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342 I SÉRIE - NÚMERO 12

a independência da Polónia, armam-se até aos dentes as superpotências.
Os sectores mais reaccionários da Europa e também os mais servis dos interesses americanos lançaram já a ideia da criação de forças de intervenção, formadas por tropas de vários países, para actuarem fora dos limites formais do Tratado do Atlântico Norte, onde os interesses ocidentais forem considerados ameaçados.
Nada de novo nesta frente reaccionária, pois também os Americanos já formaram a sua força de intervenção de 100000 homens com objectivos idênticos. Por mais proclamações que faça de defesa da democracia e dos valores ocidentais, a NATO já não pode esconder a sua verdadeira face de bloco militar ultra-reaccionário agressivo.
Nos países que a integram, como a Inglaterra e a Turquia, cometem-se verdadeiros atentados à liberdade e aos Direitos do Homem e dos povos.
Não satisfeita com isso, a NATO fomenta e apoia o golpe na Turquia, pois já nem o verdadeiro estado de sítio que se vivia naquele país garantia a submissão total da revolta popular, que punha em causa o poder do Governo ao serviço dos interesses estratégicos americanos.
As potências imperialistas não só se afrontam e guerreiam, mas também sabem unir os seus esforços, desde que se trate de liquidar qualquer movimento genuíno de um povo e a sua luta revolucionária.

Pausa.

O Sr. Presidente: - O Sr. Deputado interrompeu a leitura da sua intervenção, e com toda a pertinência, visto que me parece que os colegas não estão a guardar o devido silêncio, no sentido de, pelo menos, permitirem que os deputados interessados - e creio que será a maioria - em ouvir a prelecção do nosso colega o possam fazer em condições normais.
Peço, portanto, aos Srs. Deputados e ilustres colegas o obséquio de ouvirem atentamente, ou pelo menos deixarem ouvir, a intervenção do Sr. Deputado Mário Tomé.
Peço ainda aos colegas que estão de pé o favor de se sentarem.
Queira prosseguir, Sr. Deputado.

O Orador: - A Turquia e a Polónia são dois exemplos flagrantes. No primeiro destes países constatamos a bonomia com que a União Soviética aceitou o golpe fomentado pela NATO, dizendo, nomeadamente, que podia ter efeitos benéficos, na medida em que ia acabar com a destabilização.
Na Polónia, as potências imperialistas, assim como o próprio Vaticano, tudo fazem porá apoiar e garantir, a nível financeiro, económico, ideológico e mesmo da ameaça militar, a «estabilidade» e a sobrevivência do regime de capitalismo restaurado, pretendendo assim desmobilizar a luta da classe operária e do povo polaco.
Por outro lado, os perigos reais da situação na Polónia servem de argumento para reforçar a intoxicação da opinião pública europeia com as ameaças de guerra, por forma que os EUA possam aumentar ainda mais o seu domínio militar sobre a Europa, quer pela implantação de mais e mais modernos armamentos, quer pela exigência de maiores orçamentos militares nos países da Europa, quer ainda pela. imposição da estandardização de armamentos de acordo com os interesses dos EUA e dos seus fabricantes de armas.

Os imperialistas servem-se das ameaças, veladas ou abertas, de um conflito mundial -que tem uma base objectiva na política imperialista- para disciplina sem, controlarem e arrebanharem os trabalhadores e assim tentarem obviar ao desenvolvimento das suas lutas, levarem-nos à colaboração sensata, ao apagamento da luta de classes em torno de um altar da pátria abstracta, ao restabelecimento da disciplina no funcionamento normal da fábrica ou nas relações do cidadão com o Estado, à maior aceitação de contrôle. dos ficheiros, da repressão, da denúncia de categorias de inimigos da nação, etc.
Além disso, estendem-se as formas de dominação mais rígidas, decalcadas das do exército cujo papel e influência são cada vez mais valorizados: estabelecimento de sectores estratégicos mobilizados e funcionando sob disciplina militar, racionamentos, etc.
As ameaças de guerra servem também para consolidar as alianças, em cada campo, em torno do seu líder.
Desta forma, os apelos à unidade do chamado «campo socialista» tornam-se mais fortes em relação aos países de leste, do Terceiro Mundo e aos partidos irmãos. As intervenções francesas multiplicam-se em África e, por outro lado, a ameaça de guerra serve para os EUA tentarem fazer passar as suas contradições económicas com a Europa e o Japão para segundo plano e obviar a qualquer veleidade de independência ou trilateralismo demasiado acentuados por parte dos seus aliados.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Os capitalistas unem-se para tentar uma aliança assente na miséria dos povos e na opressão das nações. Mas as forças progressistas forjam a sua unidade de combate e resistência aos planos dos blocos imperialistas.
No dia 30 de Novembro realizou-se em Madrid, na Sala Olímpia, uma importante sessão anti-imperialista, promovida pela Convenção Republicana do>> Povos de Espanha, estando presentes a UDP, a União para a Resistência Popular de Franca, o Partido Comunista Português Reconstruído e o Partido Comunista de Espanha Marxista-Leninista, com o apoio da Volksfroní (Frente Popular) da Alemanha.
Conforme declarou nessa sessão anti-imperialista camarada Manuel Pardos, do secretariado da Convenção Republicana dos Povos de Espanha, «em oposição à Europa das oligarquias, dos monopólios e da opressão capitalista, nós, os revolucionários, lutamos pela Europa dos povos».
É a luta revolucionária dos povos que determina o futuro radioso para toda a Humanidade.
As revoluções na Nicarágua e no Irão, a libertação dos povos africanas do jugo colonial, a luta tenaz e frontal do povo salvadorenho, que se prepara para o embate decisivo com a sangrenta ditadura de S. Salvador, a resistência heróica do povo afegão, eritreu e maubere!... No fundo, a caminhada irreversível da multidão dos oprimidos e explorados, factor decisivo de todas as transformações, que nos enchem de coragem e determinação e deixam em pânico os blocos imperialistas e todos os reaccionários