarmos iludir, como noutros países parece acontecer, com a cortina de aparências hàbilmente urdida. A ordem e a autoridade são valores que nos países civilizados se protegem e não compreendemos que para a África se reivindique procedimento que noutras zonas menos perturbadas ninguém critica ou como exemplo, nos países europeus alguém sugere que se modifique.
Porque assim o entendemos, havemos de acompanhar com interesse a vida daqueles Estados que connosco participam da responsabilidade de exercerem em África a sua acção civilizadora.
Independentemente de diferenças de estrutura orgânica, de, linhas de orientação política, de métodos de actuação ou de critérios de administração - que pertencem ao foro interno de cada Estado -, haverá de manter-se a colaboração que provém da coincidência de interesses de defesa.
É, aliás, com esse agrupamento poderoso de Estados que preservam o continente africano do alastramento da mancha subvertedora que a civilização ocidental terá um dia de contar para a defesa conjunta do património que a todos os homens livres é comum e nenhum deles é livre de abandonar.
Por nós, no Portugal africano continuaremos a dar o melhor contributo para a defesa da civilização ocidental e para a preservação da paz no Mundo, através da intransigente observância das directrizes que nos são próprias e com as quais saberemos manter a segurança interna que, sem um momento de excepção, até hoje merecemos conservar.
Tarefa de paz e à paz dirigida ela haverá de reunir, como sempre, a adesão consciente de todos os portugueses.
E se de fora alguém a quiser perturbar com objectivos de agressão, que claramente julgo ter denunciado, não nos faltará o ânimo para, no prosseguimento da missão que desde o início da nacionalidade a protecção divina acompanha, invocarmos e merecermos nessa hora perturbada a bênção como espada, a espada como bênção!
Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Nunes Barata: - Sr. Presidente, Srs. Deputados: proponho-me chamar as atenções para o problema da prostituição em Portugal.