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2120 I SÉRIE - NUMERO 56

cional, em que se faz um balanço do passado, se criam os cenários do futuro e se projectam as experiências adquiridas, o MDP/CDE entendeu dever realçar a acção dos capitães de Abril, aqui representados através do Conselho da Revolução.
Sem esquecer aqueles que, na roda da história, seguiram-caminhos mais difíceis de institucionalizar, nós queremos saudar cada um dos membros actuais do Conselho da Revolução, como símbolos de atitudes diferenciadas, de escolhas várias, de personalidades diferentes, eventualmente de ideologias diversificadas, mas todos reunidos numa exemplar base de entendimento comum.
Saudamos, assim, os homens herdeiros da MFA, capazes de entregar ao povo o poder obtido pelas armas; saudamos os chefes militares garantes da legalidade e da estabilidade social; saudamos no seu conjunto aqueles que, sabendo cumprir promessas, têm honrado o seu compromisso para com a Constituição da República e para com o povo português.

o Conselho da Revolução, como órgão de soberania, louvamos e reconhecemos a sua persistente acção em favor da democracia.
Meus Senhores e minhas Senhoras: A nossa revolução faz sete anos.
Por muito fluidas e convencionais que sejam as etapas do desenvolvimento humano, poderemos dizer que novos seres tecem a partir de hoje a nossa teia social:

São aquelas crianças que nunca contactaram com o fascismo e que ao chegar ao mundo foram acolhidos pelos olhos de Abril, que nasceram nesse país repentinamente transformado, onde os braços erguidos rasgaram os horizontes e a guerra se calou sufocada pelos gritos da alegria, porque um povo livre não sabe reprimir.

São essas as crianças que hoje entram numa fase da vida que gera uma nova participação e uma nova projecção social.
Desde as primeiras horas do dia 25 de Abril de 1974, a criança foi simbolicamente erguida pelos soldados, enlaçada em cravos e baionetas, ela foi sinal não só do Portugal fraterno, mas do amor que nascia do fascismo destruído.
Fiéis às promessas feitas e ao Portugal prometido saudamos as crianças portuguesas, irmanando-as com as crianças de todo o Mundo. O MDP/CDE faz esta saudação na certeza de que os seus militantes com passo firme seguem no caminho da paz e da justiça que para elas foi aberto pelo esforço coordenado de tantos homens.
Esse esforço, como tantos outros, noutros campos, foi escarnecido, desprezado e mesmo destruído por governos sem capacidade de acção, sem a inteligência das situações, entrincheirados atrás de más teorias convencionais que aproveitam à sua incompetência, ao seu egoísmo e ao seu medo.
Governos de que o presente é o mais expressivo exemplo. Cada vez mais dissociado da movimentação social, porque está .cada vez mais empenhado em resolver as contradições internas do que em servir o País. Cada vez mais virado para si próprio, governa já só pelo exercício especulativo do poder e faz da sua própria angústia e dos seus próprios problemas o problema nacional.
A verdade é que, dissociado do 25 de Abril, não se sente à vontade perante o povo português. Prefere as manifestações partidárias às comemorações nacionais, porque teme que a menor janela aberta varra e desalinhe a ordem retórica em que se esconde.
Mas o 25 de Abril porque se encontra na linha do processo de transformação é hoje, e em cada dia mais, uma janela aberta para o mundo inteiro.
Em cada homem se aprofunda a busca da liberdade, não de uma liberdade formal, mas de uma liberdade existencial marca da nossa época histórica. Nessa busca, o povo português deu à humanidade uma contribuição que nunca mais se poderá apagar.
Do processo de descolonização, que partilhámos, nasceram repúblicas livres e soberanas que rejeitaram o neocolonialismo e que, por serem ponte para a velha Europa, são hoje elo importante na libertação do Terceiro Mundo.
Mais uma vez, como acontecera na época dos Descobrimentos, Portugal, arranca «novos mundos ao mundo» e dá à luta pelo progresso da humanidade uma desmedida contribuição.
Isto foi possível porque, durante o fascismo, noa irmanámos com os povos de África e fomos capazes de, comunicando as razões da nossa luta e aculturando a luta dos povos irmãos, atingir as raízes da liberdade.
Percorremos um caminho de compreensão e de expressão onde a longa vivência da luta antifascista, sendo nacional, ganhou coordenadas universais.
Em consequência desta riquíssima e complexa experiência humana, fomos capazes de criar, para ainda maior escândalo das forcas conservadoras, uma democracia representativa-parlamentar que se não esgota nessa representatividade. Mantendo, pelo contrário, um forte potencial participativo, somos capazes de assegurar o nosso empenhamento, sempre crescente, na libertação existencial do homem.
Nos campos da Reforma Agrária, na organização de cooperativas, na recuperação de baldios, ma luta peto trabalho, pela escola livre e democrática, pela saúde generalizada, pela protecção na doença, pela habitação; na dinâmica criativa de todo o movimento social e das organizações populares, na acção esclarecida, participada e integrada do poder tocai, o povo português assegura a sua contribuição na busca da liberdade existencial. Liberdade que não consiste apenas na aquisição da representatividade política, que come o risco de alienação, mas se exerce e se exercita, na intervenção directa do homem no processo transformador do dia-a-dia.
Nesta luta, nesta busca, neste anseio da liberdade histórica do nosso tempo, o povo português irmana-se com aqueles que hoje melhor e mais cruamente personalizam a libertação: quer na guerrilha corpo a corpo contra a máquina do imperialismo, no Terceiro Mundo, quer no contexto da Europa, eles abrem fendas insanáveis nas muralhas que defendem o velho mundo conservador e retrogrado.
É exemplo o jovem irlandês de 27 anos que se dispõe a morrer não pela sua liberdade, nem sequer pela liberdade dos seus irmãos, mas pela causa mais nobre de obter um título de preso político, para si e para