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2154 I SÉRIE - NÚMERO 57

(...) em estado de coma, a sua determinação parece hão vacilar.
Bobby Sands nasceu há vinte e sete anos na Irlanda. Devia estar hoje no Parlamento para que foi eleito. Devia fazer ouvir a sua inteligência e a força das suas razões. Devia ser um jovem mais a levantar a sua voz de deputado em defesa dos que sofrem, a juntar a sua voz a tantas vozes.
Mas Bobby Sands, que nasceu há vinte e sete anos na Irlanda, caminha para a morte numa sinistra prisão, em não menos sinistras e tristes condições no reino de Sua Majestade.
Quando, nesta Assembleia, em 17 de Dezembro de 1980, aprovámos, por unanimidade, um voto de protesto contra, as condições em que mais de 500 cidadãos irlandeses se encontravam detidos - e encontram - pelo exército britânico no campo prisional de Long Kesh, estávamos longe, de supor que tudo isto fosse possível. Juntámos nesse dia, unanimemente, as nossas vontades, com a esperança de que as nossas vozes, solidárias com as solidárias vozes democratas de todo o mundo, pudessem contribuir para melhorar a situação dos presos do já célebre bloco H e para alertar a opinião pública.
No dia 16 do corrente mês, alguns deputados comunistas enviaram à Embaixada dá Grã-Bretanha um telegrama, cujo texto passo a citar:

Informados da situação dramática de Bobby Sands, eleito para a Câmara dos Comuns, manifestamos a nossa profunda preocupação e reclamamos medidas urgentes para salvar a sua vida.

Perante este apelo, a resposta veio clara:

(...) o Governo não tem qualquer possibilidade de impedir a morte, do Sr. Sands, se ele estiver de facto decidido a morrer [..]

O cinismo desta resposta, para não a classificar de outra maneira, não merece comentários...

O Sr. Jorge Lemos (PCP) - Muito bem!

O Orador: - Face a esta situarão, e às últimas informações que nos chegam; profundamente inquietos com a sorte de Bobby Sands, continuamos a reclamar quê o Governo da Grã-Bretanha, assumindo todas as suas responsabilidades, tome todas as medidas humanitárias e de justiça, que se impõem de há muito para salvar a vida deste patriota e lutador pelos direitos cívicos e humanos.
Ao fazê-lo, apresentámos o voto em debate e apoiámos, sem hesitações, o que igualmente foi apresentado e recordamos que um abaixo-assinado denunciando esta situação já foi subscrito por; deputados de todos, os grupos parlamentares.
E esclarecemos que tudo fizemos para que fosse, possível uma votação unânime nesta Assembleia em torno de um voto subscrito por todos os grupos parlamentares. Isso não foi possível, e as razões são claras: os direitos humanos; são, nas bocas dos deputados da AD, apenas palavras cínicas e hipócritas.

Protestos do PSD e do CDS.

Recordámos ainda que amanhã se realizará uma concentração frente à Embaixada da Grã-Bretanha, por iniciativa de centenas de personalidades dos mais diversos quadrantes ideológicos e políticos, deputados, eleitos de autarquias, dirigentes sindicais e estudantis, médicos, professores, jornalistas, artistas plásticos, engenheiros, investigadores científicos, advogados, reclamando medidas urgentes para salvar ainda a vida de Bobby Sands, que nasceu há vinte e sete anos na Irlanda. E que hoje, quando os seus compatriotas, que o elegeram deputado, desejavam ouvi-lo na Câmara dós Comuns, sofre uma morte lenta e terrível, enquanto luta e aguarda pelo reconhecimento do estatuto de preso político, sistematicamente negado aos patriotas irlandeses.
Bobby Sands nasceu há vinte e sete anos ha Irlanda. Hoje luta contra à morte, nunca traindo a vida e o futuro. Poucas palavras bastam para sublinhar este espectáculo dantesco. Mas toda a solidariedade é pouca e, por isso, levantamos a nossa voz e á nossa vontade solidárias. Felizmente, unia vez mais, não estamos sós.

Aplausos do PCP, do PS, da UEDS, do MDP/CDE e da UDP.

O Sr. Presidente: - Srs. Deputados, como não há mais intervenções, vamos votar em primeiro lugar o voto apresentado pela UDP.

Submetido à votação; foi rejeitado, com votos contra do PSD; do CDS e do PPM e votos a favor, do PS, do PCP, da ASDI, da UEDS, do MDP/CDE e da UDP.

O. Sr. Presidente: Srs. Deputados, vamos agora votar o voto apresentado pelo PCP.

Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do CDS e do PPM é votos a favor do PS, do PCP, da ASDI, da UEDS, do MDP/CDE e da UDP.

Sr. Presidente: - Para uma declaração de voto, tem a palavra o Sr. Deputado Portugal da Silveira.

O Sr. Portugal da Silveira (PPM): Sr. Presidente, Srs. Deputados: Os deputados do Partido Popular Monárquico solidarizam-se profundamente com um homem que tudo sacrifica, até a vida, pelos seus ideais.

O Sr. António Vitorino (UEDS): Hipócrita!

O Sr. Sonsa Marques (PCP,): Hipócrita!

O Sr. Pedro Roseta (PSD): A hipocrisia é vossa!

O Sr. Presidente:. - Srs. Deputados, peço a vossa atenção. O Sr. Deputado Portugal da Silveira está a fazer uma declaração de voto.
Tenha a bondade de continuar, Sr. Deputado.

O Orador: - Por isso, tem um profundo respeito pela luta que ele entende ser justa.
Simplesmente, para o Partido - Popular Monárquico, esta situação passa-se num país que, durante a história contemporânea da Humanidade, tem sido geralmente reconhecido por aquele onde mais a liberdade de cada um é preservada...

Vozes do PCP: - Vê-se!