O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

2118 I SÉRIE - NUMERO 56

rários conquistaram e reforçaram a liberdade para si próprios e para milhões de portugueses.
Foi pela luta dos soldados nos quartéis que se pôde falar das forças armadas ao serviço do povo.
Mas foi também por não terem conseguido romper as cadeias de exploração e repressão que os prendem, que os assalariados agrícolas e pequenos e médios camponeses do Norte e Centro pouco ou nada usufruíram das liberdades do 25 de Abril.
A liberdade só existe se atacarmos e liquidarmos as estruturas de exploração e repressão. Por isso é utópico, e não iludirá os trabalhadores, pretender-se salvaguardar a santa liberdade ao mesmo tempo que se vai permitindo o ataque desenfreado à sua base, à sua estrutura, ou seja, o ataque às conquistas económicas dos trabalhadores, ao seu controle sobre as máquinas e as terras, aos seus órgãos de vontade organizada; ao mesmo tempo, afinal, que dia a dia, hora a hora, se deixa cada vez mais liberdade para que, por vezes, verdadeiros bandidos suguem o suor do que trabalham e tomem as rédeas da sociedade.
E é isso que tem vindo a acontecer desde o 25 de Novembro de 1975, em que o actual Presidente da República, general Eanes, sobrepôs a força bruta das armas ao 25 de Abril que o povo fazia.

não há «boas» intenções de «leis Barretos» cumpridas razoavelmente, de contratos a prazo só em condições especiais, de sector público e privado em «harmoniosa» concorrência, que consigam impedir a total liquidação do 25 de Abril que o povo quis e impôs. Não se pode harmonizar o aumento da produtividade com a diminuição do desemprego, os lucros e as terras para os capitalistas com o bem-estar dos trabalhadores, a liberdade para os fascistas fazerem o que querem com a liberdade para o povo.
Hoje, a direita e a AD, celebram a sua própria liberdade, à europeia, à custa do bem-estar e da liberdade do povo, pondo os olhos enternecidos nessa Europa exemplar a que se sentem obrigados por fidelidade e vêem, venceram e não condenam o facto brutal de a não menos brutal Sra. Teatcher deixar morrer de fome, encerrado numa prisão, um patriota irlandês, Boby Sands, eleito pelo povo para o Parlamento.
É o tirar da máscara hipócrita da democracia representativa burguesa. É a confissão de que entre o Parlamento e o fascismo há um passo que se está ensaiando aturadamente quando se vão assassinando trabalhadores, democratas e revolucionários -como Luís Caracol e José Jorge Morais, Caravela e Casquinha,- se prendem e perseguem os catorze antifascistas de Beja que de novo vão ser julgados depois de terem sido amnistiados, se prendem, depois de julgados em autêntico tribunal plenário, os antifascistas como Isabel do Carmo, Carlos Antunes e Fernanda Fráguas, se condenam os soldados do Ralis e se insensam os golpistas do 11 de Março e quando nas forças armadas se controlam e saneiam os democratas e campeiam os reaccionários, os fascistas e aqueles que se opuseram ao próprio 25 de Abril.
É por isso que o coronel Varela Gomes, os majores Mascarenhas Pessoa, Costa Martins e Pereira Pinto, os capitães Duran Clemente, Martins Jorge, Carvalheira e Fernandes, o tenente Matos Serra e o primeiro-sargento-ajudante Miranda foram praticamente expulsos, sem sequer terem um mínimo de subsistência, enquanto aqueles que se levantaram contra o 25 de Abril foram reintegrados, há muito, com chorudos retroactivos. Não é verdade Sr. Presidente da República?
A direita domina a hierarquia das forças armadas e tem a consciência que ou reprime os democratas e progressistas, os saneia e isola, ou não poderá contar com umas forças armadas totalmente dóceis aos seus intentos e à sua missão de capacho da NATO.
A NATO, como integradora internacional das políticas reaccionárias dos países europeus ao serviço do imperialismo belicista americano, tem um importante . papel aos níveis político e ideológico, intervindo em nome da solidariedade dos expropriadores, dos colonialistas e racistas, na política interna do nosso país e na preservação do carácter reaccionário da hierarquia militar, impondo e moldando os critérios de promoção, colocação, saneamento. Por outro lado, como pagapela sua ajuda passa a dispor de um território e de umas forças armadas ao seu serviço e que utilizará como e quando entender e precisar, com o aplauso enternecido do Sr. Presidente da República, da AD e sociais-democratas e com o protesto formal dos restantes, à custa da liberdade, do bem-estar e da paz do povo português.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Tudo isto vai caldeando e temperando a memória colectiva do povo e dando-lhe armas para não sé submeter, mas antes para lutar.
E, se hoje o 25 de Abril está vivo, é porque a luta do povo se reacendeu.
O povo sabe que o governo Balsemão não cai sozinho, nem sequer por acção de Eanes. O povo sabe que não é fácil hoje derrotar a direita e a AD incrustadas no poder, como as lapas na rocha.
Mas a sua experiência também lhe diz que, através da luta decidida de massas, arranca vitórias que debilitam a posição da direita e lhe: introduzem mais contradições. E é isso que vai fazendo, cada vez com mais coragem e decisão de vencer.
Daqui saudamos as lutas vitoriosas, .porque firmes, porque dirigidas por uma política revolucionária dos marinheiros, da Cimianto e a brava luta do STCP; daqui saudamos a luta no sector da construção naval, a luta da Rodoviária e CP, a luta dos trabalhadores da função pública, a luta valente dos agricultores de Chaves, a luta das populações das linhas do Corgo e do Tâmega, a luta dos trabalhadores da Fábrica Simões, da Standard, da MESSA e tantas outras, a luta dos pescadores e dos mineiros, a luta de todo um povo em defesa dos seus interesses e dos seus direitos, em defesa da sua Constituição, do seu 25 de Abril.
Amigos trabalhadores: que as lutas se unifiquem, se alarguem, que a torrente única dos humilhados e ofendidos, dos explorados e oprimidos se reforce. É preciso ampliar e unificar as lutas, que não devem acabar em Maio como a chuva sazonal. As lutas dos pobres levantam-se e desenvolvem-se sempre que os seus direitos forem espezinhados. E que faz o governo AD e que fizeram os governos desde o 25 de Novembro se não espezinhar os interesses do povo? Vamos lutar para além de Maio, vamos lutar até ao Abril de sempre!
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Hoje à tarde milhares de pessoas vão desfilar na Avenida da Liberdade festejando o 25 de Abril. Esses milhares e milhares de trabalhadores, homens e mulheres vão ali-