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1 DE MARÇO DE 1978 1631

A democracia política pluralista esteve em perigo e, com ela, a liberdade do povo português.
O meu partido deu prova exuberante, perante o País e todo o povo, e até o mundo que olhava o caso português com reserva -, de que é um partido democrático incontestável.
Deste mesmo lugar, há dias, o Sr. Primeiro-Ministro o reafirmou. Com efeito, o CDS é um partido que sabe viver a democracia real e não somente a verbal.
Sem quebra de princípios democráticos que perfilha e pratica, em toda uma filosofia humanista-cristã que integra a sua estrutura programática, soube pôr, acima de tudo e como razão primeira do dever patriótico, a defesa e salvaguarda dos autênticos interesses de todo o povo português, e não apenas os de alguns, bem assim apostar na salvação da democracia e do País, do seu povo e dos valores históricos, como Pátria livre e independente.
O II Governo Constitucional, de base PS com personalidades, dá uma resposta positiva e democrática - e esperamos que eficiente- a uma coexistência compatível e binómio, PS/CDS, de histórico alcance parlamentar, estável e maioritário.
Porque assim entendia, desde há meses, o CDS vinha preconizando para bem de Portugal, do seu povo e da democracia, um acordo de plataforma a ser firmado pelos três partidos democráticos com assento nesta Câmara.
Como só agora se concretizou, posto que apenas a dois, também só nesta altura a condição necessária para estavelmente governar foi encontrada. Mas criada esta, a condição suficiente transparece, ficando dependente da capacidade operacional do novo Governo, cujo programa apresentado à discussão esta Câmara fez aprovar, obtendo o II Governo Constitucional a investidura pedida.
Maratona parlamentar exaustiva, em que se clarificaram posições políticas, se produziram afirmações de compromisso solene, se rasgaram horizontes de esperança, se apontaram coordenadas para salvar Portugal e os Portugueses.

O Sr. Presidente: - Desculpe interrompê-lo. Sr. Deputado, mas queria pedir-lhe para abreviar a sua intervenção.

O Orador: - Falta apenas o final, Sr. Presidente.

Sobre o II Governo Constitucional, Sr. Primeiro-Ministro, impendem, pois, as grandes responsabilidades do futuro deste país.
Da boa ou má gestão do novo Governo merecerem-mos ou não continuar Portugal!
Sr. Presidente, Srs. Deputados: O povo português exige e reclama ser bem governado, e, porque sente os efeitos de desastrosas e sucessivas administrações, admite fazer sacrifícios e sabê-los-á suportar -, mas se atinentes a ser salvo da miséria, da ruína e da derrocada em que o pretenderam atolar.
O Governo terá, pois, de governar e, para isso, conta não só com o apoio da maioria desta Câmara, mas também terá, lá fora, a compreensão e o apoio da grande maioria do povo português, que é sensato e ordeiro e muito aprendeu, à custa própria, ao longo destes quatro históricos anos!
Ponto será o Governo respeitar a índole do povo português e atacar frontalmente e com firmeza os problemas que o afligem.
Assim sendo, só resta ao Governo querer e saber governar.
Tenho para mim, com fortes e fundadas, esperanças, que a rota política programada e aprovada nesta Câmara poderá conduzir Portugal e os Portugueses a porto de salvamento, com exaltação dos valores morais, em paz e com justiça, bem-estar e felicidade para todos os portugueses.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: São estes os votos que expresso perante esta Câmara, que há dias se pronunciou claramente a favor da investidura do II Governo Constitucional.
É, no concernente, esta a mensagem que dirijo ao novo Governo, cujo elenco não só tem pés para andar (sic) como também cabeças para bem governar.
Que o II Governo Constitucional governe bem os Portugueses, com determinação e patriotismo, e reconstrua um Portugal democrático e livre, próspero e digno para todos os portugueses.
É a história que o exige!
São os Portugueses que o reclamam!

Aplausos do CDS.

O Sr. Presidente: - O Sr. Deputado Antídio Costa pede a palavra para que efeito?

O Sr. Antídio Costa (PSD): - Sr. Presidente, era para fazer uma pergunta ao Sr. Deputado João Pulido.

O Sr. Presidente: - Faça favor Sr. Deputado.

O Sr. Antídio Costa (PSD): - Muito obrigado, Sr. Presidente.

O Sr. Deputado do CDS acaba de intervir entende que a solução governamental encontrada, ou seja, o Governo de cotação PS-CDS, atinge os fins patrióticos e maioritários a que aludiu? Em caso afirmativo, porque não apoiou o CDS a solução maioritária PS-PSD-CDS - esta, sim, patriótica e manifestamente maioritária?

Risos do PS.

O Sr. Presidente: - Temi a palavra, se desejar responder, o Sr. Deputado João Pulido.

O Sr. João Pulido (CDS): - Tenho muito gosto em responder ao Sr. Deputado interpelante do PSD.
A pergunta creio que é esta: se eu entendo que o acordo firmado entre o CDS e o PS atinge fins patrióticos e por que razão é que o CDS não defendeu o acordo ou plataforma tripartida.
Pois bem, em primeiro lugar, devo dizer ao Sr. Deputado interpelante que o PS e o CDS não firmaram um acordo, como creio ter ouvido dizer, estabeleceram, sim, uma plataforma.
Em segundo lugar, pois com certeza que o CDS desde a primeira hora defendeu a plataforma tripartida. No entanto, ela aparece bipartida. A razão por que o PSD não alinhou, ou não quis alinhar, pertence ao PS dizê-la. Todavia, adiantarei que foi ou