O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

27 DE ABRIL DE 1981 2121

os seus companheiros, título que dignifique a luta do seu povo.
Esse mesmo homem acaba de ser eleito deputado/pêlos seus eleitores, para que assim seja significante não de um grupo de rebeldes, mas de uma força social actuante, capaz de intervir na área do poder político.
Longe do Terceiro Mundo, a liberdade existencial move também o homem, porque o objectivo das liberdades formais não basta hoje àqueles que procuram a justiça e a paz.
Portugal, pelo tipo de luta em que participou e pela condição universalista do seu povo, reencontrou o sentido de comunhão e de expressão de iguais valores
culturais que o redimensionou e lhe deu, de novo, a participação histórica que o fascismo lhe negara.
Estamos em condições agora: de- encontrar uma inserção na Europa que tenha como base a força nacional e a projecção universal, que parte do próprio esforço criativo, pela eliminação do analfabetismo, pelo aproveitamento das potencialidades, capazes de criarem trabalho e riqueza, pelo conceito humano dos padrões da vida, pelo empenhamento correcto e verdadeiro nas etapas que se colocam ao nosso desenvolvimento, pela capacidade de um pensamento realista e honesto que permita a nossa expressão concertada no contexto das nações.
O actual governo, tal como sucedeu ao anterior, incapaz de assumir esta grandeza de que é simples figurante, opta, obcecadamente por uma europeização marginalizada, que já aterrara Eça de Queirós e os seus companheiros.
Dos recentes sonhos através dos emirados árabes, chegar-nos pelo telefone noticioso propósitos de medidas correctas e realistas. À distância a lógica impera e aparece claro, por exemplo, que não basta levar na comitiva um honesto e competente Secretário de Estado da Cultura para que nasça um intercâmbio cultural, será urgente criar também, dentro do País, .uma estrutura capaz e um clima democrático que o viabilize.
Tudo são sonhos desfeitos à chegada.
Este governo, pelo contexto de contradições em que se afunda, não é só um governo afastado do 25 de Abril, e um governo antiprogressista, contra-revolucionário e a bem curto prazo totalmente antidemocrático.

Vozes do PS - Muito bem!

Vozes do PSD: - Não apoiado!

A Oradora: - O ano passado foi nosso dever denunciar nesta mesma Assembleia e nesta data comemorativa que a AD escolhera um candidato às eleições presidenciais que se afastava do 25 de Abril, mas que nunca ousaria apresentá-lo como tal, porque o ,25 de Abril é já a própria carne do nosso povo.
Assim foi na verdade.
O povo português repudiou vivamente o candidato que o Governo lhe oferecia e foi capaz, ultrapassando divergências ideológicas, de garantir a democracia e manter Portugal nos rumos de Abril. Hoje com grande alegria podemos afirmar que a vitória da democracia nas eleições presidenciais foi indício de uma unidade democrática que abre novos caminhos à revolução portuguesa.

O Sr. Herberto Goulart (MDP/CDE):- Muito bem!

A Oradora: - Pela força fundamental da nossa busca, e da nossa libertação, a unidade antifascista ganha agora novo rosto igualmente firme e decidido, empenhando na tarefa construtiva de dar mais força, mais voz e maior conteúdo aos valores democráticos de construir a democracia.
É assim larga a esperança que nos abre este novo Abril, porque é larga a esperança na liberdade. Em sete anos de revolução, o nosso povo ainda não deixou de encontrar soluções que lhe permitam, em cada dia, avançar e aprofundar a luta pela libertação. Nessa luta nos irmanamos com os povos que em todo o mundo marcam a vanguarda da história.

Aplausos do MDP/CDE. do PCP. da UEDS e de alguns deputados do PS.

O Sr. Presidente:- Tem a palavra o representante da UEDS, Sr. Deputado Lopes Cardoso.

O Sr. Lopes Cardoso (UEDS):- Sr: Presidente da República, Sr. Presidente da Assembleia da República, Sr. Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Srs, Conselheiros da Revolução, Sr. Primeiro-Ministro, Srs. Membros do Governo, Srs. Deputados: Comemoramos hoje mais um aniversário do 25 de Abril de 1974.
As crianças que tinham então 10 anos, são hoje jovens que atingem a idade adulta e não têm, senão por ouvir dizer, uma ideia do quê foi durante décadas a vida quotidiana em Portugal.
Para nós, para os que vivemos a nossa juventude sob o fascismo, para nós que tivemos vergonha, raiva, medo, dia após dia, hora após hora, viver este dia em cada ano é sentirmo-nos em liberdade, é ter-se acabado a guerra colonial, é serem hoje livres os povos irmãos antes submetidos ao jugo colonial fascista, é, de certo modo, podermos tranquilamente, cem fantasmas e sem polícias à nossa espera em cada esquina, continuar a nossa luta.
Para nós, que combatemos tantas vezes com desespero pela dignidade de homens livres que nos era recusada, viver este dia é a certeza de que valeu a pena, a certeza de que vale a pena continuar, para fazermos do 25 de Abril um dia igual aos outros, fazendo de todos os dias, dias iguais ao 25 de Abril.

Vozes da UEDS - Muito bem!

O Orador - Mas pára essas crianças de 1974 o que lhes demos nós? O que encontram à entrada do seu tempo de adultos?
Elas não sabem o muito que lhes trouxe o 25 de Abril, se não formos capazes de lhes fazer, passar a mensagem se não formos capazes de lhes dizer como podem hoje construir o seu próprio futuro, como podem hoje transformar uma vida, tantas vezes inútil e sem sentido, na aventura plena da conquista diária de si mesmos e da transformação dos valores vazios de ontem, em valores novos que hão sejam apenas evasões fictícias de um cativeiro para outros cativeiros.
Há sete anos o punhado de homens que fizera o 25 de Abril estava colocado já perante o facto inelutável de que o 25 de Abril não era apenas seu: O povo, nas ruas, tomara-o desde logo nas suas próprias mãos.