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1 DE JULHO DE 1981

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na Nazaré. O massagista estava em condições de se ir embora. Aliás, isso sucedeu e a carga de violência da polícia é muito posterior a isso.

O Sr. Presidente: - Para uma intervenção tem a palavra o Sr. Deputado Flemíng Oliveira.

O Sr. Fleming de Oliveira (PSD): -- Sr. Presidente, Srs. Deputados: Não nos causou qualquer surpresa o teor e oportunidade da moção apresentada pelo PCP sobre os graves acontecimentos ocorridos, no passado domingo, após o jogo de futebol realizado na Nazaré. Ela insere-se deliberada e cuidadosamente na estratégia que as forças antidemocráticas desenvolvem contra o poder constituído e nomeadamente as forças da ordem.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Comunico deputado em exercício de funções residente na zona centro do distrito de Leiria, não posso permanecer indiferente perante mais esta iniciativa do PCP. Porque ela é desleal, provatória e visa muito mais do que apurar o sucedido e prevenir a repetição de factos semelhantes - a condenação pura e simples de quem agiu no pressuposto de uma actuação correcta.

Não posso nem quero atacar qualquer franja, ainda que perfeitamente delimitada e reconhecida, da população da Nazaré
A maioria ordeira e laboriosa das gentes desta terra não deve ser, injustamente, confundida com um grupo de marginais que frequentemente a compromete, cobardemente, no seu bom nome.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador - Infelizmente, acontecimentos como os que agora apreciamos nesta Câmara não são originais no passado recente da Nazaré. Assim, não posso deixar de referir o que ali aconteceu em plena campanha para as últimas eleições legislativas, aquando do comício que a Aliança Democrática levou a efeito com a presença, entre outros, do Ministro Vítor Crespo, em que cadeiras voaram pela sala, navalhas foram abertas, tiros disparados para o ar, apedrejamentos, perante a total passividade da Polícia de Segurança Pública local.

Uma voz do PCP - Tanto sangue!

O Orador: - Não posso deixar de referir ainda o que aconteceu tempos depois, quando da passagem da caravana automóvel apoiante do general Soares Carneiro, a' qual foi apedrejada, teve carros amolgados e vidros partidos, perante a passividade da Polícia de Segurança Pública, aliás reforçada para o efeito, de Leiria. A mesma PSP que agora ê acusada de exageros.
Aceito perfeitamente, tal como ontem aqui foi referido por um deputado do PCP, que a Polícia de Segurança Pública não existe para bater em cidadãos indefesos. Mas o que não posso defender, tal como ninguém de boa fé, é que a troco das chamadas «amplas liberdades» a PSP se mantenha impávida e serena perante a arruaça de certos marginais que

ofendem a tranquilidade e o bem-estar dos que com eles não se identificam.

Vozes doo PSM - Muito bem!

O Orador:- Não estive, no passado domingo, no campo de futebol da Nazaré.

O Sr. Carlos Brito (,PCP): - Vê-se!

O Orador. - Conheço-o .todavia e desde já afirmo que é totalmente impróprio para jogos de certa importância. Admira-me que os autarcas do PS-APU (maioria tradicional na Câmara Municipal da Nazaré após o 25 de Abril), tidos por tão «aptos e competentes», não tenham tomado a iniciativa de mandar construir um novo parque de jogos que evite assistir a espectáculos que tem pela sua crueza e barbaridade algo de semelhante a um circo romano.

Vozes do PSD - Muito bem!

O Sr. Gomes Fernandes (PS): - É preciso ter lata!

O Orador - Porque essa iniciativa, aliás em curso, foi da responsabilidade do precário executivo da Aliança Democrática que geriu a Câmara da Nazaré entre princípios de Novembro e fins de Março últimos.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador - Noutro campo de futebol nada disto, eventualmente, teria acontecido. Nestas condições precárias em que o público é instalado não é possível controlar devidamente a situação.
Posso acrescentar e esclarecer esta Câmara que no sábado anterior aos acontecimentos já se dizia na Nazaré que ou os Nazarenos ganhavam o jogo ou tudo se rachava.

O Sr. Jerónimo doe Sousa (PCP): - Onde ouviu isso?!

O Orador: - Era o fumo de que resultou fogo. Era a paixão clubista a sobrepor-se à razoabilidade.
Os factos que consegui apurar, de fonte tida por idónea, permitem-me, Sr. Presidente e Srs, Deputados, concluir o seguinte: até ao fim do jogo nada «aparentemente» fazia esperar que depois aconteceu. Digo aparentemente pelas razões que atrás referi, que levaram a que « Polícia de Segurança Pública local tivesse de ser reforçada com um contingente de cerca de 80 homens ido de Leiria, Caldas da Rainha e Lisboa.
Após o termo do jogo, a agitação começou imediatamente um pouco por toda a parte e dentro do estádio, imputando-se certa responsabilidade a um indivíduo da terra tido por ligado à direcção dos Nazarenos.
A confusão instalou-se e alguns de ânimo mais exaltado agrediram tudo e todos, muito especialmente os adeptos do clube visitante e o seu massagista, barbaramente atingidos a murro, a pontapé e à pedrada. Os próprios jogadores do clube visitante, antes de recolherem às cabinas, foram também agredidos, inclusive com pedras.