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1632 I SÉRIE - NUMERO 44

porque não quis, ou porque não pôde, ou porque não soube. Portanto, a plataforma bipartida atinge a plenitude do patriotismo, porque qualquer dos partidos, que se prezou de demonstrar ser democrático, abdicou de linhas programáticas - por asso é que é uma plataforma - com a finalidade de atingir a salvação deste país, reestruturar, fundamentar e consolidar a democracia, dando-se as mãos dentro das bases que são conhecidas de toda a gente, visto terem sido publicadas.
Penso ter respondido ao Sr. Deputado interpelante, mas, se ainda tem alguma dúvida, queira fazer o favor de perguntar.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Antídio Costa.

O Sr. Antídio Cesta (PSD): - É só para agradecer ao Sr. Deputado João Pulido e para dizer que me considero esclarecido.

O Sr. Presidente: - Srs. Deputados, o Grupo Parlamentar do PS fez chegar à Mesa um requerimento em que solicita o prolongamento do período ide antes da. ordem do dia. Porém, antes de iniciarmos o prolongamento, quero anunciar a entrada na Mesa de duas propostas de lei do Governo: a n.º 154/I, que concede autorização legislativa ao Governo para definir crimes e penas não superiores a prisão até dois anos, e a n.º 155/I, que fixa em 43,5 milhões de contos e no equivalente a 1600 milhões de dólares dos Estados Unidos da América os limites para a concessão de avales do Estado relativos a operações de crédito internas e externas. Para ambos as propostas é pedida a prioridade e urgência, que serão discutidas amanhã.
Srs. Deputados, iniciamos agora o prolongamento do período de antes da ordem do dia, para o uso da palavra, por cinco minutos, de cada um dos grupos parlamentares.
Tem a palavra o Sr. Deputado Fernandes da Fonseca.

O Sr. Fernandes da Fonseca (PS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Ainda há poucos meses subi a esta tribuna para render as minhas homenagens a um conterrâneo ilustre. Tratava-se do insigne poeta Teixeira de Pascoaes, cujo centenário dó nascimento ocorreu em 2 de Novembro do ano passado.
E é-me particularmente agradável constatar que em boa hora o terei feito, não só pela justíssima homenagem que assim se prestou nesta Câmara a um dos maiores vultos da nossa literatura, mas também porque a Secretaria de Estado da Cultura parece ter ouvido nessa altura o meu apelo, desenvolvendo e intensificando diligências para que o referido centenário viesse a ser condignamente comemorado.
Pois, decorridos estes poucos meses, tenho a grande satisfação de aqui voltar para homenagear um outro destacado vulto natural desse belo e historicamente tão dignificado rincão do nosso país que é Amarante. Refiro-me, desta vez, ao notável pintor Acácio Lino, cujo centenário do nascimento ocorreu no passado dia 25 deste mês de Fevereiro. Acácio Lino, que foi um pintor, de traços vigorosos e capaz de dominar, de forma excepcional, a sombra e a luz, o modelo e a cor, nasceu na freguesia de Travanca, do concelho ide Amarante, a 25 de Fevereiro de 1878.
Revelando, desde muito cedo, uma talentosa aptidão para as artes plásticas (o seu primeiro trabalho data dos 13 anos de idade), frequentou a Academia de Belas-Artes do Porto, tendo, no final, ganho uma bolsa de estudos para Paris, paira onde pautai aos 26 anos.
Na «cidade-luz» florescia, nessa época (princípios do nosso século) a mais exuberante plêiade de talentos no campo das artes e das letras. E Acácio Lino aí pôde conviver com numerosos e grandes artistas», entre os quais se contavam muitos portugueses como Constantino Fernandes, Teixeira Lopes e, sobretudo, um outro amaranto ilustre, que viria a ser também um dos maiores pintores portugueses do nosso século e que se chamava Amadeu de Sousa Cardoso.
Estes compatriotas nossas eram os discípulos e vieram a constituir, com alguns outros, os dignos sucessores desse brilhantíssimo escol que no último quartel do século XIX, tanto honrou o nome de Portugal no campo das artes plásticas; escol em que é justo destacar, no domínio da pintura, os nomes de Silva Porto e de Pousão, de Marques de Oliveira e de Columbano.
Acácio Lino frequentou em Paris a Academia Julien e a Escola de Belas-Artes de Paris e recebeu os ensinamentos preciosos do grande mestre de então Paul Laurans.
Durante o seu estágio na capital francesa, conquistou uma das maiores honras que poderia ambicionar qualquer artista estrangeiro: viu uma das suas telas, um retrato do pintor brasileiro Moura Teles, ser admitido no salon e emparceirado com grandes celebridades da pintura.
De regresso à pátria, leccionou, durante um curto período, a disciplina de Desenho no Liceu de Alexandre Herculano, do Porto para, logo depois, ser contratado pela Escola de Belas-Artes daquela cidade como professor das cadeiras de Desenho e de Modelo, cargo que desempenhou até à sua jubilação em 1948.
Ao longo de toda a sua extensa carreira e vida artística, Acácio Lino cultivou com grande mestria o desenho e o retrato e produziu obra vasta em muitos e variados temas da pintura, desde o paisagístico rural e bucólico ao figurativo, ao místico- religioso e ao histórico.
Em todos esses temas atingiu o mestre um grande nível, pelo domínio dos tons, pela delicadeza e realce das figuras e pela profundidade dos conteúdos.
De entre muitas dais suas obras com temas rurais, tornou-se unia das mais conhecidas, pelo seu ambiente de bucolismo, a par de uma grande riqueza figurativa, o quadro intitulado As Moleiras. São notáveis também as suas obras de carácter religioso com as quais decorou o interior das Igrejas dos Congregados de Santo Isídro, bem assim como os teimas de conteúdo epico-lírico com hoje ornamentou os tectos do Teatro de S. João, no Porto.
Mas a sua maior notabilidade, havia de alcançá-la Acácio Lino no campo da chamada pintura histórica.
Certamente tocado de perto pelo movimento saudosista liderado pelo seu conterrâneo Teixeira de Pascoaes, acabaria o mestre por sentir-se atraído por essa original concepção da lusitanidade, em que uma