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27 DE ABRIL DE 1981 2119

mentados por um justo sentimento de alegria, mas também por uma cólera mal contida pelo que tem sido feito contra o 25 de Abril e por uma vontade de luta que tem sido expressa por esse país fora, das mais variadas formas.
Mas que alternativa têm para lhe oferecer os democratas e os antifascistas que promovem a manifestação? Que alternativa ao governo antipopular e antinacional de Balsemão?
A maioria de esquerda, que falhou rotundamente e nada deu ao povo português para além de permitir o avanço da direita e os ataques ao 25 de Abril e à Constituição?
Os governos PS que escancararam as portas ao imperialismo; à NATO, ao FMI, à CEE, aos reaccionários, aos capitalistas e latifundiários, lançaram a lei da destruição da Reforma Agrária, a lei dos contratos a prazo, reforçaram o aparelho repressivo?
Os governos de Eanes, reaccionários como o de .Mota Pinto, ou sem convicção na defesa do 25 de Abril como o de Pintasilgo?
Ou então uma maioria «democrática» fundamentada no facto de se passar a chamar democrata a quem o não i, a quem defende um projecto reaccionário, ou até o projecto da AD? Uma maioria «democrática» que para existir tem de sacrificar as reivindicações fundamentais dos operários e camponeses? Que podem oferecer ao povo português aqueles que já se adaptaram à situação criada, à «nova realidade», ao 25 de Novembro?
Que admitem a revisão da Constituição de Abril, no utópico propósito de, com o consenso da AD, a melhorarem a favor de quem trabalha! Como se isso fosse possível, como se a AD consentisse melhorar a Constituição a favor dos trabalhadores quando se tem recusado sistematicamente a cumpri-la, exactamente por ela defender os direitos do povo e dos trabalhadores conquistados pela sua luta.
Apenas podem oferecer o desenvolvimento mais ou menos temperado da política que tem vindo a ser praticada desde o VI Governo Provisório.
Aos trabalhadores já não basta uma mudança de governo. Não é por falta de os governos mudarem que as coisas não andam. É que falharam todas as soluções experimentadas no quadro político do 25 de Novembro. Falharam todas as soluções dos grandes partidos parlamentares. Falhou a maioria de esquerda, falharam os governos PS, falharam os governos presidenciais, falharam os governos AD e falharam porque não resolveram os problemas do povo, antes os agravaram. É por isso que é preciso mudar de política.
É por isso que a manifestação de Hoje é praticamente inútil, pois não dá saída para o caminho apontado pelas exigências e pela luta dos trabalhadores. Ela vai conduzir o movimento popular para debaixo de Eanes, que já mostrou que tem a mesma política da AD e que não está decidido a defender os interesses dos trabalhadores.
Aos trabalhadores, ao povo português, a UDP diz que precisamos de nos unir em torno de uma nova política, de uma política que defenda os interesses de quem trabalha e aponte um governo coroo nunca tivemos, um governo saído da unidade de todo o povo, forjado na luta corajosa e firme contra a AD, contra a direita, contra a exploração capitalista.
Por isso os democratas, os trabalhadores que forem à manifestação, não podem deixar-se adormecer em ilusões.
Para defender o 25 de Abril é preciso opormo-nos r. séria e decididamente, à revisão da Constituição; impedir a restrição dás liberdades; impedir a electrização do ensino; exigir o cumprimento incondicional da lei da amnistia, a militares e civis; defender a Reforma Agrária; impor o Serviço Nacional de Saúde; defender as nacionalizações, defendendo os direitos e reivindicações económicas daqueles que nelas trabalham, pondo-as ao serviço do povo e não dos capitalistas individuais ou representados colectivamente pelo Estado; fazer das organizações dos trabalhadores e dos seus dirigentes exemplos de luta na defesa dos interesses de quem trabalha, demitindo e atirando borda fora os incapazes, os corrompidos, os conciliadores.
Para defender o 25 de Abril é preciso, numa palavra, fazer os ricos pagarem a crise de que se aproveitam e garantir acima de tudo o pão, o trabalho. a liberdade.
É preciso dizer não à CEE e à NATO, com firmeza, porque não pode haver meias-tintas com a política dos blocos, com as organizações supranacionais de exploração e de guerra.
Lutemos pela liberdade e contra o fascismo baseados na ideia central de que o fascismo não í um mostrengo nascido adulto. Ele é uma ditadura terrorista do capital quando precisa e pode reforçar a sua máquina repressiva para impedir, por qualquer forma, a resistência dos trabalhadores à exploração, para impedir a sua luta pelo pão e pela liberdade. É por isso que os fascistas de ontem se abraçam à democracia quando não têm outro remédio e os capitalistas de hoje se tornarão alegremente fascistas se disso necessitarem!
Lutemos contra a exploração e a repressão capitalistas para podermos dizer: fascismo nunca mais!
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Falharam os partidos políticos, falharam as coligações, que até hoje têm conduzido a vida do povo, falhou o Presidente da República. É preciso um novo regime, nascido da luta popular que abra o caminho para o socialismo.
É aí que está a UDP, nesse caminho que o povo apontou e exigiu com o 25 de Abril!

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o representante do MDP/CDE, Sra. Deputada Helena Cidade Moura.

A Sra. Helena Cidade Moura (MDP/CDE): - Sr. Presidente da República, Sr. Presidente da Assembleia da República, Srs. Conselheiros da Revolução, Sr. Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Sr. Primeiro-Ministro, Srs. Deputados, Srs. Membros do Governo, minhas Senhoras e meus Senhores: O povo português saúda hoje a vitória do 25 de Abril, marco da sua continuada e determinada luta pela valorização do indivíduo, pelo enriquecimento e independência de Portugal, pela paz e pela solidariedade mundial.
Neste 7.º ano da Revolução em que se cumpre uma primeira etapa, marcada pela revisão constitu-