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2352 l SÉRIE - NUMERO 61

palavras que há pouco foram pronunciadas relativamente à canta que foi endereçada a alguns membros desta Câmara e a nós também pela Embaixada da Grã-Bretanha e cuja indignidade nunca será de mais aqui referir e repudiar.

Vozes do PCP: - Muito bem!

O Orador: - Por outro lado, entendemos que não há qualquer ingerência nos assuntos políticos da Grã-Bretanha ao tomarmos a posição de votar favoravelmente este voto apresentado pela UEDS, até porque o texto constitucional, no seu artigo 7.º e nos seus números 2 e 3, claramente permite que tenhamos nesta sede uma. palavra expressiva e específica. Foi aqui dito que Bobby Sands não chegou a ser deputado. Efectivamente não chegou a ser deputado porque foi impedido de o ser pela tirania, mascarada ou não, pela autocracia da Sr.ª Thatcher na Grã-Bretanha.

Vozes do PSD: - Não apoiado!

O Orador: - E não chegou, também, a ser deputado porque esse mesmo regime o levou, aos 27 anos de idade, a ver exaurir-se-lhe a vida em luta pela vida.

Vozes do PCP: - Muito bem!

O Orador - Bobby Sands, de certo modo, morreu vivo porque um homem projecta-se pelos seus actos solidários para além da morte. Neste caso concreto assim se vê: projecta-se por uma memória dinâmica, e não apenas, ou nunca, no caso concreto, pelo egoísmo e pelas atitudes políticas que fazem com que as pessoas vivam uma existência incoexistente.
Nós estamos profundamente solidários com a luta do povo irlandês. Quaisquer que sejam as divergências quê tenhamos, relativamente aos métodos de luta utilizados por Bobby Sands e pelos seus companheiros, entendemos que as. razões de humanidade associadas às de uma visão política emancipadora e verdadeiramente libertadora nos impõem a mágoa, o sofrimento, a solidariedade humana, mas também, e profundamente, a solidariedade política, porque Bobby Sands foi um deputado eleito que o Governo da Sra. Thatcher não pretendeu nem deixou que acabasse por exercer o seu mandato.
Nós entendemos que alguma coisa de essencial se perde quando morre um revolucionário. Estamos com ele. Há uma velha canção norte-amerícana que diz: «A resposta, amigo, será dada pelo vento...»

Cortada a palavra ao orador pelo controle automático.

Aplausos do PCP, do MDP/CDE e da UEDS.

O Sr. Presidente: - Para uma declaração de voto, tem a palavra o Sr. Deputado Ribeiro e Castro.

O Sr. Ribeiro e Castro (CDS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Falo muito brevemente para dizer que não votámos favoravelmente o voto apresentado pela UEDS por considerarmos que ele tem nalguns pontos uma apreciação parcial e isolada deste caso. Consideramos que o nosso voto produz uma avaliação global e mais correcta da situação. Nessa medida o apresentamos e nessa medida o votaremos.

O Sr. Presidente: - Também para uma declaração de voto, tem a palavra o Sr. Deputado Lopes Cardoso.

O Sr. Lopes Cardoso (UEDS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Eu quase me atreveria a dizer que a declaração de voto da UEDS ou, se quiserem, as razões do voto da UEDS foram já melhor talvez do que eu o farei, expressas pela própria maioria. Expressas na longa intervenção do Sr. Deputado Costa Andrade, que conduziria na sua lógica a uma votação favorável ao voto da UEDS, mas que conclui evocando divergências que não foi capaz de referir nem de indicar concretamente.
Está nas declarações do Sr. Deputado do CDS, que refere alguns aspectos do nosso voto que não mereceriam o seu acordo, mas que foi incapaz de concretamente apontar quais.

O Sr. Narana Coissoró (CDS): - Vamos fazê-lo!

O Orador - Está nas declarações do Sr. Deputado Luís Coimbra, do PPM, que ultrapassou os limites. Mas eu compreendo a sua posição e não a invejo: é difícil defender o indefensável, é difícil estarmos contra aquilo que, se calhar, profundamente pensamos.
Apresentou três argumentos: primeiro, porque se referia a um deputado eleito e não a um deputado. Está aqui uma subtileza que o Sr. Deputado Costa Andrade não alcançou, visto que se referiu também ao deputado Bobby Sands. Depois, referiu-se ao problema do estatuto político e, depois, à ingerência nos assuntos internos da Grã-Bretanha, porque havia um apelo as autoridades da, Grã-Bretanha, esquecendo, Sr. Deputado, que em 17 de Dezembro votou um voto e disse na sua declaração de voto que não podia deixar de o fazer, na qual dizia, expressamente, que os presos da Irlanda têm direito ao estatuto de preso político e onde apelava, para as autoridades britânicas. A contradição é flagrante.
De facto, quando se põe acima dos princípios a defesa de razões de Estado ou solidariedades de Governo, sem sequer ter a coragem de assumir essas razões de Estado ou essas solidariedades de Governo, cai-se nessas posições.
Nós nunca pusemos nem poremos as razões de Estado, as solidariedades, sejam elas quais forem, acima da defesa dos direitos do homem, daquilo que são os princípios fundamentais, pelos quais sempre nos batemos e continuaremos a bater.

Aplausos da UEDS, do PS, da ASDI, do MDP/CDE e de alguns deputados do PCP.

O Sr. Luís Coimbra (PPM): - Dá-me licença, Sr. Presidente?

O Sr. Presidente: - Para que efeito?

O Sr. Luís Coimbra (PPM): - Para protestar, Sr. Presidente.

O Sr. Presidente: - Faça favor.

O Sr. Luís Coimbra (PPM): - É para esclarecer o seguinte: em relação ao voto de 17 de Dezembro,